Em fevereiro deste ano, durante o evento de roll-out do Boeing 787-10, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que estava feliz com a unidade de montagem final da Boeing em North Charleston, Carolina do Sul. 

Durante seu pronunciamento oficial na apresentação do 787-10 Donald Trump disse, “Este é o nosso mantra. Compre o que é americano e empregue os americanos. Fiz campanha para que os empregos voltem para os EUA. Eu não quero que as empresas deixem os EUA, não paguem impostos ou demitam americanos.”

“O trabalho é uma das principais razões pelas quais estou aqui hoje, porque eu sou o presidente e nunca decepcionarei vocês”, disse ele à multidão em North Charleston naquele dia. “Acredite, não vou decepcionar vocês”, completou Trump. 

Mas demitir alguns funcionários em 2017 é uma estratégia da Boeing, já pré-anunciada quando a empresa apresentou seus resultados de 2016 em janeiro deste ano. E na última semana a Boeing anunciou para a CNNMoney que estaria demitindo 200 trabalhadores da fábrica de North Charleston, que realiza a montagem final da família 787, uma aeronave de sucesso da Boeing e que utiliza a capacidade máxima de produção, de 12 aviões por mês.

Mesmo depois de fazer um acordo com Trump e o vice-presidente Mike Pence para manter os trabalhadores no estado de Indiana, a Boeing realizou demissões na sua planta de fabricação. 

Em março um sindicato de Seattle informou sobre a demissão de 1800 funcionários nas fábricas da Boeing, sendo que os trabalhadores assinaram o termo em janeiro. Outra demissão de 1500 funcionários seria realizada em junho, desta vez afetando a unidade da Boeing em North Charleston, como citado acima.

Em 2016 a Boeing demitiu 1332 trabalhadores, com base no centro de manufatura da empresa em Seattle. O número total de funcionários da empresa foi reduzido em 7,6% desde março de 2016. Atualmente a Boeing tem 70,6 mil funcionários trabalhando em Everett, Seattle e Renton, com um total de 146,9 mil funcionários em todas as suas unidades no mundo. A situação é preocupante para Trump, só nos últimos 12 meses a Boeing já demitiu mais de 13 mil trabalhadores.

Linha de fabricação da Boeing em North Charleston. Foto – Boeing/Reprodução

Na planta de North Charleston a Boeing constrói todas as variantes do 787, além de seções da fuselagem e itens estruturais. A decisão de construir o 787-10 exclusivamente na Carolina do Sul é por conta da logística de produção da aeronave, a fuselagem central do 787-10 é o resultado de um alongamento da fuselagem original do 787 e, portanto, é inviável para transportar pelos meios comuns, como ferrovias, rodovias e até mesmo no Dreamlifter.

A Boeing também produz as versões 787-8 e 787-9 em Everett, no estado de Washington.

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