O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) realizou nesta terça-feira (29/11) o lançamento do 31º Foguete de Treinamento. A atividade prevista no cronograma da Operação Rio Verde tem por objetivo testar todos os meios e preparar as equipes envolvidas na campanha de lançamento, iniciada no último dia 20 de novembro em Alcântara, no Maranhão.

O lançamento da tarde desta terça-feira ocorreu com sucesso às 14h02seg, horário local, com duração total de voo de 2min43seg seguindo os parâmetros de trajetória previstos até a queda no oceano Atlântico, em sua área de impacto, a uma distância de 15 quilômetros do local de lançamento. O foguete atingiu uma altitude máxima (apogeu) de 31,4 km.

Foto - Força Aérea Brasileira/Divulgação
Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

“O veículo lançado nesta terça-feira apresentou um excelente desempenho, seguindo conforme o perfil de trajetória previsto. A atividade foi de suma importância para treinarmos procedimentos e testar todos os equipamentos associados às operações, e que serão empregados no lançamento do foguete VSB-30 com a carga-útil MICROG2 a partir da próxima semana”, ressaltou o diretor do Centro de Lançamento, Cláudio Olany Alencar de Oliveira.

O segundo lançamento dessa Operação levará ao espaço, por meio do veículo suborbital VSB-30 V11, oito experimentos de pesquisas da comunidade técnico-científica do país a bordo da carga-útil MICROG2, de forma a permitir a realização de ensaios em ambiente de microgravidade, o rastreio e o resgate no mar, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), utilizando o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN) como Estação Remota.

Foto - Força Aérea Brasileira/Divulgação
Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

“O lançamento do VSB-30 V11 com os experimentos embarcados na carga-útil MICROG-2 constitui uma excelente oportunidade das instituições de ensino e pesquisa nacionais obterem acesso facilitado ao espaço, que apresenta um baixo custo se comparado, por exemplo, a estudos sob essas mesmas condições realizados na International Space Station (ISS). Nessa região, conhecida como Low Earth Orbit (LEO), ocorrem fenômenos que são de difícil reprodução no nosso meio, o que ressalta a importância desse tipo de atividade para desenvolvimento científico e tecnológico do país”, disse o Coordenador-Geral da Operação Rio Verde, Coronel Avandelino Santana Junior.

Também são objetivos importantes da Operação Rio Verde dar prosseguimento ao Programa Nacional de Atividades Espacial (PNAE), em coordenação com AEB; apoiar o Programa Microgravidade da AEB, permitindo que organizações de ensino, pesquisa e desenvolvimento realizem experimentos científicos e tecnológicos através de voos suborbitais; manter a operacionalidade do CLA, proporcionando treinamento às diversas equipes envolvidas; testar novos sistemas do CLA para inclusão operacional em lançamentos futuros; manter a operacionalidade do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) como estação remota de rastreio; e incrementar a parceria com o Centro Espacial Alemão (DLR) relacionada ao lançamento de veículos suborbirtais e de realização de experimentos em ambiente de microgravidade.

Foto - Força Aérea Brasileira/Divulgação
Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

 

Saiba mais sobre cada um dos experimentos e as instituições desenvolvedoras: 

1 – MPM-A: Novas tecnologias de meios porosos para dispositivos com mudança de fase, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os minitubos de calor fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos podem ser utilizados para o controle térmico tanto de equipamentos eletrônicos no espaço como em terra;

2 – MPM-B: Tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100;

3 – VGP2: Os efeitos da microgravidade real no sistema vegetal cana de açúcar, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se de um experimento biológico que tem por objetivo avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana de açúcar;

4 – E-MEMS: Sistema para determinação de atitude de veículos espaciais, desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo deste experimento é fazer uso de sensores comerciais para determinação de atitude de sistemas espaciais;

5 – SLEM: Solidificação de ligas eutéticas em microgravidade, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir (300°C) amostras de 3 materiais distintos. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas;

6 – GPS: Modelos de Global Positioning System – GPS (Sistema de Posicionamento Global) para aplicações em veículos espaciais de alta dinâmica, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Esse equipamento fornece a latitude, longitude e altitude da carga-útil durante todas as fases do voo do foguete;

7 –SMA: Sensor Mecânico Acelerométrico, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Servirá para ativação de linhas de ignição, após submetida a uma aceleração entre 4 e 6 vezes a aceleração da gravidade. Com esse dispositivo, ainda em fase de qualificação, objetiva-se elevar a segurança do veículo, evitando-se, por exemplo, que sistemas pirotécnicos sejam acionados intempestivamente.

8 – CCA: Circuito de Comutação e Atuação, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Modelo de desenvolvimento do sequenciador de eventos pirotécnicos e comutação de energia funcional.

 

Via – AEB e FAB

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