Ontem (16/12) a Lockheed Martin fechou uma parceria com a empresa Aerion para o desenvolvimento do jato supersônico de passageiros AS2, que vai atender ao negócio de aviões executivos.

O primeiro passo dessa parceria será um estudo de viabilidade, antes de começar o desenvolvimento com um protótipo, a Lockheed precisa saber se realmente há demanda no mercado corporativo para um jato que voe ainda mais rápido, e assim economize tempo dos passageiros.

Se o estudo de mercado for positivo, a Lockheed passará para uma avaliação de potenciais locais de montagem final, com a fábrica da empresa em Marietta, na Geórgia, como candidata, diz Orlando Carvalho, vice-presidente executivo da unidade de aeronavegabilidade da Lockheed.

Isso é um destaque pois a fabricante Lockheed Martin está voltando ao mercado de aviação civil inteiramente, mesmo através de parcerias, algo que não acontecia pelo menos há alguns anos.

Enquanto isso o projeto do Aerion mudou, ele segue em base aquele mesmo conceito apresentado inclusive em uma postagem sobre o estudo da asa aqui na Aeroflap, que deriva de testes da NASA. Mas o novo AS2 apresenta motores nas asas e uma cauda em T, se rendendo ao formato tradicional dos jatos, talvez um requisito da GE para abrigar melhor os motores. 

Também notamos que os vincos (ou partes pontudas), estão mais suaves, e o nariz indica uma formação de “fuselagem-asa” direcionando o fluxo de ar para a parte superior e inferior do avião. Não vamos negar, o anterior era mais bonito, e utópico.

Novo conceito do AS2.

O Aerion AS2 é um projeto de uma aeronave executiva de velocidade supersônica, de acordo com sua fabricante a sua velocidade de cruzeiro será de Mach 1.4, mais ou menos perto de 1730km/h, enquanto sua autonomia seria capaz de realizar tranquilamente um voo de Nova – York para Berlin, em números a aeronave será capaz de voar 9800km. Em casos excepcionais o AS2 poderá voar a Mach 1.5, aproximadamente 1850 km/h.

A FlexJet já foi a primeira cliente, ao encomendar 20 aeronaves AS2 por um valor de 2,4 bilhões de dólares. O primeiro Aerion AS2 será entregue em 2025 (previsto).

A Airbus já colaborou anteriormente no projeto, mas agora a Aerion executará a parte de construção e certificação em conjunto com a Lockheed e a GE, esta última fornecerá os 3 motores que possibilitarão voar acima da velocidade do som sem uso de pós-combustor, que aumenta bastante o consumo.

A GE vai adaptar partes de um motor turbofan já usado na aviação comercial, como forma de aumentar a confiabilidade dos componentes e evitar maiores problemas de desenvolvimento. A seção de alta pressão, do motor existente, será acoplada a uma nova parte de baixa pressão otimizada para velocidade supersônica. Um desafio será gerenciar as altas temperaturas de entrada do motor supersônico em altitudes elevadas, de acordo com a GE.

Dessa forma a aposta da Aerion é para uma aeronave eficiente aerodinamicamente, e também com propulsão avançada que consome pouco combustível, alinhando o projeto da aeronave com tecnologias disponíveis no século 21.

As três empresas esperam que o primeiro jato de testes já esteja realizando voos a partir de 2023.