O Caravelle é um clássico da indústria aeronáutica, ele foi um dos primeiros da era jato e revolucionou os voos de curta distância (já que o mesmo não tinha muita autonomia).

Mas antes de iniciar essa curiosidade é bom dar uma rápida passada pela história do motor CFM56, e também do Caravelle.

Na década de 70 os grandes jatos (747) já usavam os conceitos de motores turbofan High bypass, com maior economia de combustível, enquanto isso os pequenos jatos, como o 737-200 e o DC-9, ainda utilizavam propulsores com maior gasto de combustível.

Mas isso mudou através de uma evolução também dos “pequenos propulsores”, a GE estava interessada no mercado, juntamente com a Snecma, uma empresa francesa que já fabricou até mesmo o motor Olympus 593 do Concorde, em parceria com a Rolls-Royce. E para isso eles criaram a CFM Internacional, uma joint-venture capaz de cuidar do desenvolvimento desse motor, juntando a ampla experiência da GE e Snecma.

Em 1974 surge o primeiro CFM56, um motor que todos nós conhecemos hoje por equipar aeronaves como o Boeing 737 (exclusivamente), e o Airbus A320. Mas a primeira intenção da CFM era fornecer esses motores para equipar uma versão atualizada do DC-8 e 707, reequipando também os aviões que ainda estavam em serviço.

O primeiro teste do motor foi realizado em 1974, ainda em solo, seguido por outros no mesmo ano. Mas o primeiro voo do CFM56 foi com a aeronave McDonnell Douglas YC-15, um projeto de avião militar cargueiro oferecido para a USAF, porém não aceito.

Depois dos testes no YC-15 a Snecma usou uma solução “de casa”, a empresa pegou um Sud Aviation Caravelle com bastante idade e colocou somente um motor CFM 56 na aeronave, como na foto em destaque desse artigo. À primeira vista parece muito estranho, pois o motor Rolls-Royce Avon tem o formato de charutinho, com pouca área frontal.

Também os dois motores apresentavam uma assimetria de empuxo, visto que o Rolls-Royce gera até 16100 lbs, enquanto o CFM56 gera mais de 22000 lbs. Mas deste jeito, e com os cuidados dos corajosos pilotos de testes, o Caravelle voou em 1977 para completar seu primeiro voo de testes com o CFM56.

Esse CFM56 também ganhou novas atualizações, o duto de derivação ficou mais longo, significando maior espaço entre a entrada de ar do motor e o fan frontal do mesmo, na parte traseira o escape era misto, ao invés de separar os fluxos como no motor do Boeing 747-100, criando a principal característica do motor CFM56 conhecido atualmente.

A diferença de potência entre os dois propulsores foi controlada por um sistema chamado “Thrust Management System”, criado pela CFM para uso em testes, assim ela poderia equipar qualquer avião de testes com o CFM56, inclusive o KC-135 da USAF.

Durante toda a década de 80 a CFM também ofertou seu motor para equipar a nova versão do Boeing 737, a Classic, e para o novíssimo A320 da Airbus. A partir deste ponto o motor CFM 56 se tornou um dos mais vendidos na sua faixa de potência.

 

Sucesso de mercado

Há um ano a CFM International realizou um feito importante para a família de motores CFM56, produzindo o motor de número 30000. Ao todo a CFM já entregou mais de 9860 motores para a família de aeronaves Airbus, e mais de 17300 motores para as duas gerações do Boeing 737 (Classic e NG), durante 36 anos.

A família de motores CFM 56 equipa as aeronaves Airbus A318 / A319 / A320 / A321, A318 Elite, A319CJ / A320CJ / A321CJ,  e o A340-200 / -300, além do 737-300 / -400 / -500 / -600 / -700 / -800 / -900 / -900ER da Boeing. O CFM56 também equipa as versões do DC-8 re-motorizado e o KC-135, que é uma versão re-motorizada com base no Boeing 707 e adequado para uso militar.

A CFM já planeja entregar 1900 motores este ano, sendo destes 1400 motores CFM 56 e 500 do modelo Leap-1, para alimentar as aeronaves A320neo, 737 MAX e C919.

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Pedro Viana

Acadêmico de Engenharia Aerospacial – Editor de foto e vídeo – Fotógrafo – Aeroflap