Esta última semana foi marcada pelo eclipse solar que ocorreu nos Estados Unidos, e observado parcialmente por outros países do Continente Americano, foi o efeito astral com maior movimentação por parte da mídia e órgãos científicos, como a NASA, que armou várias estratégias para conseguir acompanhar o eclipse com todos os seus detalhes, até a Estação Espacial registrou o fenômeno fora do planeta.

Mas as companhias aéreas também conseguiram proporcionar uma grande oportunidade para os seus clientes observarem fora do chão como é um eclipse solar. A Southwest disponibilizou uma lista de voos que passariam pela área do eclipse, mas a Alaska Airlines foi mais longe e planejou tudo do zero, e fez um voo só com essa finalidade.

Toda a rota foi planejada pela companhia, a 35 mil pés o problema era o ângulo de visão do fenômeno, então novos cálculos foram realizados para saber onde e como os passageiros poderia acompanhar o eclipse.

De acordo com a companhia “colocar um voo no caminho do Grande Eclipse Americano não era realmente uma questão de se, mas como”. Para a companhia o que vale é a sorte de estar no lugar que vai acontecer o fenômeno, já que o mesmo acontece a cada 16 meses, porém, em várias partes do planeta Terra.

 

Cálculo da Rota

Foto – Ingrid Barrentine/Alaska Airlines

O primeiro problema enfrentado pela Alaska Airlines é que ela devia fazer um encontro entre a aeronave e o eclipse, o problema é que a sombra se movimenta a 4000 km/h, enquanto a aeronave tem velocidade de 815 km/h.

Com essa grande diferença a aeronave deveria chegar antes na área do eclipse total, como uma forma de garantir a perfeita visão do fenômeno pelos passageiros. Pena mesmo é não ter um teto panorâmico nessa situação, quem sabe com aquela invenção maluca talvez consigam no futuro.

Para fazer isso a Alaska convocou dois pilotos com bastante experiência, entre eles o capitão Brian Holm e o astrônomo Glenn Schneider, para planejar como seria a rota da viagem e submeter isso para a FAA.

Schneider acompanhou 33 eclipses totais desde a década de 70, com base nisso ele desenvolveu um software na década de 1990 capaz de fazer cálculos para estimar a posição do eclipse em cada ponto da Terra.

 

Pergunta nº1 – Onde está o Sol?

Teoricamente o Sol deve ficar parado, em relação ao nosso Sistema Solar, apesar de que algumas pessoas não acreditam nisso. Mas ele realmente está parado, a Terra que roda em seu próprio eixo, e como não estamos no dia 23 de setembro, ela ainda está inclinada, para piorar a equação.

A inclinação do eclipse e da Terra afeta diretamente o ângulo de visão do fenômeno a partir da janela dos aviões. E para isso a equipe da Alaska Airlines fez uma série de medidas em um Boeing 737-900ER para determinar se o fenômeno seria visível a partir da limitada janela, não é possível visualizar com um ângulo maior do que 30º acima do horizonte, e isso se tornou uma limitação do voo.

 

Pergunta nº2 – Onde o avião precisa estar?

Sabendo todas as características do avião e do fenômeno, a equipe da Alaska Airlines começou a fazer a rota definitiva. Todo o cálculo do lugar em relação ao ângulo de visão do Sol foi feito por Schneider, através do seu programa, incluindo o ângulo de visão necessário, a velocidade estimada da aeronave, a altitude de cruzeiro e as velocidades de vento na atmosfera superior.

De acordo com Schneider, identificar esses pontos é a parte fácil. Como ele disse com ligeira tranquilidade, “a mecânica celestial vai fazer o que eles precisarão fazer”.

Foto – Ingrid Barrentine/Alaska Airlines

Mas esses pontos não estavam perto nenhum lugar, já seria dia, com Sol a pino nos EUA na hora do eclipse. Para pegar o eclipse no lugar e na hora corretas, Andersen e Holm teriam que pilotar o 737 NG a partir de Portland, voando por algumas horas na costa oeste dos EUA, antes de retornar para onde começaram. Talvez o voo mais longo da Alaska Airlines indo em direção ao oeste.

Depois que os dados foram submetidos a liderança do Alaska deu o OK para fazer o voo acontecer, tudo isso em menos de 24 horas. Agora era uma questão de planejamento, preparação e habilidade de pilotagem.

O plano de voo da Alaska Airlines é basicamente o mapa acima, vemos que o grande problema seria a precisão milimétrica da rota, se tudo desse certo os passageiros poderiam ver o eclipse totalmente por 1 minuto e 43 segundos, contando com o fato de que a aeronave está voando a 815 km/h, acompanhando a rota.

Caso algo desse errado os passageiros não poderiam ver o eclipse totalmente, ou pelo menos acompanhariam alguns segundos do fenômeno em sua máxima totalidade.

É certo que havia outra tentativa, caso algo errado fosse estimado antes do encontro com o eclipse, mas o ângulo de visão para um avião perto da costa oeste não seria tão perfeito como parece.

 

Os passageiros

Foto – Ingrid Barrentine/Alaska Airlines

Felizmente o plano traçado deu totalmente certo. Antes do momento os comissários distribuíram óculos especiais para os passageiros do voo.

Após o anúncio do piloto na cabine os passageiros começaram a fazer uma contagem regressiva para ver o eclipse totalmente, o corredor da aeronave lotou na hora, todos queria ver um pouco do fenômeno, três assentos separavam os passageiros que estavam do lado contrário e que agora ocupavam o corredor.

Foto – Ingrid Barrentine/Alaska Airlines

E assim, o momento acabou. Sol e lua continuaram em direção à costa, deixando para trás um elenco impressionado de caçadores de eclipses ansiosos para pousar em Portland e compartilhar sua aventura com o mundo.

Depois disso a aeronave retornou para Portland, local de onde partiu cinco horas antes. Quase dois minutos na totalidade de um eclipse solar a 38000 pés. Um momento livre de nuvens e névoa, apenas a atmosfera mais fina entre eles e o fenômeno.

No final a companhia ainda disse “Como convidado do voo, você nunca adivinharia as centenas de e-mails, cálculos, gráficos e planos de contingência que transformaram o Great American Eclipse Flight em um plano viável.”

 

Veja só no vídeo abaixo como foi a experiência oferecida pela Alaska Airlines:

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