O satélite nacional de pequeno porte Serpens (Sistema Espacial para Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites), apoiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), desintegrou-se completamente ao reentrar na atmosfera da Terra, sobre o Oceano Atlântico na madrugada do dia 27 de março.

Os últimos sinais do Serpens foram recebidos pela equipe da Universidade de Vigo na Espanha, parceira internacional do projeto, que também foi a última a decodificar os sinais do satélite, um dia antes da reentrada na atmosfera. Em seis meses de operação, o nanossatélite forneceu mais de 150 mil pacotes de telemetria, mais de 700 acessos de comunicação e fez mais de 3 mil voltas ao redor da Terra.

Em órbita, o satélite realizou sua missão, ou seja, coletou dados ambientais em uma plataforma de baixo custo desenvolvida com a participação de estudantes brasileiros. O principal objetivo do projeto Serpens é capacitar recursos humanos e consolidar os novos cursos de engenharia aeroespacial brasileiros.

O presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, afirmou que o Serpens é um dos principais projetos apoiados pela a AEB, o qual busca incentivar a atuação de jovens na área espacial. “A construção de pequenos satélites é um excelente laboratório educativo que procura formar profissionais capacitados para trabalharem em institutos e universidades do país, conforme o Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) ”, explicou.

De acordo com a professora Chantal Cappelletti, coordenadora do projeto pela Universidade de Brasília (UnB), o desenvolvimento do pequeno satélite foi de extrema importância para o aprendizado dos estudantes. “A prática de construir um nanossatélite é uma experiência que amplia o conhecimento dos estudantes, pois eles serão profissionais que contribuirão com o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro”, ressaltou.

O processo de desenvolvimento do satélite de pequeno porte foi coordenado pela Universidade de Brasília (UnB), em consórcio formado pelas universidades federais do ABC (Ufabc), de Santa Catarina (UFSC), de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal Fluminense (IFF). Do exterior, a principal parceira foi a Universidade de Vigo, como também a Sapienza Università di Roma (Itália) e as norte-americanas Morehead State University e California State Polytechnic University.

Para o engenheiro mecatrônico e bolsista da AEB, Gabriel Figueiró, que participou do desenvolvimento do nanossatélite, o ponto positivo do projeto foi a absorção de conhecimento e a troca de experiência com as parcerias internacionais. “A oportunidade de trabalhar em conjunto com universidades estrangeiras, como a Universidade de Vigo, ao lado de engenheiros experientes, foi fundamental para o sucesso da primeira missão”, destacou.

Enviado em julho ao Japão, o satélite partiu em agosto rumo à Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês). No dia 17 de setembro, do ano passado, o Serpens entrou em órbita a partir da ISS pelo módulo Kibo JEM (Japanese Experiment Module) operando o deployer CubeSat JSSOD.

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