24 Horas – Voando do Brasil aos Estados Unidos durante a pandemia de COVID-19

Foto - Boeing/Divulgação

Bom dia pessoal, eu sou Ricardo Fenelon, sócio do Fenelon Advogados e colunista de Direito Aeronáutico da Aeroflap. Hoje vamos ter um Flight Report especial, realizando voos domésticos em países distintos, e um voo internacional entre o Brasil e os Estados Unidos, em uma rota de Brasília para Washington (EUA) com duas conexões.

Durante esse Flight Report você vai acompanhar como está sendo voar durante a pandemia, os procedimentos adotados pelas companhias aéreas e mais detalhes como o serviço de bordo e operações de embarque e desembarque.

Os voos serão os seguintes:

Companhia AéreaNº do VooRotaAeronave
GOLG3 2835BSB -> GRUBoeing 737-800
UNITEDUA 63GRU -> IAH (Houston)Boeing 787-9
UNITEDUA 1215IAH -> IAD (Washington D.C.)Boeing 737-700

 

Infelizmente, tive que comprar em reservas separadas. A United tem parceria com AZUL, que só está voando para Campinas, e eu não queria fazer mais um deslocamento durante essa viagem, que vai demandar duas conexões.

Destaque para o voo da GOL Linhas Aéreas, que decola daqui poucas horas, e a partir de então vocês vão acompanhar todo o deslocamento em tempo real aqui nesta publicação.

Então já estou torcendo para o primeiro voo não atrasar, porque a conexão em Guarulhos não é tão longa assim, são 2 horas e 30 minutos em solo, aproximadamente.

E vamos ao primeiro vídeo sobre esse Flight Report especial:


 

Atualização – 17h00

Neste momento estou pronto para seguir até o aeroporto, sempre equilibrando a antecedência com a quantidade de tempo fora de casa, aliás, o aeroporto pode ser um local movimentado, logo não é muito aconselhado ficar durante um grande período exposto no local.

A mala de mão é mínima, com um kit básico de limpeza e máscaras extras. Isso pode agilizar os processos de conexão, além do embarque e desembarque nos voos.

 

Atualização – 19h00

Siga – @ricardofenelonjunior

Na chegada para fazer check-in do primeiro voo, entre Brasília e São Paulo (Guarulhos), encontrei o local totalmente vazio, que exemplifico no vídeo abaixo.

Instalaram um painel de vidro no balcão de check-in, parecido com banco mas aberto nas laterais, para proteger passageiros e atendentes.

Vale ressaltar sempre a viagem com a proteção por máscara e óculos.

Demorou menos de 1 minuto no raio-x, mas antes disso algo interessante, a Inframérica instalou uma câmera que mede a temperatura dos passageiros e alguns técnicos ficam monitorando, com finalidade de detectar possíveis casos sintomáticos de COVID-19.

Na área de embarque encontramos uma concentração um pouco maior de pessoas, porém todas viajando com máscaras, e aparentemente bem instruídas. Destaque na galeria abaixo para a quantidade de lojas fechadas, praticamente só há opções de alimentação disponíveis no local.

Onde pode haver uma provável formação de filas, há indicações para manter uma distância de 2 metros entre as pessoas.

Após passar pela área de embarque segui direto para a aeronave, o embarque foi super rápido, assim como o check-in. O avião não estava muito vazio, segundo a comissária POB, cerca de 115 passageiros a bordo.

A aeronave de hoje é um Boeing 737-800, de matrícula PT-GTH e fabricado em 2006.

Neste momento voando, sempre conectado no Wi-fi da Gogo, a uma altitude de 33.000 pés e velocidade de aproximadamente 765 km/h. Voo tranquilo, algumas nuvens e turbulência leve.

 

Atualização – 22h00

Primeiro voo, de Brasília para Guarulhos, foi totalmente concluído. Destaco aqui que foi super tranquilo, pela época do ano é difícil encontrar turbulência na rota, e praticamente na maior parte do voo o tempo estava CAVOK.

O pouso foi executado pela cabeceira 27R do Aeroporto de Guarulhos, uma pista de 3700 metros, mais do que suficiente para o Boeing 737-800 da GOL.

Como o tráfego aéreo diminuiu muito, o voo foi super rápido, e a rota bem direta, 1h14 de voo aproximadamente. Vamos correr aqui para não correr risco de perder a conexão para o voo de Guarulhos até Houston.

 

Atualização – 00h00

Lembre-se. Está fora de casa? Utilize máscara.

Na chegada em Guarulhos, o Terminal 2 estava um pouco mais cheio. Longe do normal, mas como tinham alguns voos domésticos e boa parte das companhias estão concentrando os voos aqui, não tava tão deserto quanto Brasília.

Mas o check-in do Terminal do 2 estava completamente deserto. A sensação nos 15 minutos de caminhada entre o T2 e o T3 parecia um lugar abandonado.

O movimento do Terminal 3 não era tão grande, como podemos observar pelas fotos, e praticamente não havia fila para fazer o procedimento de check-in.

O check-in na United Airlines foi excelente, o atendente Tiago Nascimento foi super atencioso e agilizou o processo. Em poucos minutos já estava com cartão de embarque.

Assim como em Brasília, antes do Raio-X também havia medição de temperatura para detectar casos sintomáticos do COVID-19, mas dessa vez era uma pessoa medindo, como vocês podem ver na foto acima.

Todo o processo de raio-x e controle de passaporte não durou 10 minutos, apesar que desde a inauguração do Terminal 3 pela atual concessionária esses procedimentos são bem rápidos.

A sala de embarque também estava sem nenhum movimento. Verifiquei na tela, apenas 5 voos nas próximas 06 horas aqui em Guarulhos.

No momento que escrevo essa parte do relato, estou embarcado no Boeing 787-9 da United Airlines, de matrícula N26960, com apenas cinco anos de uso e comissárias super simpáticas a bordo. Este avião que fará o voo internacional entre Guarulhos e Houston (EUA).

O comandante informou que o tempo de voo será de 9 horas e 38 minutos a uma altitude de cruzeiro de 36000 pés.

Respondendo às perguntas, até agora não realizei nenhuma refeição. No voo da GOL não teve serviço de bordo, que está temporariamente suspenso em razão do COVID-19. E no Aeroporto de Guarulhos não optei por comer nada, mas por opção mesmo, alguns restaurantes estavam abertos.

Boa noite a todos, obrigado por me acompanharem até aqui e volto a dar notícias de Houston pela manhã!

 

Atualização – 08h00

Bom dia! Ainda voando, resolvi pagar US$ 1,99 e conectar no wi-fi via satélite por uma hora, para atualizar esse relato e conseguir enviar mensagens.

Logo no início do voo, o comandante explicou que o voo hoje faria uma rota diferente e seria um pouco mais longo.

Segundo ele, em razão de mau tempo na América Central e ventos de proa muito fortes. Faltam 1h10 e 787 km para Houston e até agora voo tranquilo, apenas turbulência leve em alguns momentos e, claro, aquela balançada tradicional na linha do equador.

Sobre o serviço de bordo, antes de decolar, o chefe cabine avisou que o serviço estava alterado e limitado em razão do coronavírus. Disse que tudo viria lacrado inclusive a bebida. Infelizmente, não tirei foto porque preferi não comer a janta.

Desde o início do voo, a equipe de comissárias foi super simpática, com máscaras divertidas, algumas com desenhos de sorrisos.

Serviço de bordo no café da manhã. Como a rota tem quase 24 horas de duração, desta vez optei por me alimentar.

Para o Café da Manhã, tudo lacrado. Um passageiro ao lado pediu café e a comissária explicou que não estão servindo café nem chá, apenas bebidas em latas ou garrafas plásticas. Mas o meu croissant com queijo derretido e presunto estava sensacional!

Em pouco tempo chego em Houston e continuamos. Curioso para saber se tem algum procedimento diferente na imigração.

Um comentário: Esse Boeing 787-9 ainda está configurado no modelo antigo, não tem a Polaris. São 48 assentos da executiva e 204 na econômica.

O único ponto negativo do voo que encontrei até o momento são as janelas do Dreamliner. A tecnologia é muito legal, não tem aquela “persiana” e sim um botão que escurece a janela. O problema é que a tripulação bloqueia o sistema, e você não consegue “abrir” a janela nem para dar uma espiada rápida lá fora. Pelo menos eu não consegui abrir durante uma boa parte do voo.

Os comissários de voo liberaram as funções da janela durante o café da manhã.

Perguntei no check-in e hoje estamos voando com menos de 90 passageiros, ou seja, com menos de 40% de ocupação.

Considerando que esse voo da United entre GRU e IAH é o único voo diário entre Brasil e Estados Unidos (Latam e Azul voam para Miami, Fort Lauderdale e Orlando em alguns dias da semana), fica evidente a redução significativa no número de pessoas voando.

Nesse sentido, inclusive, alguns especialistas dizem que esses voos de longo alcance devem ser os últimos a serem retomados. Primeiro devem voltar os domésticos e regionais.

Segundo Comentário:

1. Excelente o Wi-Fi da United, foi possível trabalhar, adiantar algumas prazos do escritório e navegar tranquilamente.

2. Senti falta de um detalhe no serviço da United. Não recebi ou vi em nenhum momento nem álcool em gel, nem aqueles lenços antissépticos.

 

Atualização – 12h00

Hora de realizar o voo UA 1215 da United Airlines, de Houston (IAH) para Washington (IAD), hoje operado por um Boeing 737-700 (reparem no “Split Scimitar” Winglets), de matrícula N16709, fabricado há 21 anos.

Já a bordo do 737-700.

Esta é a última perna desta grande viagem no meio da pandemia do COVID-19.

O voo UA 63, de Guarulhos para Houston, teve uma chegada super tranquila, com pouca burocracia e tudo super rápido, tanto na imigração, bagagem e check-in.

Por aqui, não há ninguém medindo temperatura, só muitos cachorros para verificar bagagem, mas que não deve ter a ver com coronavírus, somente a questão anti-drogas como podemos ver nos aeroportos internacionais.

Agora embarco para Washington D.C. (Dulles), com tempo de voo de duas horas e 30 minutos.

 

Atualização – 19h00

Após quase 24 horas de voo, com duas conexões e voando em três aeronaves diferentes, consegui chegar em Washington, nos Estados Unidos, pousando no Aeroporto Internacional Washington Dulles.

Foram duas horas e meia de voo de Houston até Washington. Como padrão o serviço de bordo está totalmente adaptado para o período, com garrafas de água fechadas e com base em alimentos industrializados e prontos, sempre em pacotes fechados.

A United continua tentando manter uma separação social em seus voos, enquanto os aeroportos não receberam muitas adaptações para detectar passageiros com COVID-19.

Eu detalho melhor para vocês no vídeo abaixo:

Aproveitei para gravar um vídeo do pouso no Aeroporto Internacional Washington Dulles, um local bastante dominado por aviões da United.

 

 

Acompanhe em tempo real – Vamos atualizar essa matéria ainda nesta sexta-feira com um texto final e único, em ordem cronológica.

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Ricardo Fenelon Júnior
Ricardo Fenelon Junior é Advogado especialista em Aviação, Infraestrutura e Regulação. Já foi Diretor da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC (2015-2019) e Membro do Brasil no Comitê Jurídico da Organização de Aviação Civil Internacional - OACI (2017-2019). Atualmente é Presidente do Instituto Brasileiro de Direito Aeronáutico - IBAER e Professor de Direito Aeronáutico e Regulação no Instituto Brasiliense de Direito Público - IDP.

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