A Boeing revelou que seus planos para um possível 737 MAX 10, uma versão com maior alcance e capacidade da linha MAX, pode incluir usar o motor LEAP-1A, que equipa o A321neo da Airbus. O grande motivo para realizar essa troca de motores seria a maior capacidade de propulsão do Leap-1A, que oferece 32160 lbf, enquanto a versão com maior propulsão do LEAP-1B oferece somente 28000 lbf.

A CFM afirma que essa diferença de propulsão é originada de projetos diferentes, enquanto o motor do 737 MAX tem um fan frontal menor, o Airbus A320neo conta com um fan de maior diâmetro. Outros estágios internos mantém essa concepção diferente, para adequar o motor ao uso na aeronave a qual é destinada.

Com esse incremento de potência a Boeing teria a possibilidade de adicionar mais 2 fileiras de assentos no 737 MAX 9, subindo a sua capacidade para 185 passageiros em duas classes (executiva e econômica). Além de aumentar o alcance da aeronave através do uso mais tanques de combustível.

A320neo equipado com motor Leap-1A.
A320neo equipado com motor CFM LEAP-1A.

A indústria aeronáutica avalia o 737 MAX como uma evolução para dores de cabeça significativas. A afirmação se baseia no maior diâmetro do motor LEAP-1A, que iria fazer necessário o aumento da altura do trem de pouso, e logo um reprojeto de toda a parte estrutural da aeronave, além da re-certificação de um novo modelo, que alongaria o tempo de testes do programa 737 MAX. Tal investimento em um novo projeto é avaliado por especialistas na ordem de 1 a 2 bilhões de dólares.

A fabricante dos motores LEAP, a CFM, composta pela GE e Safran, se recusou a comentar. Um porta-voz da GE disse que não havia nenhum impedimento contratual da Boeing utilizar um motor maior que só equipa aeronaves da Airbus. “O motor LEAP foi projetado para ter capacidade de crescimento”, disse ele.

Enquanto a família 737 MAX 8 caminha para um relativo sucesso, afirmado pela encomenda da VietJet no valor de US$ 11 bilhões, a Boeing estaria na tentativa de reafirmar uma versão de longa distância e longa capacidade da aeronave. O novo Airbus A321neo está conquistando boa parte das encomendas nessa faixa de capacidade, principalmente devido ao envelhecimento da frota de Boeing 757 e 767-200 das companhias aéreas, e também devido a grande capacidade de passageiros da aeronave, que é de no máximo 240 em classe econômica, aliado a economia de combustível proporcionada pela nova geração de motores.

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737 MAX 8 com motor LEAP-1B após Roll Out. Foto – Boeing Media

Apesar da grande encomenda de Boeing 737 MAX, em novembro passado, na Dubai Airshow, a Airbus comemorou a venda de 30 unidades do A321 para VietJet, enquanto os funcionários da Boeing acompanharam a cerimônia. A espectativa de ambas as companhias para aeronaves narrow-body é positiva, jatos de médio curso, como 737 MAX e A320 devem dominar o mercado em volume, de acordo com previsões da Airbus seria possível entregar até 22900 aeronaves desse tipo nos próximos 20 anos, em um valor total de US$ 2,2 trilhões.

 

A Boeing não quis comentar quais os planos táticos para defender a posição do 737 MAX 9 ou divulgar os estudos de mercado a médio e longo prazo. “Estamos em discussões contínuas com nossos clientes sobre o mercado. Nós vamos tomar as decisões certas no momento certo”, disse um porta-voz da Boeing.

Enquanto isso a Airbus afirma que é possível fabricar um A321neo com um novo conjunto de asas, que aumentaria o desempenho da aeronave, tanto na característica de consumo como para oferecer maior sustentação em baixa velocidade.

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