A Boeing tem várias fornecedoras para abastecer a linha de produção das suas aeronaves, isso garante que o trabalho da Boeing seja somente o de projetar e montar o avião, e simplifica muito a logística da empresa. Porém nos últimos dias a Boeing declarou que não está nada satisfeita com o custo gerado por terceirizar todo esse serviço, e claro que o passo para se livrar disso é produzir tudo “em casa”.

O fornecimento antes era realizado pela Rockweel Collins, que é uma parceira de longa data da Boeing no ramo de eletrônica para aviação. A Honeywell, United Technologies e a General Electric foram grandes responsáveis pela tecnologia de aviônicos da Boeing nos últimos anos, incluindo os avançados sistemas do Boeing 737 MAX.

Já a Rockweel contribuiu muito para os aviônicos modernos do Boeing 787, com enormes telas e um software avançado de voo, algo que ditou o mercado para outras aeronaves que foram projetadas em sequência, como o Airbus A350.

Foto – Rockwell Collins/Reprodução

Inclusive foi nessa aeronave que a Boeing aprendeu a importância de projetar seus próprios aviônicos, atrasos dos fornecedores resultaram no atraso do primeiro voo do 787-8, que não tinha um software pronto nem para iniciar os testes em solo. Foram bilhões de dólares gastos para solucionar problemas de projeto.

Ao mesmo tempo a Boeing investirá na produção própria de componentes, ao invés de terceirizar serviços simples na área de fabricação, essa é uma nova estratégia da empresa, visando economizar dinheiro ao fabricar seus próprios componentes, diminuindo problemas de logística e comunicação. Outra empresa que recentemente investiu nesse método é a SpaceX, que preferiu fabricar seus próprios componentes do foguete Falcon 9, para baratear o custo total e diminuir o preço de lançamento do mesmo.

Cockpit do 737 MAX 8. Foto – Boeing/Leo Dejillas

Para isso a Boeing precisará adicionar 500 novos postos de trabalho até 2019, empregando mais de 600 pessoas na divisão de aviônicos da empresa, atualmente só 120 funcionários trabalham nessa área. Serão 50 bilhões de dólares investidos nessa área em uma década, tudo para conseguir fabricar seus próprios componentes, incluindo também os aviônicos.

Os atuais aviões continuarão com a tecnologia terceirizada, visto que é impossível mudar todo o modo de operação deles, porém os próximos projetos da Boeing já contarão com o novo sistema desenvolvido internamente, apesar que a Boeing não afirmou se o conceito apresentado pela empresa em junho terá aviônicos próprios.

Recentemente a Boeing assinou um contrato de longa duração com a Spirit, uma empresa responsável pela produção de estrutura para as aeronaves da Boeing, em uma parceria que já dura muitos anos.

Para enxugar os custos a Boeing também já demitiu mais de 15 mil funcionários em dois anos, e está trabalhando para tentar diminuir os prejuízos, aumentar seu alcance no mercado e diminuir o preço das suas aeronaves, em comparação com a Airbus.

 

Via – CNN

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