Nesta semana a Boeing anunciou a compra da Aurora Flight Sciences Corporation, uma empresa que já era parceira há muitos anos da fabricante americana e que tem foco no desenvolvimento de tecnologias para o futuro, como sistemas autônomos e propulsão elétrica.

A Aurora Flight Sciences foi fundada em 1989 pelo cientista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, John Langford, um ano depois que ele inventou uma aeronave propulsionada através de força humana. Desde então a Aurora projetou e produziu mais de 30 veículos aéreos não tripulados, no campo da aviação a empresa é líder em propulsão elétrica para aeronaves.

A Aurora também já ajudou a Boeing no desenvolvimento de protótipos de aeronaves com novos conceitos no campo de aviação comercial e militar. Atualmente o conceito mais conhecido da empresa é o pequeno avião VTOL LightningStrike XV-24A, que é capaz de decolar e pousar na vertical e se movimentar através de asas.

Com sede em Manassas, na Virgínia, a Aurora tem mais de 550 funcionários e opera em seis estados nos EUA, incluindo um centro de pesquisa e desenvolvimento localizado perto do MIT (Massachusetts) , instalações de fabricação em Bridgeport, na Virgínia Ocidental e Columbus, no Mississippi, com escritórios em Dayton (Ohio), Mountain View (Califórnia, perto da sede da Google) e Luzern, na Suíça.

“A força e a inovação combinadas de nossas equipes promoverão o desenvolvimento de voos autônomos para o setores comercial e militar”, disse Greg Hyslop, diretor de tecnologia e vice-presidente sênior da Boeing Engineering, Test & Technology. “Juntos, essas equipes talentosas vão abrir novos mercados com tecnologias focadas em transformação”.

A aquisição permitirá que a Boeing desenvolva novos conceitos de aviões capazes de pousar e decolar na vertical (VTOL), além de projetos com propulsão totalmente elétrica.

Elon Musk já tinha reforçado esse conceito antes, o empresário, que é dono da Tesla e SpaceX, disse que está interessado em desenvolver um conceito alinhado com esse pensamento, acreditando que o futuro do transporte terrestre será através dos voos.

Não podemos negar a afirmativa de Elon Musk, as empresas do ramo automotivo ficaram surpreendidas com a capacidade da Tesla de produzir um bom carro elétrico, pena que a linha de fabricação da Tesla ainda é pequena, e não consegue se sobrepor as grandes fabricantes, mas até a concorrência desenvolver bem seus conceitos, a Tesla já conseguirá fabricar de igual para igual com essas outras empresas.

Para a sorte da Boeing o sr. Elon Musk parece estar mais interessado no momento no seu conceito de voos hipersônicos com o BFR, ou em tomar o mercado da ULA de voos espaciais, aliás, até os contratos governamentais o Elon Musk tomou da Boeing, no setor espacial. Mas também em transportar as pessoas através do conceito Hyperloop, que já ganhou atenção mundial.

 

Airbus

Essa manobra da Boeing também é uma resposta para a Airbus, esta última já domina as tecnologias de propulsão elétrica e está se aliando com importantes empresas do automotivo e aeronáutico para desenvolver um protótipo voador para uso urbano. Recentemente a Airbus lançou uma parceria com a HAX, uma empresa com base em Shenzhen capaz de juntar ideias de empresas start-ups para desenvolver novas ideias.

Para esse mesmo projeto, a fabricante europeia concluiu nos últimos dias os testes no sistema de propulsão do novo carro-voador para uso urbano. Esse projeto apoiado pela Airbus Helicopters também dará origem a outro projeto de carro voador, mas este com rodas e “asas”, capaz de rodar em qualquer condição em um perímetro urbano (veja mais clicando aqui).

Outro conceito da Airbus desenvolvido em parceria com a Italdesign. Foto – Airbus

O CityAirbus é um veículo com capacidade de decolar e pousar verticalmente, como um helicóptero. Os motores do CityAirbus são totalmente elétricos e funcionam através de baterias, a capacidade é para transportar até 4 passageiros com possibilidade de atingir 120km/h durante o voo. Para facilitar a certificação inicialmente o novo conceito da Airbus precisará de um curso de pilotagem, mas a fabricante afirma que o veículo terá capacidade autônoma no futuro.

O intuito da Airbus é que esse novo conceito seja capaz de aliviar o trânsito em cidades congestionadas e com muitos helipontos, como São Paulo e Nova York. O foco será na ligação de pontos importantes de uma cidade, como do Aeroporto para o Centro. A certificação está prevista para 2023.

Fora desses conceitos urbanos, a Airbus já testou o E-Fan, um pequeno avião com propulsão totalmente elétrica e que pesa menos de 450 kg, a fabricante europeia disse que também planeja desenvolver nos próximos anos um conceito para a aviação regional, com até 100 assentos, com propulsão híbrida. Com a Aurora a Boeing é capaz de manter sua concorrência alinhada com a Airbus.

O movimento da Boeing poderia ajudar a Zunum Aero, uma empresa de Seattle que pretende fabricar um avião regional com propulsão híbrida-elétrica até 2022. A Boeing e a JetBlue Airways fizeram investimentos de capital de risco na Zunum, apostando na nova ideia.

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