Foto: Gabriel Melo

A laranjinha mais conhecida dos céus do Brasil iniciou suas operações em 15 de janeiro de 2001. Com um Boeing 737-700 de matrícula PR-GOE, decolando do Aeroporto de Brasília com destino ao Aeroporto de Congonhas em São Paulo. Iniciava a nova aposta do Grupo Áurea da família Constantino.

A GOL iniciou suas operações com 7 Boeings 737-700NG, sendo uma parte deles 0km, vindo diretamente da Boeing. A companhia foi presidida no início por Constantino de Oliveira Jr, que nos dias atuais integra o Conselho de Administração da GOL.

A GOL traria um conceito inédito para o Brasil, com tarifas extremamente competitivas e novos conceitos. As vendas de passagens da companhia eram feitas exclusivamente pela internet e pelo telefone. Além disso as configurações das aeronaves eram diferentes por exemplo da Varig que utilizava o mesmo modelo.

As aeronaves da GOL não tinham o forno, com isso ganhava mais espaço para colocar assentos, levando o serviço de bordo a ser feito de maneira diferente do habitual. Com promoções e excelentes tarifas, a GOL começava a ganhar espaço em meio as gigantes Varig, TAM, Vasp entre outras.

Ainda em 2001 a GOL conseguiu autorização para operar na rota mais lucrativa do Brasil, a ponte-aérea Rio-São Paulo. Além da ponte-aérea, obteve autorização para operar no Aeroporto Santos Dumont. E partir daí, um novo capitulo começava a se desenhar na história da companhia e também da aviação.

A GOL em 1 ano de operação, havia transportado 250 milhões de passageiros, com 17 destinos em sua malha. Em 2002 anunciou a aquisição dos dois primeiros Boeings 737-800 da empresa e a encomenda de mais da versão -700. A empresa já projetava um crescimento maior, isso porque as metas iniciais foram batidas com níveis ainda mais altos que o esperado.

No ano de 2004 a companhia realizava seu primeiro voo internacional, voando para Buenos Aires na Argentina a partir de São Paulo. Com esse avanço, ainda em 2004 a GOL se tornou a 4ª companhia aérea mais lucrativa do mundo, com o caixa em alta e a eficiência operacional cooperaram para a companhia ser totalmente lucrativa.


Um dos pontos que ajudou a GOL a ter bastante presença nos Aeroportos foi devido a chegada dos 737-300 vindos da United. Essas aeronaves ajudaram a GOL a preencher uma lacuna de voos de expansão enquanto ainda não operava mais aeronaves 737-800.

Com a companhia em alta, a GOL anunciou a maior encomenda de aeronaves de uma companhia brasileira. Foram 101 novos Boeings 737 NG, sendo boa parte desses uma versão que tornaria a GOL ainda mais importante no mercado brasileiro.

A partir daí, iniciou-se o desenvolvimento de uma aeronave maior, com mais capacidade de operar em pistas curtas. Começava a nascer o 737 Short Field Perfomance, no qual a GOL foi a 1ª no mundo a receber o modelo, que até os dias de hoje está ativo, trata-se do 737-800 de matrícula PR-GTA.

Com o passar dos anos, a GOL se consolidou como a 2ª maior empresa aérea no país em passageiros transportados. Mesmo em 2006 onde a empresa teve o infeliz acidente com o Voo 1907, as coisas caminhavam bem para a GOL, que via antigas concorrentes ficarem pelo caminho.

No mesmo ano a empresa inaugurou seu Centro de Manutenção de Aeronaves, onde realiza o trabalho mais pesado e complexo de manutenção e pintura de aeronaves. Hoje se chama GOL Aerotech e realiza atendimento para outras empresas também.

Foto – GOL

Em 2007 um dos maiores negócios da história da aviação acontecia em março daquele ano. A GOL comprou a Varig, entretanto a venda foi da nova empresa gerada pela reformulação e venda dos ativos da antiga Varig. A nova Varig ou VRG Linhas Aéreas como era mais conhecida, tornava possível os maiores sonhos da GOL em expandir por rotas internacionais longas.

A laranjinha queria fazer frente a então maior empresa do país, a TAM. A GOL encomendou 11 Boeings 767 das versões -200ER e -300ER para voos internacionais longos. Além de repassar alguns 737-700 e 800 para rotas domésticas e internacionais médias.

A Varig se tornava o braço de serviço diferenciado da GOL e para rotas internacionais longas, o projeto foi ambicioso tendo até possíveis encomendas para o Boeing 787. Destinos como Paris, Londres, Madrid e México foram iniciados com os 767s já com as cores da nova Varig e a nova ‘Classe Comfort’.

A ‘Classe Comfort’ se assemelha o que é hoje a GOL Premium, porém apenas para os voos da Varig e com serviços mais voltados para uma ‘Executiva’. O projeto teria tido um sucesso se não fosse a crise mundial em 2008, além das baixas ocupações dos voos da Varig.

Foto: Wikipédia – Autor Desconhecido

Com pouca ocupação, com menos de 50% a GOL encerrou alguns voos longos com a marca Varig e manteve apenas em Santiago, Caracas, Bogotá e Caribe na alta temporada. A companhia realizou também mudanças em seu serviço de bordo que era conhecido pelas barrinhas de cereal, passou a oferecer sanduiches e também o sistema de vendas a bordo.

Em 2009 o cenário voltava a ficar favorável para a empresa que anunciou uma grande parceria com a Air France-KLM e com a American Airlines. Os acordos beneficiariam os voos de conexão entre as empresas em Aeroportos como de Guarulhos e no Galeão. Nesse mesmo ano, anunciava a fusão com a Varig para conter um pouco dos prejuízos que a empresa teve.

 Com a malha internacional reduzida a GOL reativou alguns Boeings 767 para operar voos regulares da empresa. Além disso herdou o programa Smiles, que até então é um dos maiores programas de fidelidade.

 

Foto: Planespotters / Ricardo Rodrigues

Alguns desses voos seriam por meio de charter para o Caribe, especialmente na alta temporada. Os voos eram operados pela GOL mas com a marca Varig nos aviões, o negócio fluiu bem e a GOL conseguiu aliviar o prejuízo causado por essas aeronaves paradas. Além disso, esses 767s também faziam voos para treinamento de tripulantes da empresa na rota Brasília – Belo Horizonte.

Em 2011 a companhia mostrava sua força e alcançou pela primeira vez a liderança do mercado doméstico de aviação. Desde então, travou uma concorrência acirrada com a TAM. No mesmo ano a empresa criava o serviço de entretenimento “Gol no Ar”. Um sistema semelhante ao que hoje já tem na empresa, através do Wi-Fi com filmes, séries, jogos entre outros. Porém o serviço não funcionou tão bem.

No mesmo ano, a empresa recebeu seu primeiro 737 equipado com o novo interior. O Boeing Sky Interior veio equipado no PR-GUG recebido de fábrica.

Foto – GOL

Ainda em 2011 a forte concorrência da ultra-low-cost Webjet, fez com que a empresa fizesse a compra da ‘ervilha’, que apesar de operar bem e com preços ainda mais baixos, estava com dívidas. Por R$ 310 milhões, em julho de 2011 a GOL anunciava a compra da Webjet, incialmente a empresa seria extinta, porém não houve autorização do CADE. Então a GOL reforçou a Webjet com alguns de seus 737-800 e manteve a empresa operando até 2012.

A nova era GOL

A partir de 2012, grandes mudanças aconteciam na GOL. A começar pela diretoria, que tinha como presidente até então Constantino Jr, e passava a ser presidida por Paulo Kakinoff até os dias atuais. A companhia iniciou uma série de mudanças em seus serviços e na filosofia da empresa. A companhia iniciou seus primeiros voos para os EUA via Santo Domingo com os 737-800.

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Paulo Kakinoff, CEO da GOL. Foto – GOL/Divulgação

A começar pela encomenda de 60 Boeings 737 MAX, fazendo da GOL a primeira empresa a operar o modelo no Brasil. Em 2013 passou a ganhar ainda mais visibilidade com a chegada da Copa das Confederações no Brasil e juntamente o acordo de patrocínio com a Seleção Brasileira de Futebol.

Com isso a GOL realizou o transporte da equipe brasileira durante toda a competição, além de outras seleções. Aproveitando a grande visibilidade, reconfigurou todas as suas aeronaves e passou a ter o serviço Gol+ Conforto. Visando dar mais conforto e serviços diferenciados aos clientes, com intuito de aumentar sua receita e ampliar seus voos internacionais.

Em 2014 a companhia teve uma parte comprada pela Air France-KLM e iniciou um acordo estratégico com a franco-holandesa.  A GOL alternava a liderança com a TAM no mercado doméstico mês após mês. Em 2015 a grande e maior mudança veio na nova identidade visual da empresa, a nova pintura foi apresentada em 2015 no 100º Boeing recebido de fábrica, o de matrícula PR-GXZ.

 

 

Foto: Gabriel Melo

Para a Copa do Mundo no Brasil, a empresa pintou algumas aeronaves em alusão ao evento.

O GOL Canarinho foi pintado para a Copa de 2018 na Rússia, porém a empresa não levou a seleção.

Foto – CBF

Ainda em 2015 a empresa encerrou seus voos para os EUA e reduziu um pouco a sua malha devido a uma crise na aviação. Em 2016 a GOL lançou sua nova classe ‘GOL Premium’ para os voos internacionais além de lançar o primeiro voo com internet a bordo, o voo foi de São Paulo para Brasília.

Em 2017 a empresa fortaleceu sua parceria com a Air France-KLM e investiu para abrir um Hub de voos em Fortaleza para alimentar os voos da parceira. A estratégia foi bem-sucedida sendo operada até os dias de hoje. Ainda nesse ano, a GOL se tornou parceira e transportadora do evento musical Rock in Rio, para celebrar pintou uma de suas aeronaves e realizou ações.

A GOL voltava a fazer história com a chegada do primeiro 737 MAX 8 de matrícula PR-XMA em 2018, e com isso anunciou o retorno de seus voos para os EUA a partir de Brasília e Fortaleza. Com a suspensão do MAX, seus 737-800 faziam os voos com escala em Punta Cana até a volta prevista para março de 2021.

Boeing 737 MAX GOL

Em 2019 a companhia realizou o transporte da taça da Copa América que foi realizada no Brasil. 

A GOL é conhecida por suas inovações e ideias modernas para o transporte aéreo no Brasil. Hoje companhia hoje é a líder no mercado doméstico de aviação no Brasil, uma das companhias mais conhecidas da América Latina. Nesses 20 anos de história na aviação Brasileira, a GOL se tornou um marco na vida de milhões de brasileiros que viajaram pela primeira vez de avião.

 

A GOL é visada em todo o país, em 2019 foi listada com a única companhia aérea que os brasileiros sonham em trabalhar. Essa foi uma pequena parte da história da companhia que revolucionou o mercado aéreo no país, que a GOL tenha ainda muitos outros anos de sucesso na aviação. 

 

Artigo: Gabriel Melo
Fotos: Gabriel Melo, GOL, Planespotters
Vídeos: YouTube

 

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