Desde a década de 90 a Airbus faz estudos para ver se consegue operar o A320 com capacidade máxima de passageiros no Aeroporto Santos Dumont (SDU), no Rio de Janeiro, a primeira companhia interessada nessa possibilidade foi a VASP. Dos jatos grandes até então apenas os 737-300/500 faziam voos para SDU, mas o A320 oferecia uma capacidade ainda maior.

Nessa história toda quem saiu na frente foi a Boeing, que lançou em 2006 o pacote SFP (Short Field Performance) para operar o 737-800 em pistas de curta distância. Recentemente a Boeing fez uma atualização lançando o SFP 2.0, a GOL gostou das duas ideias, e desde então passou a utilizar o 737 NG na ponte aérea, mesmo com uma leve limitação padrão de performance, que penaliza algumas unidades de assentos.



A LATAM e Avianca comumente fazem a ponte aérea, a rota mais rentável do país, com o A319, e no caso da Avianca até o A318 já entrou na equação.

Mas agora o Airbus A320neo, especificamente o equipado com o pacote SHARP (que é análogo ao SFP), pode operar com baixa restrição na ponte aérea, decolando do Santos Dumont com 174 passageiros, no caso da Azul, e 165, no caso da Avianca. No Brasil apenas a Avianca e a Azul demonstraram interesse em operar com o pacote SHARP,  ambas as companhias usam o motor CFM Leap-1A e juntas têm mais de 120 encomendas para o A320neo.

O pacote SHARP oferece modificações no controle de software de voo, que foi alterado para entender as atualizações físicas, que abrangem os freios e as superfícies aerodinâmicas móveis. A Airbus também modificou um painel na raiz da asa feito de material composto com Kevlar, para um de Fairing Fillet Fairing, resultando em menor arrasto e melhor desempenho de pouso. Para aumentar o desempenho durante a decolagem a Airbus instalou geradores de vórtices na cauda da aeronave, que energizam a camada limite e diminuem a turbulência do ar, que resulta em arrasto.

Foto – Via Avianca

Agora será possível fazer um voo rentável com o Airbus A320neo a partir do Santos Dumont, que com sua pequena pista de 1300 metros, apresentava anteriormente uma limitação de segurança, que também resultava em uma limitação na quantidade de assentos ocupados durante um voo, e não compensa mesmo ser limitado a levar no máximo 100 passageiros, se o seu avião consegue decolar com 174.