Uma parceria improvável pode acontecer em breve no mercado de aviação. A Rússia, através da empresa estatal Irkut, quer produzir parte do seu novo avião, o MC-21 nos Emirados Árabes Unidos.

A Rostec, que é filiada à Irkut, que por sua vez todo mundo é da estatal UAC (United Aircraft Corporation), disse que iniciou as negociações para produzir o MC-21 lá nos Emirados Árabes Unidos, em um esforço para aumentar o número de encomendas e a exportação do avião para o ocidente. As conversas foram com o Sheikh Mohammed bin Zayed al-Nahyan, o poderoso príncipe herdeiro de Abu Dhabi.

Isso é atentamente complicado porque o MC-21 é uma aeronave moderna, que parte de um projeto novo, mas concorre com o mercado consolidado por dois aviões, o Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX. Fabricar o MC-21 nos UAE é uma opção considerável para o avião ser bem visto no ocidente.

Outras fabricantes, como a Boeing e Airbus, também fazem essa movimentação para tentar “abrir novos mercados”. A Boeing anunciou recentemente que vai abrir uma linha de finalização do 737 MAX na China, em parceria com a COMAC, como forma de tornar o 737 MAX mais atrativo para as companhias aéreas chinesas. Já a Airbus tem linhas de montagem final nos Estados Unidos e na China, com a mesma motivação.

Foto – UAC

Isso também parte de uma própria solicitação do Presidente da Rússia Vladimir Putin, que solicitou à Rostec e também à estatal United Aircraft Corporation (UAC) que aumentassem as vendas do avião para companhias aéreas russas e estrangeiras. O motivo é claro, em 2016 a UAC registrou US$ 6 bilhões em prejuízo.

Recentemente, em uma tentativa de ganhar mercado e desenvolver uma nova aeronave economizando dinheiro, a UAC juntou-se à COMAC para projetar e produzir um novo avião de dois corredores com capacidade para transportar de 250 a 300 passageiros.

A empresa russa Sukhoi, que também é da UAC, se associou recentemente com a maior empresa aeroespacial da Itália para instalar os interiores do seu novo avião regional Superjet 100 em Veneza, para clientes europeus.

Isso é bom para os Emirados Árabes Unidos, que estão há alguns anos tentando mudar os ramos de atuação do país, focando em turismo e desenvolvimento de tecnologia. Aliás, um dia o petróleo vai acabar e os UAE não querem ficar atrasados no mundo. Empresas baseadas no país já produzem algumas peças para os jatos da Boeing e Airbus, mas a produção do MC-21 seria totalmente local, dando uma experiência única sobre desenvolvimento de aviões para as empresas dos Emirados Árabes Unidos. 

A aeronave que a Rostec e a UAC podem construir e projetar nos Emirados Árabes Unidos baseia-se na maior versão do MC-21, a -400, que acomoda até 250 passageiros e compete diretamente com os maiores jatos de um único corredor da Boeing e da Airbus.

Muitas peças do MC-21 são provenientes de fornecedores ocidentais: seus motores, por exemplo, são fabricados pela Pratt & Whitney, com sede em Connecticut. Mas a montagem final da aeronave é completada na cidade siberiana de Irkutsk.

Mas esse futuro acordo parece que não teve efeito imediato, a flyDubai anunciou hoje que está encomendando 225 aviões da linha 737 MAX, mesmo com o interesse dos Emirados Árabes Unidos em produzir alta tecnologia em território nacional.

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