Tudo começou no dia 26 de outubro de 1958, quando a pioneira norte americana Pan Am realizou o primeiro voo transatlântico a jato da empresa entre Nova York e Paris. Para todos foi uma novidade realmente muito bem recebida, cruzar o atlântico norte nunca havia sido algo tão prático, confortável e rápido.

Boeing 707 da Pan Am mesmo modelo que fez o primeiro voo a jato da empresa.
Boeing 707 da Pan Am, mesmo modelo que fez o primeiro vôo a jato da empresa.

Antes da era do motor turbo jato (e posteriormente turbofan) ,viagens transatlânticas demoravam por volta de 18 horas em aeronaves com motores a pistão apertadas, barulhentas e que sacolejavam muito a ponto de causar mal-estar em seus passageiros e tudo isso foi melhorando com introdução dos jatos que eram mais silenciosos, e relativamente mais econômicos em relação aos outros motores que voavam em altitude mais alta, quando comparado com motores à explosão.

O Boeing 707 não foi a primeira aeronave a jato destinada ao mercado civil, antes dele outros dois modelos já haviam feito história na aviação, e um entrava mercado no mesmo período que o norte americano, o francês Caravelle, mas o primeiro de todos foi o Comet, britânico da empresa de Havilland que por problemas estruturais não teve uma carreira tão segura e bem sucedida como se esperava.

Logo em seguida o lado socialista mostrava a sua primeira aeronave a jato de passageiros, o TU-104, que se baseava muito no design do Comet, mas como no mesmo período do início da era jato o mundo vivia em plena guerra fria, para companhias de países capitalistas comprarem qualquer coisa que viesse da União Soviética era quase uma ofensa. Já os franceses apresentaram sua aeronave em 27 de maio de 1955, o SudAviation Caravelle que era concorrente quase direto do Dash 80.

Dash 80 nome dado ao protótipo do Boeing 707.
Dash 80 nome dado ao protótipo do Boeing 707.

O estrelato do Dash 80 começou no seu primeiro voo de demonstração no dia 15 de julho de 1954, quando decolou de Renton Field ao sul do estado americano de Seattle e voou por aproximadamente 3 horas e 48 minutos rumo a Baltimore, localizado em Maryland.

Durante um dos primeiros voos de demonstração o piloto de testes Tex Jonhson, fez manobras radicais com o avião deixando todos em solo impressionados com o potencial da aeronave, com a exceção do presidente da empresa que na época era o William M. Allen que quase teve um “ataque no coração”, mas fez parecer que tudo havia sido planejado para os interessados no modelo que assistiam junto com ele o nascimento de um lendário avião.

Devido aos infelizes acidentes com os Comet, a Boeing e seus concorrentes aprenderam que o design de cada janela em aviões a jato deveria ser redondas ou ovais, e não quadradas como o projetado anteriormente, e que deveriam alterar alguns itens de design que se fazia presente na aeronave, como os motores na parte interna da asa.

Diferente dos britânicos os franceses conseguiram fabricar uma aeronave que pode concorrer diretamente com os americanos, porém devido ao seu baixo alcance comparado aos 707 e Dc-8, o número de passageiros que o mesmo levava, acabava por se tornar viável mais para viagens de curta distância.

A revolução do 707 foi capaz de abrir um novo seguimento de exploração para a Boeing, de uma empresa que fazia aviões militares, para a maior fabricante de aviões de passageiros do mundo, superando até a Douglas, sua maior rival na época, e que anos mais tarde seria comprada pela Boeing (já vivendo o nome McDonnell Douglas), além disso, nenhuma outra aeronave seria tão amplamente vista e comprada em nível global como o jato de “entrada” da norte americana Boeing, que em um curto intervalo de tempo transformaria o lendário Constellation em equipamento antiquado e até fora de moda.

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Fatores que ajudaram em seu sucesso foi sua alta velocidade em cruzeiro, que era de aproximadamente 920km/h. Nos voos levava acima de 110 passageiros divididos em duas classes, em um raio de 5 a 9 mil quilômetros podendo variar dependendo da versão. E fora o sucesso em passageiros, os 707 também entraram com louvor no mercado de carga, que com o tempo foi se tornando mais e mais abrangente. Anos após seu lançamento o sete zero sete se tornou o primeiro Air Force One a jato (aeronave presidencial dos EUA).

Hoje as principais aeronaves da empresa de Seattle aproveitaram os ensinamentos deixado pelos “sucatões”, apelido carinhoso ganhado aqui no Brasil após alguns anos de operação como avião presidencial pela FAB. Pode não parecer, mas os 727 e os 737 têm como base o 707 e ambos foram sucesso no portfólio da Boeing por décadas. Ajudando ainda mais na história da aviação civil, com o 727 que era derivado do seu irmão mais velho, a aeronave que viria pra concorrer diretamente com o Douglas Dc-9 e o Caravelle, logo em seguida viria outra aeronave que fez e continua a escrever história como modelo mais vendido de todos os tempos, o best seller  737, que mais adequado para rotas de curta distância e de menor de manda.

Além de percussor na família dos jato na Boeing, o 707 foi um ícone histórico que ajudou em muito o mundo a ser o que é hoje, conectando pessoas e objetos em questão de horas, sendo um dos principais protagonistas de um evento global que hoje é nomeado de globalização.

 

Não poderíamos esquecer, uma decolagem direto do cockpit:

 

Voltando no tempo com um promocional da Pan Am de 1958:

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Igor Danin

Estudante , sou da Aeroflap desde novembro de 2013 e acompanhei o crescimento e sucesso da página desde o início antes de me tornar adm, e agora que faço parte da equipe cresço junto com o site.