Mais uma sonda da NASA ganhará papel de destaque, após o sucesso da Cassini, Messenger e da Juno, em 2018 a sonda Parker Solar Probe irá até o Sol para desvendar cada detalhe da atividade da única estrela de nosso sistema solar. Essa sonda foi nomeada anteriormente Solar Probe Plus, que significa Sonda Solar, em tradução para português, porém renomeá-la em homenagem ao astrofísico é um ato muito nobre, e falaremos mais sobre isso abaixo.

O lançamento deverá ocorrer entre o final de julho de 2018 e agosto do mesmo ano, a sonda será levada através de um foguete Delta IV Heavy, fabricado pela ULA, uma associação entre a Lockheed Martin e a Boeing. 



Na sua composição a Sonda Parker tem um escudo de calor formado totalmente por carbono, que é capaz de resistir à temperatura de 1300º C da órbita. Além disso a sonda tem dois painéis solares, um para usar durante a viagem, com maior capacidade de captação de energia, e outro para quando a sonda estiver perto do Sol, menor e com capacidade igual de energia, visto que perto da nossa estrela existe mais energia disponível.

O tamanho de tudo é equivalente a um carro popular de 700 kg, ou um Uninho (com escada no teto pra viajar rápido). O prazo para a Sonda começar orbitar o Sol é de 6 anos, o que só será possível em 2024. 

 

Órbita

Se você imaginou que 2024 é um prazo absurdo para a velocidade das viagens espaciais você está certo, para colocar a Parker na velocidade certa é preciso fazer um esquema semelhante a um estilingue, já usado em outras sondas como a Juno, Voyage e a Cassini. Nós, humanos, simplesmente não temos uma propulsão tão forte que seja capaz de colocar essa sonda na velocidade certa, então contamos com uma ajuda da natureza, mesmo que essa ajuda signifique passar por um planeta fervente, como Vênus.

A NASA já declarou, a Parker passará 7 vezes por Vênus para ganhar velocidade com a ajuda da gravidade do planeta, que é bem semelhante à gravidade terrestre. O segredinho básico é acompanhar o planeta após ele passar, o planeta puxa a sonda em sua direção mas a sonda passa direto em uma trajetória quase perpendicular à orbita do planeta, para evitar que a gravidade faça o efeito oposto, puxe a sonda de volta diminuindo bastante sua velocidade e suicidando a mesma.

É uma manobra bem complexa, nesse caso da Sonda Parker é mais complexa ainda, visto que é o objeto mais rápido já criado pelo homem. A imagem abaixo explica bem como a Sonda Cassini ganhou velocidade com várias passagens na Terra, Vênus e Júpiter.

 

A órbita da sonda será de 5,9 milhões de km, enquanto Mercúrio orbita o Sol a  57,9 milhões de km, isso considerando que os dois realizarão órbitas elípticas, e que esse valor se refere ao semi-eixo maior da elipse, seria uma média entre o afélio e o periélio. Para conseguir ficar nessa órbita sem para isso decair na gigantesca atração gravitacional do Sol a sonda precisa estar com a velocidade de 724 mil km/h, nem mais nem menos.

 

Missão

A missão estudará fatores do Sol que influenciam em nossa vida cotidiana, bem como as famosas tempestades solares, que podem causar desde Auroras no céu até mesmo um desastre elétrico em nosso planeta, dependendo da intensidade.

O risco de desastre elétrico já foi amplamente publicado pela mídia, que ama se aproveitar do assunto para causar pânico cada vez que o Sol resolve soltar uma labareda de fogo cheia de partículas carregadas magneticamente, nesse caso o efeito seria semelhante a um curto-circuito em todos os aparelhos eletrônicos, que não tem proteção contra surtos de ordem magnética.

Não é para menos, se em 1859 existisse rádio, televisão e smartphone o prejuízo teria sido enorme, com a tempestade solar Carrington. Naquela época só os telégrafos foram gravemente afetados, mesmo sem energia na rede era possível transmitir dados, devido a força da energia solar invadindo a atmosfera do planeta Terra. Outras eventualidades da modernidade também ocorreram e causaram grandes prejuízos, hoje equipamentos de alta confiabilidade, como este data center que alimenta o site da Aeroflap, já contam com proteção contra tempestades solares, para evitar um blackout total.

Mas além disso a NASA procura fazer um estudo teórico sobre a superfície solar e suas reações cotidianas, e conseguir assim saber melhor como é formada a energia produzida pela nossa estrela, e também quanto tempo durará essa produção de energia, antes do Sol virar uma estrela anã.

Ao todo a missão durará apenas 24 órbitas, é um tempo bem curto para analisar e enviar todas as informações para a Terra, cada órbita dura 88 dias. Para ter uma comparação, a missão Juno ainda está enviando informações para a NASA, mesmo após passar várias vezes pelo gigante gasoso, a taxa de transferência é de 26 kb/s em média, e a latência é na base de minutos, devido à distância entre a Terra e essa sonda.

 

Eugene Parker

O nome da sonda homenageia um importante astrofísico, que ainda está vivo com seus incríveis 89 anos. Em seu pronunciamento ele afirmou estar muito grato e honrado pelo reconhecimento da NASA sobre seus estudos, realizados ainda na década de 1950.

A partir de 1950 Parker propôs uma série de conceitos sobre como as estrelas, incluindo o nosso sol, liberam energia. Ele chamou essa cascata de energia de vento solar, e aproveitou para descrever sistema complexo de plasmas, campos magnéticos e partículas energéticas que compõem esse fenômeno. Parker também teorizou uma explicação para a atmosfera solar superaquecida, a coroa, ao contrário do que era esperado pelas leis da física, ela é mais quente do que a superfície do próprio sol.