Há algumas semanas a Bombardier sofreu uma dura resposta dos Estados Unidos em relação a família CSeries, o Departamento de Comércio dos EUA lançou uma recomendação para taxar os aviões da fabricante canadense em 220%.

E novamente o Departamento de Comércio dos EUA está no topo dos problemas da Bombardier, uma recomendação para aplicar uma taxa de 79,8% aos aviões da linha CSeries foi lançada, e eles deixaram bem claro, isso é só um acréscimo a decisão de aplicar o imposto de 220%, no final os dois impostos serão juntados, resultando na aplicação de um imposto de quase 300% para a linha CSeries.

“Os Estados Unidos estão comprometidos com o comércio livre, justo e recíproco com o Canadá, mas essa não é nossa ideia de um relacionamento comercial corretamente operacional”, disse o secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, em um comunicado de imprensa. “Continuaremos a verificar a precisão desta decisão, ao mesmo tempo em que fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para defender as empresas americanas e seus trabalhadores”.

Em resposta a Bombardier disse que isso é “um exagerado excesso e uma aplicação incorreta das leis de comércio dos EUA em uma aparente tentativa de impedir que as aeronaves CSeries entrem no mercado dos EUA”. A empresa ainda completou dizendo que essa decisão “ignora completamente as realidades da indústria aeroespacial”.

Na mesma resposta a Bombardier ainda acusou a Boeing de vender aeronaves abaixo do custo de produção, para aviões que já estão em fim de linha. “Essa hipocrisia é terrível, e isso deve ser profundamente preocupante para qualquer importador de produtos grandes, complexos e de alta tecnologia”. Vale lembrar que esse processo dos EUA na OMC está sendo realizado com apoio da Boeing.

Outra grande empresa do setor, a Embraer, também está apoiando um processo parecido contra a Bombardier na OMC, aplicado através do Governo Brasileiro, a justificativa desse processo brasileiro é a mesma, a Bombardier recebeu subsídios ilegais do Governo Canadense, para desenvolver o avião CSeries, sem esses subsídios a empresa não teria a capacidade de finalizar o desenvolvimento do seu novo avião.

Foto – Bombardier

De acordo com as alegações apresentadas, a Delta teria encomendado cada aeronave por 20 milhões de dólares, enquanto o custo de produção do CS100 gira entorno de 33 milhões de dólares (valor estimado pela Boeing), o preço de tabela é de US$ 65 milhões. Com o imposto sugerido aplicado o jato CS100 custaria US$ 76 milhões por unidade para a Delta.

A Boeing julgou esses preços como “excessivamente baixos para o setor”, e inclusive foi responsável pelos cálculos de produção apresentados no processo dos EUA contra a Bombardier na OMC (Organização Mundial do Comércio). 

A Bombardier disse, no entanto, que não pode fornecer custos de produção porque a aeronave “ainda não foi produzida”. Mas afirmou que os custos podem diminuir razoavelmente com o aumento da produção do CS100.

Ainda na linha do Governo Americano, o relatório entregue demonstra que a Bombardier se beneficiou com US $ 2,5 bilhões em injeção de capital através do governo de Ottawa, quase US $ 500 milhões de ajuda para realizar o lançamento do CSeries e pelo menos US $ 1,6 bilhão em outros subsídios. No mesmo período a Bombardier estava amagada em prejuízos financeiros, pela complexidade de desenvolver a família CSeries.

O projeto do CSeries era para custar apenas 1 bilhão de dólares americanos, isso para desenvolver e certificar o avião. Mas todo esse processo já acumulava o valor de 5 bilhões de dólares americanos no final de 2016.

De acordo com a Boeing, o CS300 concorre diretamente com aeronaves da linha 737, como o 737-700 e o 737 MAX 7, a capacidade de assentos dessas duas aeronaves é bem similar.

A Delta Airlines, cliente do CS100, reitera que continua confiando que a Comissão de Comércio eventualmente será a favor da Bombardier. A companhia aérea disse que a Boeing não sofre danos com os CS100, porque não produz algo com o mesmo tamanho.

“A Boeing não possui produtos fabricados na América, porque cancelou a produção de sua única aeronave nesta faixa de tamanho, o 717, há mais de 10 anos”, disse a Delta. A Delta receberá o primeiro CS100 em 2018.

“Este foi um resultado evitável dentro do controle da Bombardier. Essa decisão é uma consequência consciente da Bombardier de violar o direito comercial e simplesmente despejar suas aeronaves CSeries no mercado americano para garantir uma venda”, acrescenta Boeing. “Este dumping em nosso mercado doméstico não era uma situação que a Boeing poderia ignorar, e agora estamos simplesmente pedindo que as leis sejam aplicadas”.

A decisão final do Departamento de Comércio dos EUA será apresentada no dia 19 de dezembro. Caso a Comissão de Comércio defina novas leis a favor da petição apresentada pela Boeing, o resultado será aplicado a partir do dia 08 de fevereiro de 2018.

A decisão positiva a favor da Boeing, que vem sendo apresentada até o momento pelo Departamento de Comércio dos EUA, pode resultar no cancelamento das encomendas da Delta para as 75 aeronaves da linha CS100, mais as opções de compra.

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