Na tarde desta quarta-feira, aqui no planeta Terra, a NASA apresentou a sua mais nova descoberta, de acordo com a agência mais 7 planetas na Via Láctea foram encontrados nas chamadas “zonas habitáveis”. O telescópio espacial Spitzer da NASA foi capaz de revelar sete planetas que estão ao redor de um Sol, todos são habitáveis de acordo com a NASA.

Notavelmente três planetas potencialmente habitáveis ao redor de uma estrela é algo inédito, o nosso Sistema Solar por exemplo só há um planeta habitável, dos 8 que giram ao redor do Sol. Por isso que esse sistema é o único descoberto até o momento em que quase metade dos seus planetas estão em zonas habitáveis. 



O sistema solar foi nomeado de TRAPPIST-1 e está a 40 anos-luz (378,2 trilhões de quilômetros) da Terra, na constelação de Aquário. Esse sistema está em uma relativa proximidade da Terra, visto que a NASA já pesquisou outros planetas potencialmente habitáveis em locais bem distantes do nosso planeta. A sua estrela, por ser pequena, queima hidrogênio lentamente e deve viver por até 10 trilhões de anos.

Foto – NASA

Esse sistema na verdade foi descoberto em maio de 2016, quando pesquisadores descobriram 3 planetas do sistema. Logo após um conjunto de telescópios terrestres juntamente com o Spitzer trabalharam para confirmar a existência de dois planetas, e acabaram encontrando mais cinco no mesmo local. Assim o sistema foi classificado com 7 planetas.

A NASA usou o Spitzer para tentar descobrir a massa de seis planetas do sistema, e assim descobrir a densidade e consequentemente a gravidade média de cada um. Com a densidade a NASA também descobriu que todos os planetas são rochosos, alguns com presença de água líquida por estar em uma zona com temperatura similar à da Terra (foto acima), há possibilidade dos planetas habitáveis terem oxigênio em sua atmosfera, um importante elemento para a fotossíntese de plantas terrestres.

A massa do sétimo planeta, o mais distante de todos, ainda não foi estimada, os cientistas acreditam que poderia ser um mundo gelado, semelhante a uma bola de neve, mas são necessárias mais observações. Outras observações não só ajudarão a determinar se eles são ricos em água, mas também possivelmente revelar se qualquer um poderia ter água líquida em suas superfícies.

A estrela em menos de 10% da massa que o nosso Sol tem, a pouca luz produzida gera sombras bem maiores do que as encontradas na Terra. Um dia em qualquer um desses planetas poderia levar de 1 hora até 3 horas. 

 

Cada planeta

Foto – NASA

Cada planeta foi nomeado de TRAPPIST e recebeu um sufixo para diferenciar cada planeta, indo de B até H. A estrela do planeta foi classificada com uma Anão ultrafria, por isso o tanto de planetas em zonas habitáveis. Todas as sete órbitas planetárias do TRAPPIST-1 estão mais próximas de sua estrela do que Mercúrio está perto de nosso sol, logo realmente a estrela é muito menor do que a nossa.

Os planetas também estão muito próximos uns dos outros. Se uma pessoa estivesse em pé sobre uma superfície do planeta, eles poderiam olhar para cima e potencialmente ver as características geológicas ou nuvens de mundos vizinhos, que às vezes apareceriam maiores do que a lua no céu da Terra.

Ilustração do TRAPPIST-1F. Foto – NASA

A NASA também estima que os planetas não girem ao redor de si mesmo, movimento que determina a duração de dia e noite na Terra, logo os planetas têm uma face diretamente no claro e outra no escuro, caso uma pessoa desejasse transitar entre noite e dia precisaria viajar para outro ponto do planeta.

O planeta TRAPPIST-1B está em uma zona quente e, portanto, não é habitável. O planeta TRAPPIST-1C está em uma zona com temperatura mais amena e, portanto, pode haver água em forma de vapor. Nos três planetas seguintes, TRAPPIST-1D/E/F, pode haver a presença de água em estado líquido. Os dois últimos planetas, o TRAPPIST-1G/H, poderão ser formados por puro gelo.

 

Outros telescópios

 

Além do Spitzer, os telescópios Very Large Telescope do European Southern Observatory, Hubble da NASA e Kepler, colaboraram com a pesquisa sobre o sistema solar TRAPPIST-1. O Spitzer foi essencial para rastrear ondas de infravermelho que a estrela emite, os humanos não podem observar essa estrela por telescópios avançados pois o olho não identifica a luz infravermelha.

Na primavera de 2016 (aqui no Brasil), o telescópio Spitzer ficou quase 500 horas seguidas observando o sistema solar apresentado hoje. 

Na sequência da descoberta de Spitzer, o telescópio espacial Hubble da NASA iniciou a projeção de quatro dos planetas, incluindo os três dentro da zona habitável. Essas observações visaram avaliar a presença de atmosferas inchadas, dominadas pelo hidrogênio, típicas de mundos gasosos como Netuno, em torno desses planetas. Essa é uma capacidade especial do Hubble, descobrir gases a partir de ondas emitidas.

O telescópio espacial James Webb da NASA, que será lançado em 2018, poderá colaborar ainda mais na descoberta com sua sensibilidade muito maior, e assim detectar os rastros de água, metano, oxigênio, ozônio, entre outros componentes da atmosfera de um planeta. Webb também analisará as temperaturas dos planetas e as pressões de superfície, fatores chave na avaliação de sua habitabilidade.

 

Em alguns vídeos a NASA ilustrou imagens desses planetas, um inclusive permite que você viaje em uma ilustração em 360º (primeiro vídeo):