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Você sabe como a Esquadrilha da Fumaça consegue escrever no céu?

O segredo foi finalmente revelado, algo que muitas pessoas sempre se perguntaram é como sete aviões conseguem escrever no céu. A Esquadrilha da Fumaça finalmente respondeu como ela consegue realizar esse procedimento a vários metros de altura.

 

Confira a explicação direto da Esquadrilha da Fumaça:

Afinal, como são feitas as escritas?

A demonstração nem começou ainda, e você está naquela ansiedade de ver as sete aeronaves cruzarem baixo sobre a sua cabeça, com o ronco marcante dos turbo-hélices. Então, o locutor chama a sua atenção para que olhe para o alto e, ainda sem entender muito bem o que está acontecendo, repara nos primeiros traços, que logo formam letras e, então, uma homenagem com o nome da sua cidade escrita. Mas como?

A uma altura de aproximadamente 8000 pés (mais ou menos 2440 metros), as sete aeronaves se posicionam na formatura “linha de frente”, ou seja, uma ao lado da outra, a uma distância de três metros. Cada uma das sete aeronaves libera e para de liberar pequenas quantidades de fumaça, é como se cada avião fosse soltando pequenos traços. Visto à distância, ou melhor, a mais de 2400 metros de distância, aos olhos do público fica visível o conjunto todo da obra, os traços formados por cada um, um do lado do outro, somados, formam as letras. E são gigantes: cada uma tem mais ou menos 100 metros de altura! É como se cada letra daquela ali, formando o nome da sua cidade, fosse do tamanho de um campo de futebol!

Uma vez posicionados em linha de frente, todos a uma velocidade 370km/h (200 nós), o líder comanda aos outros pilotos, via rádio: “Para a escrita: 3, 2, 1…Já!”. E, então, todos simultaneamente dão o primeiro comando na aeronave para começar a liberar a fumaça.

Foto - Esquadrilha da Fumaça/Reprodução
Foto – Esquadrilha da Fumaça/Reprodução

O processo é computadorizado

Mas é só o primeiro comando que o piloto precisa executar ao pressionar um botão no manche. A partir deste momento, as sete aeronaves estão sincronizadas e, como numa orquestra, cada um vai executar somente a sua função, tocar a sua parte. Porém, assim como uma música, o público verá a obra completa.

O que pode ser escrito? Qualquer coisa que se queira escrever! Mas não é interessante que sejam frases longas senão, ao final dela, a fumaça começa a se dissipar antes mesmo da frase ser completada. E se uma letra, sozinha, tem mais ou menos 100 metros de altura, então qual o comprimento da escrita toda?! Para que se tenha uma ideia, a escrita “Rio 2016”, mais os aros olímpicos, tem aproximadamente três quilômetros de extensão!

 

É preciso planejar o que será escrito

E como a aeronave sabe o que será escrito? É tudo na hora? Claro que não… Toda missão, seja ela qual for, é planejada nos mínimos detalhes. E, como a escrita é geralmente uma homenagem que será vista por milhares de pessoas, há um cuidado muito grande na escolha, geralmente envolvendo o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, a Seção de Operações e Seção de Comunicação Social da Esquadrilha da Fumaça.

Não sei se você sabe, mas o A-29 Super Tucano é uma aeronave totalmente computadorizada e possui um software que realiza a interface entre o avião, piloto e mecânicos. A Embraer, fabricante do Super Tucano, desenvolveu em 2013 um software chamado PROESA (Programador de Escrita Aérea) exclusivo para a Esquadrilha da Fumaça, para que as escritas pudessem ser planejadas e, com um DTC (Data Transfer Cartridge – semelhante a um pendrive), o texto ser inserido no software da aeronave.

Foto - Esquadrilha da Fumaça/Reprodução
Foto – Esquadrilha da Fumaça/Reprodução

Ainda no seu computador, um oficial da Seção de Operações da Esquadrilha da Fumaça verifica quantos caracteres e quanto tempo serão necessários para que a escrita seja executada. Por exemplo: “Força Aérea Brasileira” possui 20 caracteres e demora 51 segundos para ser escrito; “Pátria Amada Brasil” possui 16 caracteres e precisa de 50 segundos para ser escrito; “Esquadrilha da Fumaça” tem 19 caracteres e demora 51 segundos; “Unidos contra o Aedes” (como fizemos no Rio de Janeiro em fevereiro de 2016) tem 18 caracteres e precisou de 49 segundos.

Pronto: frase definida, carrega-se o DTC com esses dados que, por sua vez, são transferidos ao computador do A-29 por um dos Anjos da Guarda. Cada DTC é capaz de carregar até 12 frases, ou seja, é possível realizar até doze diferentes escritas no mesmo voo. Interessante ressaltar que todos os aviões são carregados com as mesmas informações, cabendo ao piloto informar ao sistema qual é a posição de sua aeronave na escrita e qual a frase escolhida para aquele momento.

 

História

Hoje, com os modernos A-29, o processo de escrita é computadorizado, mas nem sempre foi assim. Aliás, a primeira escrita que a Esquadrilha da Fumaça fez foi sobre Copacabana, em 1956, com quatro aeronaves NA T-6. Sabe o que escreveram? – “FAB”. Isso mesmo… três letrinhas deram início a uma marca registrada do Esquadrão, um dos únicos militares do mundo com a técnica de escrita matricial.

Foi na era do T-27 Tucano que o processo ficou sistematizado, criado por um Anjo da Guarda do próprio Esquadrão por meio de um CLP – Controle Lógico Programável – que, acoplado à aeronave, controlava a abertura e fechamento da válvula do sistema de Fumaça.

Agora que você entendeu como são realizadas as escritas, diga pra gente: o que você escreveria se tivesse sete aeronaves A-29 e um céu azulão à sua disposição?!

 

 

Via – Esquadrilha da Fumaça

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Redação Aeroflap

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