A questão de ruído também é importante em um avião, principalmente quando relacionamos esse fato com o conforto dos passageiros.

Querendo ou não, boa parte do ruído de uma aeronave também é gerado pela aerodinâmica, ou seja, o vento cortando a fuselagem e as asas, por isso os engenheiros também cuidam do tratamento aerodinâmico do avião, além de focar na redução do consumo de combustível.

Talvez você já tenha percebido, mas quando o trem de pouso é acionado a aeronave começa a vibrar, e um barulho grave é transmitido para dentro da cabine. Isso tudo é simplesmente a reação do arrasto gerado por colocar uma superfície irregular contra o ar.

E foi exatamente isso que a NASA passou a estudar, seja com simulações em CFD, como da imagem abaixo, ou no túnel de vento. A regra é clara, se há arrasto o consumo de combustível aumenta, esse inclusive é um dos motivos da NASA tentar fazer uma asa para aviões supersônicos sem a camada limite, acredita-se que sem ela o avião ainda consegue gerar sustentação

Mas o caso do trem de pouso é outra situação, muito provavelmente a NASA está tentando descobrir como diminuir o arrasto e tornar o fluxo um pouco mais laminar, por vários motivos: O primeiro é o consumo de combustível em jatos supersônicos, que necessitam de uma velocidade mais alta durante o procedimento de pouso; O segundo é diminuir o ruído em aeronaves de passageiros.

Durante o pouso, quando os motores estão operando em potência reduzida, o ruído da estrutura, incluindo o trem de pouso, pode ser igual ou maior do que o ruído do motor. Não adianta projetar motores mais silenciosos, como os que equipam o A320neo e o 737 MAX, se a aerodinâmica não acompanhar essas modificações.

Podemos ver no vídeo abaixo uma simulação em CFD feita com base no Boeing 777, os vórtices observados são o fluxo turbulento do ar ao redor do trem de pouso, e as cores representam a pressão do ar, indicando onde há mais força sendo aplicada contra a estrutura. Nos locais marcados de vermelho/laranja existe uma pressão maior e menor velocidade, em comparação com o fluxo verde, de menor pressão e maior velocidade.

O que a NASA planeja fazer com essa pesquisa computacional nós ainda não sabemos, mas provavelmente a agência usará para vender royalties à outras empresas do ramo, talvez com um projeto de carenagem que diminua o barulho gerado pelo trem de pouso.

Esses estudos computacionais foram apresentados durante a Conferência Internacional de Supercomputação, que ocorreu de 13 a 16 de novembro de 2016, em Denver, no Colorado.

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Pedro Viana

Acadêmico de Engenharia Aerospacial – Editor de foto e vídeo – Fotógrafo – Aeroflap