EA-18 F-35C Marinha manutenção reparo danificado
Jato de ataque eletrônico do esquadrão VAQ-136 sofreu perfurações na fuselagem. Foto: Marinha dos EUA.

A colisão de um caça F-35C em um porta-aviões em janeiro danificou não só o deque do navio, mas também um jato EA-18G Growler de guerra eletrônica. Pedaços do caça stealth acabaram perfurando a fuselagem da aeronave, que estava estacionada no USS Carl Vinson.

No dia 24 de janeiro, um F-35C do esquadrão VFA-147 Argonauts sofreu o chamado “ramp strike” ao tentar pousar no USS Carl Vinson, durante operações no Mar da China Meridional. Semanas depois que as primeiras imagens com o avião no mar surgiram na internet, dois vídeos mostrando o acidente vazaram pela rede. 

Ao colidir com o convés (chamado de convoo em porta-aviões), os trens de pouso colapsaram e o avião pegou fogo, deslizando lateralmente pelo deque até cair no mar. Sete militares ficaram feridos: seis marinheiros que estavam a bordo do navio e o piloto do caça, que ejetou e foi resgatado. 

F-35C plat cam

No início de março, a Marinha (USN) anunciou que havia recuperado o caça do fundo do Mar da China, acrescentando que o jato estava a uma profundidade superior 3,77 quilômetros (12,400 pés). 

No entanto, apenas ontem a USN revelou que um outro avião sofreu danos por conta do acidente. Segundo o Comando de Sistemas Aeronavais (NAVAIR), um EA-18G do esquadrão de ataque eletrônico VAQ-136 Gauntlets sofreu uma perfuração no revestimento S9 entre os formadores Y631 e Y645 da estrutura da fuselagem. 

O jato supersônico foi então enviado para o Fleet Readiness Center Southwest (FRCSW), na Estação Aeronaval de North Island, na Califórnia, onde vem recebendo reparos. 

“Por causa dos investimentos do comando nas mais recentes tecnologias e sistemas de manutenção e restauração, o tempo estimado de reparo será aproximadamente 50% menor do que a compra dos componentes do Growler do fabricante original da aeronave, a Boeing”, destacou o NAVAIR. 

Corte esquemático do EA-18G.

“O plano de reparo é tirar o estabilizador vertical para remover os revestimentos S9 e S10. Substituiremos a capa S9 e esperamos salvar a capa S10 após avaliá-la com uma inspeção não destrutiva (NDI)”, disse Ehren Terbeek, gerente do programa F/A-18 Legacy e F/A-18E/F. 

“Precisaremos fazer o NDI do formador Y631 para verificar se não há rachaduras, recolocar as capas e colocar a cauda novamente. Se não tivermos que substituir o Y631 anterior ou o S10, deve ser em torno de 4.500 horas de trabalho ou cerca de nove meses.”

A forma do Growler é feita de alumínio e, uma vez recebido o material, a fabricação do componente deve levar cerca de três semanas, disse Terbeek. Os custos de fabricação totalizam aproximadamente US$ 208.000. 

Terbeek  explica que o comando irá fabricar o antigo formador Y645 usando sua Célula de Fabricação Flexível (FMC) no Edifício 472. Será a primeira peça Growler produzida no FMC.

A célula de fabricação é a primeira desse tipo no Departamento de Defesa e é composta por seis máquinas CNC (Controle Numérico Computadorizado) de cinco eixos e um sistema de paletes fabricados pela DMG-Mori e Fastems, respectivamente. As peças de fixação e pré-programadas do FMC foram inicialmente projetadas para suportar o caça F/A-18 Hornet e o trem de pouso E-2 Hawkeye e C-2 Greyhound. 

As máquinas CNC são capazes de fresar, tornear e retificar dentro de uma máquina e podem ser usadas em peças e componentes feitos de alumínio, aço e titânio. 

“Desse valor, cerca de US$ 107.000 seriam para cobranças não recorrentes de modelagem, programação e prova devido ao fato de ser a primeira vez que está sendo fabricado; mais o material é de US$ 23.906”, disse Terbeek.