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Para a Caça – Senta a Pua Brasil

Foto - Sgt. Johnson/Força Aérea Brasileira

Hoje se comemora o dia da Aviação de Caça no Brasil. O motivo no qual essa data é lembrada? Pois bem, aconteceu durante a 2º Guerra Mundial sobre os céus da Itália, onde a FAB fez bonito seu papel.

No dia 22 de Abril de 1945, na base brasileira em Pisa, na Itália, ocorreu algo considerado heroico. Liderados pelo então comandante da Esquadrilha Brasileira, com seus P-47 Thunderbolt, estava o Tenente-Aviador Meira, ele com mais 17 pilotos brasileiros estavam escalados para missões de ataque à pontes, que eram estratégicas para as Forças Alemãs. Ao todo, durante esse dia de 22 de abril, foram feitas 11 missões pelos combatentes brasileiros a bordo do famoso caça P-47 Thunderbolt.

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Esse feito foi único e reconhecido inclusive internacionalmente, não é tão simples realizar em apenas um dia 11 missões. Durante essas missões os pilotos realizavam até três missões por voo, em uma delas o então capitão Coelho teria tido seu avião abatido e saltado de paraquedas em território inimigo, o capitão acabou sendo preso pelos alemães.

Caças P-47 também conhecidos pela Bolacha “Senta a Pua!”. Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

Esse é o motivo de se comemorar o Dia da Aviação de Caça, por esse feito incrível dos pilotos brasileiros nos céus italiano durante a Segunda Guerra. Vale lembrar e ressaltar também o trabalho do Tenente Dormelles, que no dia 23 de Abril havia sido abatido e morto em combate, ao todo o Tenente Brasileiro havia realizado 89 missões na 2ª Guerra.

Após essa breve história sobre o motivo do Dia da Aviação de Caça volte os olhos para o que hoje é a nossa aviação de caça, mas para falar do presente temos que voltar um pouco no passado. O então 1º Grupo de Aviação de Caça (que foi o que lutou nos céus da Itália na 2º Grande Guerra) é ativo até hoje na BASC (Base Aérea de Santa Cruz-RJ).

 

Dassault Mirage III

Foto – Força Aérea Brasileira/Via Flickr

O início da aviação de caça no Brasil de alto desempenho começou em outubro 1972, com a chegada da primeira aeronave supersônica brasileira, o Dassault Mirage III. A aeronave era capaz de voar a Mach 2, ou seja, 2 vezes a velocidade do som.

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Assim que chegaram, os novos vetores de defesa aérea brasileira tinham uma nobre missão, que era a proteção do espaço aéreo do Planalto Central, sobre tudo a Capital Federal (Brasília). Para isso foi construída uma base para abrigar o recém-adquirido Mirage 3, o local da base foi à cidade de Anápolis-GO, cerca de 170 km de Brasília. Ao longo de 33 anos o Mirage III operou no Brasil e no ano de 2005 foram enfim aposentados. 

 

Northrop Grumman F-5 Tiger

No mesmo ano a FAB adquiriu outro caça supersônico, o norte-americano Northrop F-5, porém esse não voava no Mach 2, comum para o Mirage III caso precisasse, mas mesmo assim mantinha um grau de agilidade.

O caça norte-americano foi comprado de segunda mão, alguns vindo dos EUA e outros da Jordânia. Com mais de 30 anos de operação no Brasil, precisavam de uma modernização, já que o novo e moderno caça da FAB ainda não havia sido escolhido. Então a Embraer se empenhou em modernizar toda a frota de caças F-5 da FAB, reformulando toda aviônica da aeronave, tornando os comandos e o cockpit atual alinhado aos caças de 4ª geração.

Atualmente 3 bases no Brasil e 3 esquadrões operam o F-5EM/FM (Designação feita após a modernização da aeronave pela Embraer). São eles o 1º/14º GAv sediado em Canoas RS, o 1º/1º GAv sediado em Santa Cruz-RJ e o 1º/4º sediado em Manaus-AM. A Base Aérea de Anápolis também opera com caças F-5EM, através do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), o Esquadrão Jaguar (foto acima).

 

Dassault Mirage 2000C/B ou F-2000

Com a aposentadoria do Mirage 3 é mais uma vez o adiamento do programa F-X (programa que visava a aquisição de um caça moderno para a FAB). O Brasil, em 2005, comprou da França 12 caças Mirage 2000C/B para substituir o “irmão” em Anápolis-GO. O então “novo” caça da FAB também voava a Mach 2, tinha uma aviônica mais moderna e poderia ser reabastecido em voo.

A vida útil do Mirage 2000 foi relativamente pequena no Brasil, tendo sido tirado de operação em dezembro de 2013. A BAAN (Base Aérea de Anápolis) estava sem caça. Como a FAB tem um lote maior de F-5EM (único caça supersônico atual da FAB), a base é composta por caças F-5 que garantem a segurança do Planalto Central.

Porém os narigudos (como são conhecidos na FAB) serão substituídos pelos novos vetores de Defesa Aérea da FAB. O vencedor do programa FX-2, Saab Gripen NG.

 

A-1 AMX

Outra aeronave a reação que faz parte da história da nossa aviação de caça é o AMX, jato esse de fabricação italiana, porém foi autorizada a construção em parceria com Embraer aqui no Brasil.

O AMX, ou A-1 como foi designado pelo FAB, é uma aeronave voltada a missões de ataque ao solo, é uma aeronave de asa semi-alta, ágil, porém subsônica. Atualmente no Brasil apenas 2 Esquadrões que operam o A-1, são eles: O Esquadrão Poker e o Centauro, ambos no sul do país. Até o ano passado o Esquadrão Adelphi (1°/16° GAV) operava com o A-1 e A-1M na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro.

O 1º/16º Esquadrão Adelphi foi temporariamente desativado, o esquadrão foi o primeiro a receber o A-1M (O M é a designação de modernizado, uma vez que o AMX está em processo de modernização pela Embraer). A esperança é que o Esquadrão Adelphi volte às atividades, porém em uma nova base e com uma nova aeronave, o Gripen NG.

 

Embraer 314 A-29 Super Tucano

O Super Tucano é uma aeronave de ataque leve projeta pela Embraer. Cumpre missões de patrulha, treinamento de futuros pilotos de caça, defesa aérea, sobre tudo nas fronteiras do Brasil e atualmente é a aeronave do EDA (Esquadrão de Demostração Aérea), mais conhecido como Esquadrilha da Fumaça.

No requisito treino de futuros pilotos de caça, o A-29 cumpre a missão de voos em formação, manobras de escape e ataque e simulação de combate aéreo. O esquadrão responsável por formar os futuros pilotos de caça é o Joker, sediado em Natal-RN.

Nas missões de defesa aérea os A-29 estão espalhados por bases estratégicas no Brasil. Ao todo temos 3 esquadrões que operam o caça de ataque leve A-29, são eles: O Grifo; o Escorpião; e o Flecha. Os Super Tucano cumprem um papel fundamental que é o combate ao tráfico de drogas nas regiões de fronteira, no qual são utilizados muitos aviões de pequeno porte para a prática criminosa. A FAB já fez missões reais de interceptação de aeronaves que traficam drogas entre os países vizinhos e o Brasil, com os A-29.

Outro aspecto forte do Super Tucano é a boa venda da aeronave para mercados do exterior, o que demostra a forte presença da Embraer no cenário mundial, bem como o reconhecimento internacional da aeronave. 

 

Nova Era da Aviação de Caça no Brasil

Foto – Saab AB

Com o desenvolvimento do SAAB Gripen NG, a Força Aérea Brasileira, terá um caça moderno e mais importante podendo ser construído no Brasil.

O grande saque do programa F-X2 era a transferência de tecnologia, o que de fato era de interesse do Brasil, com isso nos podemos nos capacitar ainda mais para o desenvolvimento do Gripen NG e quem sabe a construção de um caça totalmente nacional no futuro.

Cerca de 40% do Gripen NG poderá ser construído no Brasil e a Embraer fará parte disso. Ao todo o Brasil terá inicialmente 36 lotes do novo caça e a primeira base a receber o novo vetor será a Base Aérea de Anápolis no GO. Ainda se espera que o esquadrão Adelphi volte suas operações já com o Gripen na base em questão.

 

Outras aeronaves a reação que passaram pela FAB

Antes da chegada dos Mirage 3, F-5, AMX e Mirage 2000, a Força Aérea Brasileira operou as seguintes aeronaves:

• Gloster Meteor

• Lockheed F-80

• Cessna A-37

• Embraer AT-26 Xavante (Operou por muito tempo como caça de treino na formação dos pilotos de caça da FAB. Hoje o treino e a especialização são feita no Embraer 314, o A-29 Super Tucano).

 

Um parabéns especial da Equipe Aeroflap para todos os envolvidos na aviação de caça, não apenas aos pilotos, mas ao pessoal de solo, aos mecânicos e especialistas armamentos.

Desde a 2º Grande Guerra a FAB faz história. Sim, o Brasil não é um país de conflitos nem tem os melhores caças, porém a dedicação e profissionalismo por parte dos militares é um grande ponto positivo da nossa Força Aérea, uma prova são os resultados positivos na Cruzex e na Red Flag. Um salve aos caçadores do Brasil e um Grito de Guerra que ecoa desde 1944 – “Senta a Pua!!”.

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About the author

André Magalhães

André Magalhães

Redator da Aeroflap - Jornalista com foco em aviação e fanático por Aviação Militar - Fotógrafo/Spotter

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