Em junho de 2017 John Slattery, presidente da Embraer Aviação Comercial, tinha deixado o primeiro indício sobre o interesse da Embraer em se fortalecer no setor de aviação comercial. Em setembro ele novamente reforçou sua posição em relação à participação da fabricante brasileira no mercado de aviões turbo-hélice.

Mas parece que as manobras de mercado da Bombardier e a compra de parte da Embraer pela Boeing poderá atrasar alguns planos da empresa. O projeto de construir um avião para concorrer com os ATRs foi adiado.

De acordo com a Embraer, esse projeto só voltará à pauta da empresa quando a mesma concluir a certificação da linha E-Jet E2.

“Eu continuo interessado em explorar o mercado de turboélice, mas posso garantir que não há planos imediatos para lançar qualquer programa de turbopropulsores”, disse ele à Reuters.

Como o prazo de planejamento e desenvolvimento de um avião é um pouco extenso, provavelmente não vamos ver um turboélice antes de 2025.

De acordo com Slattery a grande causa para adiar esse plano é o financeiro da empresa, que precisaria de mais investimentos, e que neste momento estão sendo usados para inserir o E2 no mercado.

Apesar desse pequeno atraso, a Embraer está ainda mais empolgada em ser líder no ramo de aviões com até 150 assentos, enquanto descarta participar do mercado acima, hoje dominado pela Airbus e Boeing com o A32Xneo e o Boeing 737 MAX, respectivamente.

“Nós sempre olhamos para as oportunidades. Isso está em nossa pegada natural. Nós dissemos que queremos ser o líder abaixo de 150 assentos”, declarou John Slattery.

Em entrevista feita em 2017 no Clube de Aviação em Londres, Slattery afirmou que competir com a ATR e a Bombardier é uma missão possível, visto que ambos os modelos ofertados por essas empresas já contam com décadas de projeto, para o Presidente da Embraer essas aeronaves estão ultrapassadas.

Anteriormente Slattery disse que todos os engenheiros da companhia estarão disponíveis a partir de 2021, com o encerramento do programa de desenvolvimento do KC-390 e do E-Jet E2. A Embraer também tem várias aeronaves de “ficha limpa” no setor executivo, como os jatos Phenom e a família Legacy 450/500, não precisando desenvolver novas aeronaves a partir do zero para atender esse mercado.

Atualmente a ATR oferta duas aeronaves, o ATR 42-600 e o ATR 72-600, enquanto o primeiro leva até 50 passageiros (alta densidade), o segundo consegue transportar até 78 passageiros (alta densidade). Os dois são movidos por motores do tipo turboélice da Pratt & Whitney, que são classificados como “ultrapassados” por vários especialistas da área, comparando diretamente com os novos motores P&W Pure Power e CFM Leap.

No ramo dos motores turboélices a GE está apresentando ultimamente novos produtos, que estão forçando uma atualização dos motores Pratt & Whitney.

 

Via – Reuters

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