A Embraer e a Widerøe, maior companhia aérea regional da Escandinávia, celebraram hoje (04/04) a entrega da primeira aeronave E190-E2 em uma cerimônia realizada na sede da Embraer, em São José dos Campos.

A cerimônia durou de entrega durou cerca de 1h30m. Estavam presentes vários jornalistas, funcionários da Embraer e o presidente/CEO John Slattery, diretores da fabricante e também da companhia aérea.

John Slattery, Presidente e CEO da Embraer

O E190-E2 da Widerøe está configurado com 114 assentos em classe totalmente econômica, quase no limite do modelo, que é de 118 assentos. A companhia assinou para até 15 jatos da família E2. O contrato consiste em três pedidos firmes para o E190-E2 e direito de compra para outras 12 aeronaves da família E2.

A Widerøe, através da tradicional Finnair, anunciou que planeja abrir novas rotas entre Helsinki, seu principal hub, até as cidades Bergen e Tromsø, ambas na Noruega, e esses voos deverão começar em maio de 2018 e serão realizados em parceria com a Finnair.

“Estamos entusiasmados em oferecer novos voos diretos para Bergen e Tromsø”, disse Juha Jarvinen, Diretor Comercial da Finnair. O primeiro voo da companhia com a aeronave ocorrerá no dia 11 de abril, somente para convidados e imprensa. No dia 24 ela iniciará os voos comerciais com essa aeronave.

“O E190-E2 é uma aeronave impressionante. É o avião ideal para a Widerøe, que está introduzindo jatos pela primeira vez nos 84 anos de história da empresa”, disse Stein Nilsen, CEO da Widerøe. “Estou convencido de que nossos passageiros vão adorar a cabine, nossas equipes de operações vão adotar a nova tecnologia, enquanto nosso time financeiro apreciará a economia que a aeronave traz. Acredito que todos vão celebrar conosco, como o cliente de lançamento, o fato de sermos a primeira companhia aérea a voar com o avião mais ecologicamente amigável, com o menor ruído e emissões entre as aeronaves da sua categoria.”

A primeira entrega ocorreu cerca de 1 mês depois da certificação de tipo obtida pelo E190-E2, pela FAA, EASA e ANAC.

“Este é um dia histórico para o programa de E-Jets e para a Embraer. A entrega deste E2 marca a continuação de uma verdadeira história de sucesso na aviação global. Estou honrado pelo fato de a Widerøe – uma companhia aérea tão respeitada e experiente – ser nossa operadora de lançamento”, disse John Slattery, Presidente & CEO da Embraer Aviação Comercial. “Também tenho o prazer de dar as boas-vindas à Widerøe como nosso novo cliente da Embraer e quero agradecer ao Stein e sua equipe pelo apoio prestado no último ano, trabalhando em conjunto conosco como parceiros para entregar hoje este avião. Planejo estar na aeronave quando entrar no espaço aéreo norueguês na próxima semana e estou realmente ansioso por isso!”

O E190-E2 apresenta novos motores com elevada taxa de derivação (by-pass) e asas e trem de pouso completamente novos. Comparado à primeira geração do E190, 75% dos sistemas da aeronave são novos. Em termos de consumo de combustível, o E190-E2 provou ser 1,3% melhor do que originalmente esperado, o que representa uma melhoria de 17,3% em relação ao E190 de geração atual.

 Um E190-E2 custa por volta de US$ 55 milhões, no preço de tabela da Embraer.

 

E190-E2

Melhorias do projeto além do esperado

A Embraer se deparou com uma boa notícia durante o período de desenvolvimento do E190-E2. Os engenheiros viram que a queima de combustível é 17,3% menor do que para a primeira geração E190, em comparação com a melhoria de 16% prevista no início do desenvolvimento.

Por causa disso a Embraer anunciou durante o Paris Airshow de 2017 que o E190-E2 tinha um alcance maior do que o esperado durante a fase de desenvolvimento da aeronave.

Entre várias informações sobre programa desenvolvimento da aeronave, a Embraer relatou que o desempenho nos testes demonstrou um aumento de autonomia da aeronave, principalmente em cidades de clima quente, como Denver, nessa condição o E190 E2 teve sua autonomia aumentada de 3942 km para mais de 4250 km.

Em condições de clima frio e úmido, como em Londres, o E190 E2 ganhou mais 160 km de autonomia, passando de 3942 km para 4100 km. O intervalo médio denominado pela Embraer foi aumentado de 3942 km para quase 4200 km.

O alcance da aeronave a partir de aeroportos com altas temperaturas e grande altitudes (Hot and High, no termo em inglês), como Denver e Cidade do México, aumenta 600 milhas náuticas em comparação com aeronaves de geração atual. Já o alcance a partir de aeroportos com pistas curtas, como London City, na Inglaterra, também aumenta em mais de 1.000 milhas náuticas, permitindo que a aeronave alcance destinos como Moscou, na Rússia, e no norte da África sem paradas.

Parte dessa alteração foi devido ao motor PW1900G, que demonstrou um desempenho maior em comparação com o valor declarado pela fabricante. O desempenho aerodinâmico não ficou atrás, e apresentou melhoria em comparação com os dados aferidos pelos engenheiros em CFD e túnel de vento.

Além disso a Embraer conseguiu encaixar o avião na margem de ruído “Stage 4” da FAA, apresentando um avião cerca de 20 dB menos ruidoso em comparação com a primeira versão do E-Jet. Esse valor foi 3 dB abaixo do esperado pelos engenheiros. Outro ponto positivo.

 

Redução também no custo ao longo da operação

Manutenção:

Com 75% do projeto renovado, comparando com o E190 de Primeira Geração, a Embraer também está satisfeita com o aumento no período de manutenção da aeronave, e a diminuição do período de treinamento.

O E190-E2 vai passar por uma inspeção básica (Check-A) a cada 1000 horas de voo, o previsto anteriormente no projeto era de 850 horas. A manutenção do tipo intermediária (Check-C) será realizada a cada 10000 horas, ao contrário das 8500 horas previstas anteriormente.

Com mais horas voando, a companhia ganha na disponibilidade da aeronave e deixa de perder dinheiro, visto que o avião estará voando por mais tempo na frota e a manutenção será mais “espaçada”. É como se a montadora de carros exigisse que você trocasse o óleo a cada 10000 km, ao invés de 7500 km, ao longo da vida do carro isso representa uma economia para o usuário final.

 

Treinamento:

A Embraer tem um amplo mercado regional, com mais de 1400 aeronaves da família E-Jet E1 em operação, é importante para a empresa fidelizar esses clientes, e nada melhor para fazer isso do que reduzir os custos.

Para isso a Embraer reduziu o período de treinamento necessário para a transição do E190 para o E190-E2, e isso é fácil de entender. Sempre que um piloto vai pilotar um novo avião a jato de passageiros, ele precisa passar por vários treinamentos para receber uma carteira de tipo, assim ele pode pilotar X modelo de avião.

E foi assim que a Embraer aumentou a disponibilidade dos pilotos para a companhia e diminuiu os custos. Ela reduziu o tempo de treinamento de transição de 2 dias e meio para somente 12 horas. Mesmo com o full fly-by-wire e um cockpit diferente, a Embraer conseguiu tal feito.

 

Estudos

Antes de projetar o E2 a Embraer estudou mais de 2000 perfis de asa, além de outros agregados, como os pylons dos motores, que afetam a aerodinâmica.

Depois de uma dura simulação em CFD (simulação de fluídos em computador) os engenheiros selecionaram três e foram para o túnel de vento, nesse último teste só um tipo de asa foi escolhido.

“O pylon do motor, por exemplo, é uma área onde realmente otimizamos o design”, disse Fernando Antônio Oliveira. “Concebemos um pylon muito aerodinâmico e curto, o que significa que não precisávamos de um flap complexo, que também beneficiou o desempenho da aeronave”.

Apesar dos estudos Rodrigo Silva e Souza, vice-presidente de marketing da Embraer Commercial Aviation, disse que o desenvolvimento da aeronave foi quase sem problemas. A Embraer precisou mudar poucas coisas no projeto, para obter o desempenho que os engenheiros estimaram anteriormente.

“Tivemos que alterar ligeiramente a posição dos flaps e a forma como ele era acionado para melhorar o desempenho. Por isso, tínhamos um monte de ajustes que exigiam que as mudanças fossem implementadas, embora todos estes fossem realizados dentro do ciclo de desenvolvimento normal do avião”, disse Rodrigo Silva e Souza.

 

Divisão do processo de certificação

Foto – Embraer/Via Facebook

O primeiro protótipo da aeronave E190-E2, de numeração 20001, está atualmente conduzindo testes em sistemas, cargas, aero-elasticidade, ruídos externos e manipulação de comandos em ventos cruzados. Ele voou pela primeira vez no dia 23 de maio de 2016, e fez a sua estreia internacional no Farnborough Airshow, em Londres, em meados de julho.

O segundo protótipo E190-E2, de numeração 20002, fez seu voo inaugural no dia 8 de julho de 2016, e está sendo utilizado para testar sistemas e o desempenho geral da aeronave.

O protótipo de numeração 20003 está sendo usado principalmente para testar as qualidades de voo e avaliar como a aeronave se comporta em condições de gelo.

O quarto protótipo, de numeração 20004, começou a voar somente no início de 2017. Ele conta com uma configuração de produção, com interior full-cabine (com todos os assentos e acabamento final) e irá medir os níveis de conforto e de ruído interno, ele também será utilizado para testes específicos, tais como evacuação da cabine em procedimento de emergência.

Além da campanha de ensaios em voo, o programa de certificação do E190-E2 acumulou quase 21000 horas de testes em solo, e muitas horas de simulações na aeronave virtual.

 

Pela primeira vez produção híbrida

O E-Jet está mudando aos poucos de geração, na mesma medida que os clientes deixam de encomendar novas aeronaves para aguardar o avião mais eficiente, como dito de nova geração.

E para fabricar os protótipos do E2 a Embraer utilizou um hangar específico para isso, já que essa produção é lenta e depende de uma série de fornecedores que ainda estão se adaptando ao novo jato. Foram 2 anos nesse local, somente fabricando protótipos, de lá saíram os primeiros E190 E2 e o E195 E2, mas em algum momento a Embraer precisaria iniciar a produção em série, e este momento chegou.

Foto – Embraer/Reprodução

Pela comunalidade entre as aeronaves (em relação a tamanho), a Embraer vai reaproveitar a atual linha de montagem do E-Jet para manusear também a nova geração, ao invés de construir um local totalmente novo para fazer a montagem final, com algumas adaptações isso é possível. Claro, por não precisar construir um novo local a Embraer economizará dinheiro com essa decisão.

A introdução do E-Jet E2 no sistema de produção concluirá um plano que a empresa começou a montar em 2011. Depois de considerar múltiplas opções, a Embraer decidiu incorporar a família E2 no sistema de produção existente usando uma linha de montagem híbrida (veja mais sobre isso Clicando Aqui). Essa estratégia minimiza as despesas de capital necessárias para levar o E-Jet E2 ao mercado e alavanca um sistema de produção bem compreendido, mas adiciona novas camadas de complexidade ao fluxo de trabalho normal.

Durante um período de mais de dois anos a Embraer entrará na fase do sistema de produção híbrida, que quando totalmente implementado, permitirá que a empresa construa qualquer modelo específico em qualquer sequência. Assim, um E190 E2 pode ser colocado em uma posição na linha de montagem final, seguido por um E175 da primeira geração e seguido por um E195 E2, apesar de grandes diferenças entre os processos de trabalho para cada tipo aeronave, a asa do E2, por exemplo, é montada usando um processo automatizado.

No final do próximo ano, o mesmo sistema de produção deverá ser capaz de construir cinco modelos diferentes de duas famílias de aeronaves muito diferentes, incluindo o E175, E190 e E195 de primeira geração, bem como o E190 E2 e o E195 E2. Em 2021, a Embraer planeja também introduzir o E175 E2 na montagem final, mas, em seguida, as entregas da família E-Jet E1 diminuirão para um nível muito baixo, como dito acima, as companhias preferem o jato de nova geração.

 

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