No dia 20 de dezembro, o Departamento de Comércio dos EUA disse que vai manter sua posição sobre o tarifa de importação de 292,21% para os aviões da Bombardier, principalmente a linha CSeries.

A única alteração nesse período é que a tarifa caiu cerca de 8%, desde o primeiro comunicado lançado em setembro deste ano, mesmo assim essa ainda é uma vitória da Boeing, que agora conta com a decisão da Comissão de Comércio Internacional dos EUA, no qual a decisão será divulgada no início de fevereiro.

A tarifa proposta representa a soma de dois montantes. A primeira é uma taxa de 79,82% para compensar uma decisão do Departamento de Comércio de que a Bombardier praticou dumping de preços, o que significa que vendeu o CS100 para a Delta abaixo do seu valor de mercado. Outra taxa é de 212,39%, que foi definida para compensar os benefícios da Bombardier com os subsídios injustos fornecidos pelos governos de Quebec, Reino Unido e Canadá.

A Comissão de Comércio Internacional dos EUA vai decidir se os subsídios e os preços aplicados pela Bombardier atrapalharam os negócios da Boeing nos EUA.

Mesmo com a Airbus detendo parte do projeto CSeries, a Bombardier seria prejudicada pois uma linha de montagem nos Estados Unidos, prometida pela Airbus, não seria aberta antes de 2020. A localização é no atual Centro de Montagem Final e Engenharia da Airbus, em Mobile, no Alabama.

Para prejudicar ainda mais os negócios da Airbus, não adianta a montagem final ser realizada nos Estados Unidos, todo o processo de fabricação precisará ser nos EUA. A tarifa será aplicada “independentemente de entrarem nos Estados Unidos montados totalmente ou parcialmente”, disse o Departamento de Comércio dos EUA.

A Delta está tentando uma negociação passiva com a Bombardier para contornar esses problemas.

 

Os subsídios

De acordo com as alegações apresentadas pelos Estados Unidos, a Delta teria encomendado cada aeronave por 20 milhões de dólares, enquanto o custo de produção do CS100 gira entorno de 33 milhões de dólares (valor estimado pela Boeing), o preço de tabela é de US$ 65 milhões. Com o imposto sugerido aplicado o jato CS100 custaria US$ 76 milhões por unidade para a Delta.

A Boeing julgou esses preços como “excessivamente baixos para o setor”, e inclusive foi responsável pelos cálculos de produção apresentados no processo dos EUA contra a Bombardier na OMC (Organização Mundial do Comércio). 

O relatório entregue pelos EUA demonstra que a Bombardier se beneficiou com US $ 2,5 bilhões em injeção de capital através do governo de Ottawa, quase US $ 500 milhões de ajuda para realizar o lançamento do CSeries e pelo menos US $ 1,6 bilhão em outros subsídios. No mesmo período a Bombardier estava amagada em prejuízos financeiros, pela complexidade de desenvolver a família CSeries.

 

Via – FlightGlobal

This post is available in: pt-brPortuguês