Naves espaciais reutilizadas não são uma nova espécie de aparelhos em nosso planeta, o auge disso ocorreu durante o período que a NASA operou o Space Shuttle para realizar suas missões espaciais, entre a década de 80 e a qual vivemos atualmente, mas infelizmente em 2011 o último voo do Ônibus Espacial foi realizado, e hoje o mesmo é somente peça de museu (belíssima pelo visto).

Elon Musk já foi o cara por propor e usar um foguete reutilizável, o primeiro estágio do Falcon 9 pousa atualmente em “qualquer lugar”, em uma balsa marítima ou na plataforma terrestre, tudo isso automaticamente com vistoria de centenas de engenheiros da SpaceX em tempo real. O foguete Falcon 9 é incrível, mas ainda neste ano veremos 3 estágios do mesmo pousando juntos, porém estes pertencerão à Falcon Heavy, o foguete de gente grande da SpaceX.

Pois bem, neste sábado, às 17h07 (horário da Flórida), o foguete Falcon 9 foi lançado do mesmo local onde por anos o Space Shuttle foi ao espaço pela NASA, e também pela mesma plataforma onde ocorreu o histórico lançamento da Apollo 11 (That’s one small step for a man, one giant leap for mankind). E o melhor, esse foi o 100º lançamento realizado na plataforma Complex 39A, que fica no Centro Espacial John F. Kennedy que fica na região de Cabo Canaveral.

Cápsula Dragon após reentrar na atmosfera terrestre. Foto – SpaceX

No Falcon 9 estava uma cápsula Dragon Cargo reutilizado, ou seja, uma cápsula que já foi para o espaço, reentrou na atmosfera e agora foi reutilizada pela SpaceX para realizar outra viagem até a Internacional Space Station (ISS), a primeira missão dessa cápsula foi em setembro de 2014. Ela levou cerca de 2700 kg de carga para a ISS, com suprimentos para astronautas e também para os experimentos realizados por lá.

*A parte engraçada é que dentro da Dragon que subiu neste sábado há 20 ratos, 400 moscas e 2000 ovos, para estudos no espaço. 

Cerca de 10 minutos após o lançamento, o Falcon 9 separou-se da sua cápsula de carga, e virou rotina… Os engenheiros da SpaceX pousaram o primeiro estágio do Falcon 9 novamente em uma plataforma terrestre.

A Dragon ficará na ISS por cerca de um mês, antes de retornar à Terra, a reentrada da cápsula setá no Oceano Pacífico. Nesta segunda-feira o braço robótico da Estação Espacial deverá se conectar à Dragon e acoplar a cápsula na estação.

 

Próximas missões

As próximas missões da SpaceX são:

  • Dia 15 de junho, levando o satélite BulgariaSat 1;
  • Dia 25 de junho levando 10 satélites Iridium Next (veja mais clicando aqui);
  • Dia 1º de julho levando o Intelsat 35e;

Há mais 3 missões em julho para levar os satélites SES 11/EchoStar 105, Koreasat 5A e Formosat 5. Em agosto a SpaceX já marcou 2 missões, uma para levar suprimentos para a ISS e outra para enviar mais 10 satélites Iridium Next.

Finalmente em setembro de 2017 está marcado para ser o primeiro voo do Falcon Heavy, em data ainda não divulgada pela SpaceX.

 

Porque reutilizar?

Foto – SpaceX/Reprodução

O combustível é o menor dos custos no lançamento de um foguete, apesar do mesmo demandar uma quantidade grande oxigênio líquido e querosene (no caso do Falcon 9). Mas as estruturas do foguete e a tecnologia usada compõem boa parte do custo de fabricação de um, por isso é importante reutilizar.

A SpaceX só conseguiria diminuir os custos de lançamento se conseguisse reaproveitar as estruturas de um foguete, e ela conseguiu, atualmente a SpaceX já usa estágios do Falcon 9 reaproveitados, e agora aproveita também as cápsulas de lançamento, isso significa que quase 80% de um foguete Falcon 9 retorna para a Terra, após o seu lançamento.

Com as cápsulas Dragon 2, que tem retrojets, a SpaceX conseguirá fazer um pouso suave em Terra firme, diminuindo o número de estruturas necessárias na cápsula e evitando que a mesma entre em contato com a água salgada do mar, veja mais sobre isso abaixo.

 

Vídeo: Transmissão ao vivo do lançamento (veja a partir de 29:00)

Vídeo: Teste da Cápsula Dragon V2

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