Parece que foi nesses últimos dias de outubro que escrevi sobre a data que a KLM encerraria seus voos com aviões da Fokker, mas o tempo passa muito rápido, e na verdade eu escrevi sobre isso em junho deste ano, após uma rápida viagem de um dia para conhecer o Centro de Treinamento da Azul.

E ontem (28/10) a KLM findou suas operações com o Fokker 70, o último avião da fabricante holandesa Fokker que restava em sua frota, nos anos anteriores, porém ainda neste século que mal se iniciou, a KLM aposentou o Fokker 100 e o Fokker 50, aeronaves clássicas para a aviação mundial e que já operaram aqui no Brasil.



O último voo da companhia foi cumprindo uma rota de Amsterdam Schiphol, na Holanda,  para o Aeroporto de Cardiff, no Reino Unido. O último voo decolou às 09h30 da manhã do dia 28 de outubro de 2017, com numeração KLM1059, a aeronave voltou para Schiphol durante a noite, com pouso às 20h30 no Aeroporto de Amsterdã.

O avião utilizado foi o clássico PH-KZU, que falamos sobre ele na postagem de junho. Esse é um avião que recebeu uma pintura especial em agradecimento ao Anthony Fokker, que no início do século passado fundou a Fokker, uma empresa que nasceu em plena expansão da novidade para a época, voar.

A pintura carrega a imagem de Anthony Fokker na cauda da aeronave, com dizeres de agradecimento ao fundador da empresa, e a logomarca da Fokker ao lado da impressão visual da KLM Cityhopper.

A KLM Cityhopper escolheu operar o seu último voo com o Fokker fora de Londres, com um capitão inglês nos controles. Mais detalhes sobre isso você poderá conferir abaixo.

 

Os Fokkers na história da KLM

A KLM operou com uma extensa lista de aeronaves a Fokker ao longo de sua história (98 anos), depois do pós-guerra a companhia usou todos os aviões comerciais fabricados pela empresa holandesa (F27, F28, F50, F100 e F70).

A primeira operação da companhia com um avião da Fokker começou em 1920, quando a primeira encomenda foi realizada. A operação clássica foi composta por voos da KLM de Amsterdã para Londres logo após a 1ª Guerra Mundial, por um motivo simples, o governo britânico via como inimigo implacável os aviões da Fokker, que tiveram participação no conflito.

Foto – KLM

Mas essa proibição de aviões da Fokker no Reino Unido logo foi abaixo e em 1921 a KLM conseguiu iniciar os voos com aviões da Fokker para o país vizinho. Para tornar este importante marco ainda mais especial, o primeiro voo com um Fokker programado para Croydon, perto de Londres, em 14 de abril de 1921, foi operado por um piloto britânico. Esse também é um motivo para a KLM escolher encerrar seus voos com o Fokker com um piloto do Reino Unido.

Um outro ponto da história é a contradição que houve após a Segunda Guerra Mundial, muitos acreditavam que em plena revolução do motor a jato a Fokker não seria capaz de produzir um avião moderno e eficiente. Mas a empresa quebrou todos esses paradígmas com os modelos F27, F28, F50, F100 e F70.

O destaque é principalmente para o F100, que na metade da década de 80 estreou tecnologias que muitos aviões de porte maior não tinham. Era um atestado de que a empresa holandesa ainda poderia fazer muita coisa na aviação. Tal tecnologia só foi demonstrada em aviões de médio/pequeno porte quando a Airbus colocou em serviço o A320.

Em 1996 a Fokker entrou em falência, e deste então nenhum avião da companhia foi produzido.

Anthony Fokker não só foi piloto, como construiu suas próprias aeronaves, criando uma gigante do setor aeronáutico que trouxe tecnologias novas com o F100, amplamente utilizado no Brasil, que também teve a presença do F50.

Anthony viveu pouco, ele faleceu em 1939, porém o seu legado se estendeu por anos até culminar com o fim da Fokker na década de 90. Ao todo a KLM, que foi fundada em 1921, teve 97 anos de parceria com a Fokker, contabilizando inclusive esses últimos dias de F70 na frota da companhia.

O mais importante é algo que Anthony Fokker disse uma vez: “Quando eu tinha cerca de dezesseis anos e primeiro ouvi falar sobre máquinas voadoras, meu único objetivo na vida era se tornar um piloto. Os pilotos eram um novo tipo de herói. Talvez seja o que me atraiu mais: eu também queria ser um herói! “

A KLM operou de 1989 a 2012 com o Fokker 100, e de 1990 e 2010 com o Fokker 50. Já o Fokker 70, que foi aposentado ontem, voava desde 1995 na frota da KLM, com apenas 47 unidades de série fabricadas.

 

Um avião pilotado até pelo Rei

O rei da Holanda, Willem-Alexander, trabalhou em uma profissão bem diferente dos cidadãos comuns, e também da sua “função real”, Willem foi piloto de avião comercial por duas décadas, e voou em várias companhias, a principal foi a “companhia do rei”, a Royal Dutch Airlines, ou KLM.

Até o fim das operações com o F70 ele pilotava aeronaves da Fokker, mas já está en trasição para pilotar o Boeing 737.

Ele opera dois voos por mês na KLM, todos eles em curta distância. Willem já passou pelas diversas subsidiárias da KLM, como a Martinair e a Cityhopper, essa última opera pequenos jatos como o E175, e até então operava com aviões da Fokker.

 

O substituto brasileiro

Foto – KLM/Divulgação

A KLM disse por muitos anos que o F70 era a fórmula perfeita para a aviação regional, mas ultimamente a companhia encontrou outro avião que supera isso, e ainda fornece uma modernidade sem limites, é o Embraer E175+, com um pacote especial que permite ser até 5,5% mais econômico em comparação com o E175, olha que nem estamos falando da família de nova geração E2.

Atualmente a KLM já opera com mais de 40 aeronaves da Embraer em sua frota, é a maior operadora individual de aviões da fabricante brasileira na Europa, e todo mundo usa Embraer por lá (Air France, Alitalia, British Airways…).

O E175 tem muita importância na frota da KLM, com essa aeronave a companhia holandesa é capaz de realizar voos para London City, ligando Amsterdã diretamente no centro de Londres. A pequena pista do Aeroporto London City não permite a operação com grande jatos, por isso a KLM usa o E175 com eficiência para fazer oito voos diários entre as capitais.

Em junho, foi anunciada a encomenda de mais dois aviões E190. O próximo E175+ deverá chegar em novembro deste ano. Na Europa, a KLM Cityhopper é a companhia aérea com a maior quantidade de aviões Embraer em sua frota.

A Embraer 175+ possui um grande número de características técnicas que reduzem significativamente o consumo de combustível e, com isso, as emissões de CO2 em relação ao Fokker 70. Em comparação, a nova aeronave consome até 22% menos de combustível.

Foto – KLM/Divulgação

Esse avião é equipado com os novos wing-tip, que prometem maior economia de combustível por otimizar o vortex gerado na ponta da asa. O novo pack de economia oferecido pela Embraer alonga ainda mais a vida dos Ejets de primeira geração, foram realizadas alterações no sistema Anti-Ice, em alguns pontos aerodinâmicos ao longo da fuselagem e asa, na carenagem do trem de pouso, entre outras alterações.

No total a Embraer promete 5,5% a menos de consumo para o E175+ em comparação com o E175 padrão, a KLM afirma que é possível conseguir até 6,4% dependendo do voo.

 

O livro que conta a história

Holandesa como sempre a KLM optou por valorizar a história do seu país, principalmente a Fokker, que é uma grande fabricante de aeronaves que infelizmente faliu. A companhia também se destaca por ser uma das mais antigas do mundo, e sempre teve as aeronaves da Fokker em sua frota como um orgulho nacional, até o último jato que a empresa fabricou em larga escala.

Para contar todos esses 97 anos operando uma aeronave fabricada no próprio país a KLM fez um livro, contando toda a história dos aviões da Fokker em sua frota com ilustrações e imagens exclusivas, do arquivo pessoal da companhia.

Também é possível conferir como a companhia construiu sua história desde o primeiro Fokker F.II, que a companhia usou para começar suas operações em 1920.  Há também um foco especial para o Fokker 70, que a companhia já utiliza desde 1995.

O livro é em edição limitada e disponível apenas em holandês, com alguns trechos em inglês. São 230 páginas que estão disponíveis para leitura a partir de outubro de 2017, caso você não entenda holandês mas queira guardar esse livro como recordação é possível encomendar ele pelo site fokker-70.nl.

 

Para encerrar essa charge do Rein Valk.