Um clássico Boeing 737-200 que já voou pela Lufthansa e pela companhia aérea brasileira TAF, foi transportado de Fortaleza (CE) para Friedrichshafen, na Alemanha, entre a noite desta última quinta-feira (21/09) e ontem (22/09). Para fazer essa complicada operação duas aeronaves cargueiras de grande porte pousaram na capital cearense, o Antonov An-124-100 e o Ilyushin IL-76.

Anteriormente a aeronave foi desmontada por uma equipe da Lufthansa Technik, envolvendo 15 mecânicos, a fuselagem foi colocada inteira dentro do cargueiro da Volga Dnepr, o Antonov, dois guindastes auxiliaram essa operação, junto com um sistema de trilhos disponíveis para uso conjuntamente com a porta dianteira da aeronave.

Os estabilizadores horizontais e algumas partes da aeronave, como os motores, foram transportados pelo IL-76TD, que também é da Volga Dnepr. Esse avião foi o primeiro que deixou Fortaleza rumo à Alemanha, ele chegou na manhã da última quinta-feira e deixou a cidade no mesmo dia, já perto das 22h.

O Antonov, de matricula RA-82045, chegou em Fortaleza na madrugada de ontem (22/09) e já foi direto carregar a fuselagem, as asas e o leme. A aeronave deixou a capital cearense na tarde de ontem, rumo à Friedrichshafen.

 

Porque essa aeronave é especial para a Alemanha?

Esse Boeing 737-200 ficou conhecido por lá como o avião do sequestro do Outono Alemão, isso ocorreu há quase 40 anos. A aeronave decolou de Palma de Mallorca, na Espanha, para fazer um voo que deveria chegar em Frankfurt, naquela época a Lufthansa que operava com a aeronave.

Veja bem, era para o avião chegar em Frankfurt, mas 30 minutos depois da decolagem quatro “terroristas” renderam a tripulação e iniciaram o sequestro da aeronave – vale lembrar que naquela época não havia detector de metais nos aeroportos e nem porta blindada na cabine de comando. O voo estava em espaço aéreo francês com 90 passageiros, menos, 86, descontando os terroristas de extrema esquerda.

Ao todo o sequestro durou 106 horas, a aeronave parou para reabastecer em Roma, Larnaca, Bahrein, Dubai e Áden, mas acabou indo para Mogadíscio, na Somália, onde o sequestro terminou. Foram três dias fazendo essa rota, com a mesma tripulação pilotando, menos o comandante que infelizmente foi assassinado.

Os terroristas pediam como troca para a liberação da aeronave e dos 86 passageiros a libertação de integrantes da Fração do Exército Vermelho (RAF), que estavam naquela ocasião presos na Alemanha. Claramente o governo alemão não aceitou, para demonstrar poder os quatro homens começaram a voar com a aeronave até chegar na Somália.

Já em Mogadíscio uma equipe especial da Polícia da Alemanha conseguiu render os terroristas e libertar os reféns, junto com a aeronave.

 

Acordo

Depois de voar pela Lufthansa, na Alemanha, esse avião foi operado por mais algumas companhias aéreas, incluindo a TAF, uma companhia cargueira do Brasil.

O avião foi obtido de volta através de um acordo entre a TAF Linhas Aéreas, a Justiça Federal do Ceará e a Infraero com o Governo Alemão, o 737-200 estava há 9 anos na mesma posição, sem funcionar durante todos esses anos, e também sem cuidados básicos de conservação, isso justifica o aspecto ruim da fuselagem. 

Mesmo assim a Lufthansa conseguiu recuperar um grupo de assentos da época e os motores da aeronave, o interior permanece o mesmo, embora tenha operado como cargueiro.

Depois de restaurar completamente o Boeing 737, ele ficará em exposição no Museu Aeroespacial Dornier, perto da fronteira entre a Alemanha com a Áustria e a Suíça. No museu representará o auge entre o conflito do Estado alemão com o terrorismo de extrema esquerda do país.

 

As fotos são da Salcologistics, a empresa responsável pela parte de transporte do avião até a Alemanha.

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