Foto - Aeroporto de Viracopos/Divulgação

O Aeroporto de Viracopos pode em breve passar novamente para a administração do Governo Federal, pelo menos por um curto período de tempo.

A concessionária do local, a Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), enfrenta há vários meses um processo de recuperação judicial, onde a empresa só acumulou dívidas ao longo do tempo, e já ameaçou entregar a concessão ao governo.

Amanhã (1º/10) será decisivo para a continuidade da presença da ABV, visto que a empresa vai tentar um acordo com seus credores. Se a negociação for conduzida com sucesso, a concessionária continua na administração, mas ao mesmo tempo a ABV pode entrar em falência, então a Infraero deve assumir a administração do aeroporto.

Em caso da Infraero assumir a administração, esta será por um curto período de tempo, visto que o governo planeja leiloar novamente Viracopos em 2020, assim como vai leiloar a participação da Infraero em outros aeroportos de grande porte, como Galeão e Confins.

 

Alta tarifa de outorga anual e crescimento lento

A dívida da ABV é de quase R$ 7 bilhões, cerca de 60% desta é com a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), responsável por receber as parcelas anuais da outorga, e também aplicar multas por atraso em obras e não pagamento das outorgas.

Outros aeroportos, como Galeão e Guarulhos, também já enfrentaram problemas com o pagamento de outorgas, isso foi causado por um modelo errado de leilão, onde as empresas poderiam dar altos lances sem pagar um alto valor de entrada (para assumir a administração do terminal).


Esse estilo de leilão gerou altas taxas de outorga, que foi somada com um contrato que demandava extensas obras, como em Viracopos, onde um novo terminal foi construído.

Os gastos com as obras, juntamente com uma alta parcela da outorga, se uniram em 2015 à queda de demanda da aviação, causada pela crise econômica que o Brasil enfrentou nos últimos anos, diminuindo também a receita das concessionárias dos aeroportos.

Essa junção de fatores resultou nos problemas financeiros enfrentados por diversas concessionárias de aeroportos no Brasil, mas muitas já aproveitaram a alta na demanda, existente desde 2017, para sair de uma possível péssima situação financeira, apesar da movimentação de passageiros ainda estar abaixo das projeções do governo em 2012.