Ao divulgar seus resultados operacionais do terceiro trimestre, incluindo um lucro de R$ 204 milhões, a Azul focou que está reformulando a sua frota para melhorar a eficiência operacional.

Muitos que trabalham com aviação sabem, o resultado de mais assentos e menor consumo de combustível resultam em uma aeronave muito eficiente, com baixo custo por assento ocupado. É exatamente essa fórmula que a Azul vem trabalhando para voos em locais com alta demanda, o Airbus A320neo é o centro de todo esse planejamento.

Mesmo com poucos A320neo na frota, comparando o tamanho total da companhia, a Azul já consegue enxergar o resultado do “enxugamento de aviões” realizado entre 2014 a 2016. A companhia praticamente padronizou suas operações com o Embraer E195, retirando da frota muitos aviões E190 (que foram para a TAP) e E175 (derivados da Trip).

Outros fatores como o crescimento da demanda de 2016 para 2017 ajudaram nesse fator. O E195 consome pouco a mais em comparação com o E190, mas leva 12 passageiros a mais, aumentando o lucro por voo, ainda mais com voos semi-lotados.

ATR 72-600 da Azul.

A Azul também padronizou sua frota de aviões do tipo turboélice, usando só o ATR 72-600, uma aeronave eficiente que diminuiu o consumo de combustível em relação ao ATR 72-200/500. 

No geral a Azul conseguiu obter um lucro operacional 50% maior, e ainda reduzir a sua dívida em 25%, logicamente ela diminuiu o custo por assento-quilômetro ofertado.

O A320neo entra na conta da companhia pois possibilitou realizar voos de alta demanda e longa distância, que anteriormente poderiam ser realizados com o E195 (alguns), mas o custo por assento-quilômetro ofertado era maior. Muitos voos tinham demanda para receber a maior oferta de assentos, de 118 para 174, e foi exatamente nisso que a Azul trabalhou, com base no menor consumo de combustível do A320neo, lembrando que a companhia nunca operou com a geração anterior, que tem uma relação de custo por assento-quilômetro ofertado menos vantajosa.

A expansão do A320neo agora está focada em voos internacionais, rotas onde a Azul não conseguia fazer anteriormente por uma limitação do E-Jet, como no voo de Belém para Miami (Ft. Lauderdale) que vai começar no mês que vem. Uma rota de alta demanda realizada com uma aeronave muito eficiente em consumo de combustível.

Foto – Gabriel Melo

“Vamos acrescentar sete novos A320neo entre dezembro e janeiro, e estamos treinando tripulantes para operá-los. Com isso, aumentamos a oferta em 56 assentos a um custo semelhante ao atual”, disse Neeleman durante a conferência, citando que o custo de fazer um voo com o A320neo é quase igual ao do E195, com a vantagem de levar mais passageiros. Dois deles chegaram nos últimos 30 dias na frota.

O custo por assento-quilômetro ofertado no A320neo é 29% menor em comparação com o E195.

O panorama do E195 mudará quando chegar a nova geração em 2019, a Azul será cliente de lançamento do avião, como forma de abraçar logo a novidade. No E195-E2, que também oferece uma maior capacidade de passageiros em comparação com a atual geração, o custo por assento-quilômetro ofertado é 24% menor que no E195. Com essa redução o avião da Embraer quase se iguala ao custo de transportar um passageiro no A320neo, é como se a Azul padronizasse a sua frota nesse sentido, mas o E2 é mais vantajoso em um voo com menor demanda.

O E195-E2 tem 132 assentos, usando a mesma configuração de espaço do E195, que tem 118 assentos. Assim a companhia conseguirá ter um aumento de 12% na oferta, enquanto o consumo de combustível diminui em pelo menos 15%, comparando com a geração atual.

Mesmo com aeronaves maiores a Azul não vê a ocupação diminuir, ao contrário, continuou com uma ótima margem, apresentando 83% de assento vendidos, nem a líder GOL atinge tal número no mercado nacional.

E195-E2 em uma projeção nas cores da Azul.

A Azul não abandonará os aviões da Embraer, ao contrário, usará o E195-E2 como uma boa vantagem, visto que ele consome menos, carrega mais passageiros e tem um custo menor de operação. São 30 encomendas com mais 20 opções de compra. A diretoria da companhia espera que em 2020 cerca de 47% da sua frota seja composta por aviões da família E2 e A320neo.

Com o A320neo a companhia também conseguiu mudar um panorama interno da sua própria frota, voos de alta demanda que antes eram realizados pelo E195, passaram a ser realizados com o A320neo, dessa forma uma boa parte dos aviões foram fazer novos voos, mais de 30 novas cidades foram atendidas pela Azul nos últimos 12 meses, incluindo os destinos internacionais.

Motor CFM Leap-1A do A320neo da Azul, responsável pela maior economia de combustível.

Sem diminuir a frota entre o final do ano passado e 2017, e incorporando mais aeronaves e mais voos, a Azul foi capaz de aumentar em 14,8% a receita bruta da companhia no terceiro trimestre desse ano, comparando com o mesmo período de 2016. Isso é reforçado por um certo “monopólio de mercado”, 40 cidades do Brasil só recebem voos da Azul, dos 97 destinos que a companhia opera.

Outro ponto reforçado pela Azul é a ampliação do programa de fidelidade Tudo Azul, que hoje representa 15% do faturamento da Azul, além da maior importância das receitas auxiliares, como os serviços oferecidos pela companhia para um voo. Por esse ponto a Azul continuará com 100% de propriedade do Tudo Azul, que hoje integra o Azul Holding, e opera “separado” da companhia aérea.

A330neo, encomendado recentemente pela Azul. Foto – Azul/Divulgação

O presidente do Conselho David Neeleman e o presidente John Rodgerson, estão trabalhando ativamente na companhia para torná-la ainda mais rentável e eficiente, abrindo novas rotas e expandindo o uso de aviões que gastam menos combustível, como o A320neo, A330neo e o E195-E2.

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