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O belíssimo voo do SolarStratos

Stratos, na definição é um tipo de nuvem esparsa, de baixa altitude, que cobre uma cidade inteira e pode dar aquele aspecto real de voar em cima das nuvens, dependendo da sua altitude de voo, muito comum em voos perto dos 15 mil pés.

Porém essa aeronave que estamos falando é totalmente elétrica, com hélice, capaz de voar na estratosfera, e além disso trazer belíssimas imagens. Mas esse é o propósito do SolarStratos, um avião voltado para voar de forma totalmente autônoma.

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Voar com o SolarStratos é uma experiência magnífica, na altitude de 82000 pés é possível ver toda curvatura terrestre, bem como o reflexo da luminosidade que o sol irradia no planeta, acima do ombro já é possível observar um céu escuro, em pleno dia, que contrasta corretamente com o que vemos na parte inferior da aeronave. Ah, o grande canopy do avião amplia bastante essa sensação descrita acima.

Assim como você já imaginou, as especificações de voo não são empolgantes devido ao tipo de propulsão, que não pode jorrar energia abundantemente, e a hélice, que limita bastante a performance.

Porém a fabricante do SolarStratos compensou isso através da aerodinâmica, a asa da aeronave é muito grande, mede 24,8 metros, esse espaço todo também é aproveitado para incorporar um grande painel solar, de 22,11 m², que recarrega as baterias e aumenta a autonomia de voo, e proporcionar mais de 24 horas no ar.

O motor elétrico de 32 KW é responsável por tocar uma hélice de quatro pás e assim propulsionar o avião elétrico para uma velocidade não muito alta.

Claro que para voar nessa altitude enorme os pilotos precisam quase virar astronautas, como o corpo da aeronave não é pressurizado, os dois pilotos deverão usar trajes espaciais, li-te-ral-men-te. Só dessa forma é possível manter a pressão, temperatura e oxigenação ideal, sem o uniforme adequado os pilotos morreriam ao tentar subir demais e, portanto, congelar na temperatura de -70º C, muito comum no perto do limite da estratosfera (82000 pés).

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O trabalho é ainda mais arriscado, caso o uniforme entre em pane a aeronave não tem nenhum paraquedas de reserva para uso dos pilotos, mas a enorme envergadura pode ajudar na velocidade de planeio até um local seguro para pouso, juntamente com o baixo peso da aeronave, que mesmo com esse tamanho todo registra leves 450 kg.

 

Painéis solares

Um avanço notável do SolarStratos são os painéis solares, que permitem o voo por até 24 horas sem escalas para um “reabastecimento de energia”. Observando de perto podemos ver que as células de captação de luz são incorporadas na mesma estrutura que caracteriza o perfil da asa.

Ao todo são 22,11 metros quadrados de placas, como citado acima, com eficiência média de captação entre 22% a 24%, um pouco acima da registrada por placas solares residenciais, aliás, a falta de atmosfera durante o voo contribui para a maior eficiência das placas.

Esse grande painel tem uma desvantagem, ele acrescenta 80 kg ao peso da aeronave, que é diretamente compensado pelo recarregamento das baterias, que são feitas de Lítio-Íon, com 20 kWh de armazenamento, no total.

 

O voo

O SolarStratos levará duas e meio, em média, para subir até 82 mil pés. O voo nivelado ideal dura apenas 15 minutos na estratosfera, porém pode ser prolongado dependendo da missão do voo, a descida demora entorno de três horas.

Na cabine viaja um piloto e mais um turista espacial, ou um passageiro. 

 

*As fotos acima representam uma perspectiva de voo do SolarStratos na estratosfera.

 

Primeiro voo

O primeiro voo ocorreu no dia 5 de maio, a aeronave decolou nos arredores de Payerne, na Suíça, e fez um curto voo de sete minutos, com uma altitude média de 300 metros (1000 pés). Números bem modestos para a performance final da aeronave.

O piloto de testes, Damian Hischier, assumiu o comando da aeronave durante todo esse período. A aeronave também realizou testes de taxiamento, para ajudar na aferição de performance antes do primeiro voo. O Serviço Federal de Aviação Civil da Suíça emitiu uma “autorização para voar” após esse procedimento realizado no protótipo de testes.

Quando o avião alinhou para decolagem não havia registros de ventos no local, aliás, com uma estrutura leve e enorme envergadura, o SolarStratos não poderia ser atrapalhado por uma forte rajada. Toda a equipe da empresa estava acompanhando os detalhes desse momento, todos acreditavam na eficiência do piloto de testes, bem como do avião.

Os engenheiros ficaram em solo aferindo os dados recebidos à distância e se comunicando com o piloto pelo rádio. 

Agora a SolarStratos encaminhará para fazer o primeiro voo na estratosfera em 2018, após evoluir em inúmeros pontos que um projeto totalmente inovador precisa. Porém a equipe responsável pelo projeto é experiente e capaz de contornar todos os problemas encontrados.

 

Veja um vídeo sobre a aeronave abaixo:

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About the author

Pedro Viana

Pedro Viana

Acadêmico de Engenharia Aerospacial - Editor de foto e vídeo - Fotógrafo - Aeroflap

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