E a NASA conseguiu reinventar a roda

Os pneus são uma coisa simples, os humanos conhecem há milhares de anos o funcionamento disso, mas eles são a causa de maioria dos nossos problemas, aliás, quem nunca teve um pneu furado no meio do caminho?

Mas para a NASA esse tormento não pode nem ser cogitado, apesar de estar acontecendo com a Sonda marciana Curiosity ao longo do tempo. E convenhamos, não é muito legal ter uma roda danificada em Marte, por lá ninguém pode te ajudar com esse problema, e uma “forcinha” da Terra pode consumir pelo menos 2 anos só na viagem.

*Digo roda pois isso é apenas uma peça de metal, sem borracha.

Olá, sou a Curiosity em Marte.

O primeiro ponto que precisamos citar é que a NASA não usa necessariamente pneus de borracha, mas um conjunto reforçado de rodas, com um desenho especial que permite o veículo trafegar em terrenos irregulares. Não é um pneu tradicional, um pneu inflável poderia explodir com o mínimo furo.

Por isso a NASA criou uma roda feita com uma trama feita por liga de níquel e titânio, um material extremamente resistente, só para ter noção, com esse novo arranjo os engenheiros conseguiram extrair uma capacidade 30 vezes maior de deformação, e cada dessas rodas aguentam 10 vezes mais peso em sua estrutura.

A capacidade tão maior de deformação fica por conta da “memória estrutural”, a roda é capaz de voltar ao seu formato mesmo que um furo separe a trama de metal, ou que altere bastante sua geometria, no final é uma espécie de mola. As rígidas rodas da Curiosity não tem essa capacidade toda de deformação, e sofre com deformações permanentes.

A NASA basicamente seguiu dois passos da construção de materiais, ou você muda o arranjo, ou muda os materiais, talvez essa liga não fosse tão eficiente se estivesse construída de outra forma, faço semelhança disso com os painéis sanduíche, a diferença entre um corrugado e o honeycomb é muito grande. Os cientistas nesse caso se basearam no chainmail, um tipo de armadura flexível mas forte o suficiente para suportar o impacto de uma espada.

Acho que só por essas qualidades você já percebeu que essa roda é capaz de adicionar muitas qualidades de deslocamento em uma exploração espacial. A capacidade de encarar terrenos inclinados melhora substancialmente, assim como a velocidade em terrenos irregulares (algo que é comum em Marte).

Para nós terráqueos a boa notícia é que a NASA já está querendo lucrar, ela pode vender o projeto para as indústrias locais, e muito provavelmente esse tipo de pneu será utilizado somente em veículos blindados e militares, visto que não é de interesse das empresas algo que tenha vida eterna.

 

Veja só como esse pneu se comporta em terreno totalmente crítico:

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