Nesta semana o presidente-executivo da Delta Airlines, Ed Bastian, anunciou que a diretoria da companhia confia que não precisará pagar um imposto de 300% por cada avião CS100 comprado da Bombardier, mesmo com as constantes investidas do Departamento do Comércio dos EUA para aplicar o imposto a partir do início de 2018.

“Vamos receber os aviões, pode haver uma demora … mas não esperamos pagar mais impostos”, disse ele durante um reunião de resultados do terceiro trimestre.

Bastian também ressaltou que a Delta tem “vários outros planos e alternativas”, caso o governo dos EUA realmente decida taxar em 300% os aviões da Bombardier.

Mas mesmo com essa troca de acusações dos EUA, a Delta mantém sua opinião de que a Boeing não fabrica nenhum avião do tamanho do CS100 desde o 717, que deixou de ser produzido em 2006, a companhia americana até mesmo comprou um grande lote de aviões 717 usados recentemente, para substituir suas aeronaves da linha MD80.

Apesar disso a Boeing afirma que o CS300 atinge diretamente a viabilidade dos aviões 737-700 e 737 MAX 7. No final a empresa mais afetada com essa confusão toda é a Embraer, que concorre diretamente com a Bombardier e está até mesmo apoiando um processo do Governo Brasileiro na OMC (Organização Mundial do Comércio), sobre os subsídios bilionários que a empresa recebeu do governo canadense, esse mesmo processo é movido pelos EUA na OMC com apoio da Boeing.

A Delta planeja configurar seus aviões CS100 com 110 assentos, através de duas classes de passageiros, o mesmo número que está presente em seus 717-200. Na mesma configuração o 737-700 possui 124 assentos.

O Departamento de Comércio disse que planeja tomar uma decisão final até 19 de dezembro, com aplicação já em fevereiro de 2018, mesmo período em que a Delta deverá receber o primeiro CS100.

 

Os subsídios

De acordo com as alegações apresentadas pelos Estados Unidos, a Delta teria encomendado cada aeronave por 20 milhões de dólares, enquanto o custo de produção do CS100 gira entorno de 33 milhões de dólares (valor estimado pela Boeing), o preço de tabela é de US$ 65 milhões. Com o imposto sugerido aplicado o jato CS100 custaria US$ 76 milhões por unidade para a Delta.

A Boeing julgou esses preços como “excessivamente baixos para o setor”, e inclusive foi responsável pelos cálculos de produção apresentados no processo dos EUA contra a Bombardier na OMC (Organização Mundial do Comércio). 

O relatório entregue pelos EUA demonstra que a Bombardier se beneficiou com US $ 2,5 bilhões em injeção de capital através do governo de Ottawa, quase US $ 500 milhões de ajuda para realizar o lançamento do CSeries e pelo menos US $ 1,6 bilhão em outros subsídios. No mesmo período a Bombardier estava amagada em prejuízos financeiros, pela complexidade de desenvolver a família CSeries.

 

Via – FlightGlobal

 

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