A Airbus suspendeu temporariamente as entregas do A320neo equipados com motorização Pratt & Whitney Pure Power, devido a um novo defeito identificado e reportado para a Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA).

Uma Diretiva de aeronavegabilidade de emergência, emitida pela EASA, retirou a certificação ETOPS dos motores Pure Power, devido à várias ocorrências de desligamento do motor em voo (IFSD) e também em condições de decolagem abortada (Rejected Take-Off).



De acordo com a EASA uma investigação está em andamento para determinar as causas dos incidentes registrados. Os motores afetados foram os mesmos modificados pela Pratt & Whitney no passado, para corrigir vários erros de projeto que afetavam a operação e diminuía a confiabilidade do motor.

Ainda de acordo com a Diretiva da EASA, os motores dos incidentes tiveram alterações no cubo do compressor de alta pressão.

Foram impostas três restrições:

  • Depois de 3 voos realizados com esses motores afetados; Efetuar uma pausa da aeronave.
  • As operações ETOPS não são permitidas, mesmo que somente um motor da aeronave (de dois) esteja afetado devido à atualização.
  • A operação só é autorizada após a companhia enviar para a EASA uma cópia dos documentos do motor, procedimento de manutenção e mais detalhes dos voos em conformidade ETOPS realizados pela aeronave (se houve).

Isso significa que as companhias que operam o avião com esse motor devem reportar a manutenção ou problemas enfrentados com o motor.

A Airbus decidiu paralisar as entregas pois os aviões da linha de produção já recebem a atualização de série, pelo menos desde o quarto trimestre de 2017, quando a Pratt & Whitney implementou essas modificações na linha de produção.

Outros aviões foram eventualmente atualizados com novos motores fornecidos gratuitamente pela Pratt & Whitney. Antes eles sofriam de problemas no núcleo do motor, atrito na fan frontal, desgaste na câmara de combustão e também no compressor de alta pressão.

Cerca de 20% dos aviões em serviço foram afetados, a IndiGo, por exemplo, preferiu paralisar três aviões da sua frota até o problema ser descoberto, e também corrigido.

A substituição em massa desses motores deverá afetar novamente a produção da Pratt & Whitney, anteriormente a empresa reservou cerca de 40 a 45 motores para o setor de ‘peças de reposição’, de uma produção que pode alcançar até 400 motores em 2018.

Porém a fabricante precisará fornecer correções para esse problema, diminuindo a produção de motores para equipar novas aeronaves.

De acordo com a Pratt & Whitney, o defeito decorrente de uma atualização realizada em 2017 no motor PW1100G para corrigir problemas de projeto, está afetando 98 unidades fabricadas pela empresa. Cerca de 55 unidades ainda seriam instaladas nas aeronaves.

A Pratt & Whitney não sabe se esse problema também afeta os motores PW1500G e PW1900G, que equipam a linha Bombardier CSeries e Embraer E-Jet E2, respectivamente.

Os aviões PT-TMN e PT-TMM da LATAM Brasil, ambos A320neo equipados com motores PW1100G (A320-271N), estão realizando voos normalmente.