Mais uma etapa do desacordo entre o Governo Americano e o Canadá, por causa de subsídios estatais aplicados na Bombardier, está vigorando. De acordo com uma declaração da Boeing nesta semana, o Departamento de Comércio dos EUA recomendou que a nova aeronave da Bombardier, o CSeries, tenha taxa de imposto de importação de 220%.

Atualmente a Boeing e o Governo dos Estados Unidos estão com um processo na OMC (Organização Mundial do Comércio), alegando que a Bombardier fez uma venda de 75 aviões CS100 para a Delta Airlines por um preço muito abaixo do custo de produção da aeronave.

De acordo com as alegações apresentadas, a Delta teria encomendado cada aeronave por 20 milhões de dólares, enquanto o custo de produção do CS100 gira entorno de 33 milhões de dólares (valor estimado pela Boeing), o preço de tabela é de US$ 65 milhões. Com o imposto sugerido aplicado o jato CS100 custaria US$ 76 milhões por unidade para a Delta.

Ainda na linha do Governo Americano, o relatório entregue demonstra que a Bombardier se beneficiou com US $ 2,5 bilhões em injeção de capital através do governo de Ottawa, quase US $ 500 milhões de ajuda para realizar o lançamento do CSeries e pelo menos US $ 1,6 bilhão em outros subsídios. No mesmo período a Bombardier estava amagada em prejuízos financeiros, pela complexidade de desenvolver a família CSeries.

De acordo com a Boeing o CS300 concorre diretamente com aeronaves da linha 737, como o 737-700 e o 737 MAX 7. O Governo Brasileiro também está movendo um processo na OMC contra os subsídios recebidos pela Bombardier.

“Os subsídios permitiram à Bombardier despejar seu produto no mercado dos EUA, prejudicando os trabalhadores aeroespaciais dos Estados Unidos e em toda a cadeia de suprimentos da Boeing. No início do mês próximo o Departamento de Comércio deverá confirmar a magnitude da venda ilegal, e anunciar deveres adicionais associados a esse problema”, disse Boeing em um comunicado de imprensa.

CS300 em testes. Foto – Bombardier

Já a Bombardier criticou a decisão preliminar do Departamento de Comércio dos EUA como “absurda e dissociada da realidade sobre o financiamento de programas de desenvolvimento de aeronaves, em vários bilhões de dólares”.

“Este resultado sublinha o que temos dito há meses: as leis de comércio dos EUA nunca foram usadas dessa maneira, e a Boeing está buscando usar um processo distorcido para sufocar a concorrência e impedir que companhias aéreas dos EUA e seus passageiros se beneficiem do CSeries “, disse Bombardier em comunicado.

Ao mesmo tempo algumas companhias criticaram a posição da Boeing, como a JetBlue e a Spirit, vale lembrar que nenhuma dessas companhias usam aeronaves da Boeing em suas frotas.

A Bombardier não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da FlightGlobal, mas a empresa negou as alegações da Boeing.

 

Via – FlightGlobal

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