A Rolls-Royce confirmou que já começou o desenvolvimento de tecnologias para o seu novo motor UltraFan, que será lançado por volta de 2025. A fabricante está agora fazendo estudos sobre a caixa de engrenagens do motor, que seria necessária para aumentar a rotação do fan frontal.

Entre os detalhes fornecidos pela Rolls-Royce está a capacidade máxima dessa caixa de engrenagens, que poderá gerar até 100000 lb de empuxo, pelo menos esse é o objetivo que a Rolls-Royce juntamente com a Liebherr-Aerospace precisa atingir. Esse número também é semelhante ao empuxo gerado pelo motor GE9X, em testes pela GE neste momento e que irá equipar o Boeing 777X. A Rolls-Royce também afirmou que esse motor poderá ter um range de potência menor.



A caixa de engrenagens está localizada logo atrás do fan, nessa perspectiva da RR.

A fabricante acredita que incorporando uma caixa de engrenagens em motores maiores seja possível conseguir uma taxa de 15: 1 entre o ar que passa pela área fria e o ar quente, que sofre queima, isso significa que para cada 10 kg de ar aspirado pelo motor, pelo menos 1,5 kg dele passa pela queima, enquanto os outros 8,5 kg são acelerados e geram propulsão sem precisar injetar combustível. Assim é possível conseguir uma economia ainda maior no consumo de JET A-1.

Só para comparação o motor PW1100G, que equipa a família A320neo da Airbus, tem by-pass ratio de 12,5:1, o motor CFM Leap-1A tem 11:1 e o motor mais avançado da Rolls-Royce nesse momento, o Trent XWB tem 9,3:1. o novo motor incorpora criações da Rolls-Royce para o conceito Advanced (uma geração após o Trent XWB), bem como introduz pás de passo variável no fan frontal e elimina completamente a turbina de baixa pressão, restando apenas 2 estágios da turbina de alta pressão e três da turbina de média pressão.

Foto – AviationWeek/Rolls-Royce

A Rolls-Royce ainda espera desenvolver materiais especiais no novo motor para compor o compressor e usará a 4ª geração de materiais compostos no fan frontal. Os componentes leves ajudam na diminuição da inércia do motor, bem como podem ajudar na implementação de um novo sistema de refrigeração dos componentes.

Para desenvolver essa nova tecnologia e dominar o processo de fabricação da mesma a Rolls-Royce abriu a convocação de 200 engenheiros, para trabalharem no centro de pesquisa na Alemanha. Até o fim do ano a Rolls-Royce espera ter resultados relevantes com bases nos testes realizados em solo, sem montar a caixa de engrenagens em um motor.

Motor RR Trent XWB 97, que equipa o A350-1000, repare no maior número de estágios do motor.

Um motor da nova geração que usa caixa de engrenagens é o Pratt& Whitney Pure Power, que equipa as aeronaves da família A320neo, fabricada pela Airbus, a família de aeronaves Embraer E-Jet E2, além do MRJ, da Mitsubishi e o CSeries da Bombardier. Essa foi uma forma encontrada pela P&W de diminuir o número de estágios do motor, e consequentemente o peso e atrito do mesmo.

A Rolls-Royce forneceu suas novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas para a Boeing, no projeto MOM que já está ganhando grande visibilidade na mídia internacional, esse novo projeto da Boeing seria para uma aeronave mais econômica do que o 787 com capacidade para transportar entre 200 a 280 passageiros, e voar por até 9700 km sem escalas. A United Airlines já demonstrou interesse nesse novo projeto.