O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), organização da Força Aérea Brasileira (FAB), divulgou, nesta segunda-feira (22/01), os resultados da investigação sobre o acidente com a aeronave de matrícula PR-SOM – que caiu perto do aeródromo de Paraty (RJ) às 13h44 (Horário Brasileiro de Verão), em 19 de janeiro do ano passado. Uma das cinco pessoas a bordo era o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki.

Durante um ano, 18 especialistas de diversas áreas, como pilotos, engenheiros, psicólogos, controladores de tráfego aéreo, mecânicos, entre outros, dedicaram-se a entender as causas do acidente. Também participaram do processo investigadores dos Estados Unidos e Canadá – países onde se situam as empresas responsáveis pelos projetos da aeronave e dos motores, respectivamente. O modelo que se acidentou era um C90GT King Air.

O piloto, que possuía 7.500 horas de voo e mais de 30 anos de experiência, estava com todas as licenças e certificações válidas, assim como a aeronave – fabricada em 2006. A autonomia declarada de combustível do avião era de 4h30 – ele havia sido abastecido antes da decolagem, no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo (SP) – e o tempo de voo previsto até o destino era de 35min. “Não houve indicações de falhas na aeronave”, disse o investigador responsável do CENIPA, Coronel Marcelo Moreno.

O investigador explica que acidentes aéreos não possuem apenas uma causa, mas diversos fatores contribuintes, que, no caso do PR-SOM, foram as condições climáticas desfavoráveis ao pouso visual e a desorientação espacial, principalmente.

Foto – FAB

Nos últimos dez anos, aconteceram 13 acidentes aéreos próximos aos aeródromos de Angra dos Reis e Paraty; desses, seis estiveram ligados à meteorologia. A investigação indica que a visibilidade, no dia do acidente, era de apenas 1,5km, enquanto o mínimo exigido para pouso naquele local é de 5km.

A questão da desorientação espacial também é um ponto importante. No que se refere aos acidentes aeronáuticos, a desorientação é definida como ocorrência em que o piloto entra em processo de confusão na interpretação dos parâmetros de voo, entrando ou não em atitude anormal. A desorientação pode ser causada por fatores como terreno homogêneo, com carência de referências visuais, e excesso de atuação da força gravitacional (força G) sobre o piloto. “Não importa a experiência do piloto, qualquer um está suscetível à desorientação”, explica o Coronel Moreno.

O relatório da investigação do CENIPA, disponível aqui, não tem o objetivo de encontrar culpados ou imputar sanções, mas servir para que não aconteçam outros acidentes. Por isso, um dos principais pontos do documento são as recomendações de segurança emitidas. Nesse caso, foram duas: a ampla divulgação do relatório à sociedade, de modo a fomentar a cultura de aderência e valorização aos regulamentos, e a recomendação de que a Agência de Aviação Civil (ANAC) enfatize, na formação básica do piloto civil, os riscos sobre a desorientação.

Foto – FAB

“Existem duas organizações envolvidas na investigação desse acidente, com finalidades diferentes. A Polícia Federal trabalha para apurar responsabilidades civil ou criminal, se for o caso. Já o CENIPA busca a prevenção de novos acidentes. Esses processos independentes permitem o cumprimento de dois deveres do Estado Brasileiro: prevenir acidentes e apurar responsabilidades civis ou criminais”, afirma o Chefe do CENIPA, Brigadeiro do Ar Frederico Marcondes Felipe.

 

Via – Força Aérea Brasileira

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