O Boeing 787 Dreamliner sem dúvidas é uma aeronave de sucesso, em poucos anos a Boeing já fabricou mais de 500 unidades dessa aeronave, por mês 12 unidades são produzidas em Everett e North Charleston, apesar das idas e vindas dos problemas iniciais as companhias não desistiram, queriam uma aeronave leve, eficiente e econômica.

E foi há 10 anos, exatamente no dia 8 de julho de 2007, que a Boeing apresentava o primeiro 787 Dreamliner, uma aeronave que na época parecia carro-conceito, aqueles que normalmente as fabricantes apresentam durante o Salão do Automóvel, a primeira matrícula também foi simbólica, N787BA. É claro que essa história merece um pouco mais de nossa atenção, por isso descreveremos um breve resumo sobre o início do Boeing 787 abaixo.

 

O início do 787 Dreamliner

A história do 787 Dreamliner começa em 2004, quando a Boeing anunciou o conceito, através de uma encomenda da All Nippon Airways, que também se comprometeu a estrear o novo avião da Boeing. Mas seu passado também é interessante, o Boeing 787 vem para cobrir o mercado atendido pelo 767 (e suas variantes), apesar de ser bastante confiável as companhias já sentiam a necessidade de substituir seus aviões da linha 67, os 20 anos de idade do projeto estavam pesando contra os custos operacionais, que um dia foram a verdadeira revolução nas viagens de longa distância.

Desde o início a Boeing queria um novo conceito de motor para usar no 787, esse é o principal ponto da aeronave, e que revolucionou todos os outros aviões lançados desde então. A GE e Rolls-Royce se comprometeram desde o início com o lançamento de novas tecnologias para equipar o 787, a GE lançou a linha GEnx, também usada no 747-8i, enquanto isso a Rolls-Royce lançou o Trent 1000.

Roll Out do 787-8 Dreamliner. Foto – Boeing

Com uma fuselagem toda em materiais compostos, aerodinâmica refinada e novos motores, a Boeing prometia até 20% a menos de consumo de combustível em comparação com o 767.

A Boeing iniciou a montagem final da primeira unidade em maio de 2007, na fábrica de Everett. No dia 8 de julho de 2007 a Boeing apresentou finalmente o primeiro 787 Dreamliner, ainda na versão -8, a menor disponível para compra.

Linha de fabricação do 787 em Everett.

Toda a animação da Boeing tinha um motivo, a proposta do 787 era tão boa que a aeronave tinha 677 encomendas antes mesmo de ser apresentada publicamente, isso foi um marco, pois nenhum widebody fabricado pela Boeing tinha essa quantidade de pedidos antes mesmo da apresentação oficial.

Na pressa de apresentar um novo conceito para o mercado, a Boeing esbarrou na principal burrice que poderia ser realizada naquele momento de grande expectativa. A empresa apresentou um 787 que era praticamente uma maquete em tamanho real, sem os sistemas da aeronave finalizados, geralmente isso não acontece no mercado aeronáutico, a empresa já apresenta um avião funcional, capaz de acionar até mesmo os motores, caso for solicitado.

Entrega do primeiro 787 da ANA, em 26/09/2011. Foto – Boeing/Divulgação

A Boeing sempre foi conhecida por ser rápida no período de certificação, ela fez isso com o 777, que surgiu rapidamente para os clientes, sem grandes atrasos, porém isso não ocorreu com o 787, que acumulou seis atrasos antes do primeiro voo. Anteriormente previsto para ocorrer em agosto de 2007, o 787 só saiu do chão mesmo em dezembro de 2009, amargando dois anos de atraso no projeto.

Logo a Boeing colocou seis protótipos para completarem mais de 4000 horas de voo, testando um tipo de conceito nunca antes utilizado pela empresa, justificando todos esses testes para a primeira versão do 787. Alguns problemas adiaram a primeira entrega para o final de 2011, e como dito acima, a primeira companhia que operou com a aeronave foi a All Nippon Airways.

O primeiro 787 entregue também era diferente dos que hoje saem da linha de produção, isso porque algumas atualizações da Boeing para diminuir o peso geral do avião não foram implementadas inicialmente.

 

Outras versões

Boeing 787-9 sendo retirado do hangar de pintura. Foto – Boeing

O Boeing 787-8 ainda era muito pequeno para o padrão de algumas companhias. Na mesma plataforma a Boeing desenvolveu outras duas variantes, o 787-9 e o 787-10. O 787-9 foi apresentado pela primeira vez em julho de 2013, pouco tempo após a FAA autorizar a retomada de voos com o 787, após os incidentes com as baterias de lítio-ion.

Já o 787-10 foi apresentado em fevereiro deste ano com uma grande festa em North Charleston, com a presença até mesmo do presidente americano. A unidade localizada na Carolina do Sul é o único local de produção do 787-10 nos EUA, as outras duas versões menores são fabricadas em Everett e North Charleston.

Para as duas variantes a Boeing não encontrou grandes problemas de desenvolvimento, após lançar o 787-8 e suas atualizações, então o cronograma de testes foi seguido assim como o planejado em 2011.

Foto – Boeing/Reprodução

O desenvolvimento da família 787 custou US$ 32 bilhões para a Boeing, contabilizando todas as três variantes e inclusive o 787-10 que ainda está em testes. A Boeing já recuperou esse investimento, e o lucro das próximas aeronaves vendidas entrará diretamente no financeiro da companhia, sem precisar abater custos exorbitantes para corrigir vários erros de projeto.

Estima-se que o Boeing 787 já tenha recebido mais de US$130 bilhões de dólares em encomendas, desde que foi lançado oficialmente, mesmo com o prejuízo no desenvolvimento e o custo de produção, a aeronave figura entre os jatos mais rentáveis que a Boeing fabrica atualmente. A fabricante americana ainda espera mais encomendas para o 787, na medida que os aviões 767 e A330 envelhecem nas frotas das companhias aéreas. Atualmente o 787 já tem 1275 encomendas, com mais de 550 aeronaves fabricadas.

Atualmente o Dreamliner da Boeing já esqueceu seus pesadelos que tanto o afastaram dos sonhos futuros, o 787 se destaca atualmente por ser a melhor opção quando o assunto é consumo de combustível em longos trechos, sua autonomia mudou várias rotas realizadas até então, sua economia permitiu até mesma a operação da aeronave por companhias Low Cost que antes só faziam voos com aviões narrowbody.

 

Capacidade

Interior do 787. Foto – Brad Nettles/The Post and Courie

Com 56,72 metros de comprimento de fuselagem o 787-8 foi projetado para transportar 242 passageiros na configuração padrão da Boeing com duas classes, substituindo diretamente o 767-300ER. Logo após o 787-9 foi apresentado, com 6,1 metros a mais de fuselagem e capacidade para levar até 290 passageiros. O 787-10 figura como a maior aeronave da família Dreamliner, com capacidade para 330 passageiros e fuselagem com cerca de 12 metros a mais em comparação com o 787-8.

Em comum todos os 787 tem a envergadura de asa, de 60,12 metros, além dos motores GE GEnx 1-B e Rolls-Royce Trent 1000, com potência alterada entre as variantes para equilibrar a propulsão com o peso adicional.

 

Foto – Boeing/Divulgação

A aeronave da Boeing que começou com índice de confiança de 96%, agora já alcança 99,3% de confiança das companhias aéreas. Muitas já relataram que atualmente o 787 é até 22% mais econômico, em comparação com o 767-300ER, a United Airlines apresentou até mesmo informações que indicam um índice melhor de custo por assento em comparação com o Airbus A330, que antes estava ganhando o mercado do 767.

Mais melhorias serão acrescentadas em breve no 787, assim como foram nos anos anteriores, desde a primeira entrega. A Rolls-Royce planeja entregar nos próximos meses o primeiro motor Trent 1000 TEN, com atualizações baseadas no Trent XWB, usado no Airbus A350, consideravelmente mais novo em comparação com o 787.

Já a GE preparou uma versão atualizada do motor que está sendo usada desde meados de 2012/2013. Outras atualizações estão na mira da fabricante americana, que não abandonará o motor mais vendido da GE atualmente.

 

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