Depois de demonstrar sério interesse em projetar um avião regional turbo-hélice, tal como o ATR 72 e o Q400, a Embraer voltou a afirmar que nos próximos anos irá manter o foco no desenvolvimento do E-Jet E2, bem como na sua futura geração, dita por John Slattery, Diretor Executivo da Embraer Commercial Aviation, como E3.

Para Slattery todos os engenheiros da companhia estarão disponíveis a partir de 2021, com o encerramento do programa de desenvolvimento do KC-390 e do E-Jet E2. A Embraer também tem várias aeronaves de “ficha limpa” no setor executivo, como os jatos Phenom e a família Legacy 450/500, não precisando desenvolver novas aeronaves a partir do zero para atender esse mercado.



O Diretor Executivo chama isso de “recursos de engenharia”, se referindo aos engenheiros, ele diz que planeja implantar os “recursos de engenharia” otimamente após 2021, evitando que boa parte da empresa fique ociosa. Slattery também afirmou que não planeja em nenhum momento competir com a Boeing ou Airbus, ao fazer uma aeronave maior no futuro, ou seja, a Embraer não tem nada em vista para o mercado de aeronaves com mais de 150 assentos.

Enquanto isso a família E-Jet continua como foco principal da Embraer para o futuro, de acordo com John Slattery, enquanto os outros projetos serão desenvolvidos como periféricos, mas não menos importantes dentro da linha de aeronaves da Embraer.

“Também é justo dizer que a tecnologia que está sendo apresentada ao mercado de aviões turbo-hélice é envelhecida, analisando na perspectiva de propulsão e materiais”, disse John Slattery. Ele finalizou elogiando a ATR pelo desempenho nas vendas, dizendo que a empresa está quase monopolizando o mercado com suas aeronaves ATR 72 e ATR 42.

Neste setor a maior concorrência da Embraer será com a ATR, e secundariamente com a Bombardier. Só nesta semana a Bombardier fechou uma encomenda para 50 aviões Q400, enquanto a Embraer vendeu pouco mais de 40 E-Jets durante o Paris Air Show.

Atualmente a fabricante brasileira praticamente só oferta a família E-Jet E1 e E2 no seu catálogo de aeronaves comerciais, o ERJ continua a ser ofertado, porém sem encomendas significativas. Desse modo a Embraer não tem uma aeronave competitiva na faixa de 40 a 80 assentos, apesar de vender bem o E175, que pode levar até 88 passageiros.

 

Via – FlightGlobal