Na semana passada várias companhias da China divulgaram suas metas de novas aeronaves até 2020, e uma coisa chamou a atenção, entre centenas de aviões, não havia nenhum Airbus A380.

Isso demonstra a pouca força do A380 em mercados de alta densidade fora do Oriente Médio, como na Ásia, de todas as companhias da China, somente uma opera com esse avião, a China Southern Airlines, que mesmo assim só tem 5 aeronaves desse tipo em sua frota de 552 aviões.

Para reforçar o interesse do mercado asiático nesta aeronave, a Airbus planeja até mesmo montar o A380 na China, com descontos generosos para aumentar o interesse no avião. A empresa não detalhou se realmente planeja oferecer para as companhias chinesas o A380plus, uma versão do jato com custo 13% menor por assento.

A380plus, com atualizações de aerodinâmica e otimização de espaço no interior.

Além desse entrave financeiro, a China também quer adquirir capacidade de produção de vários tipos de aeronaves, e também dos motores, e nesse ponto vale ressaltar que a produção dos aviões da Airbus na China é feita em parceria com a AVIC, uma empresa estatal.

Devido a essa parceria, hoje a China já produz o ARJ21 e o C919, ambos da Comac, outra empresa estatal, apesar de não ter nenhum Know How para tal empreitada. Um outro projeto com a Rússia tem foco em desenvolver um avião widebody, que já tem o codinome CR929.

Enquanto isso a China engatinha quando o assunto é produção de motores para aeronaves comerciais, que atualmente está na mão de basicamente três empresas: GE, Pratt & Whitney e Rolls-Royce, todas do ocidente e que realizam parcerias entre si, para combinar tecnologias.

De qualquer forma o mercado chinês representa muito para a Airbus, isso por causa do crescimento. O mercado de voos internacionais saltou de 20 milhões de passageiros transportados em 2006 para 120 milhões em 2016, um número bem significativo. No curto prazo essa seria a única forma de vender o A380, além do mercado árabe.

Para finalizar, a missão da Airbus, antes de resolver os problemas de produção local, será convencer as empresas que o A380 é a melhor opção para rotas de alta demanda, onde a companhia é capaz de operar com mais de 600 passageiros a bordo, mesmo com “concorrentes” como o A350-1000 e o 777-9X.

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