A Air New Zealand agora já sabe a verdadeira causa que culminou nas duas falhas de motor em dezembro do ano passado, envolvendo dois motores Rolls-Royce Trent 1000.

Investigadores concluíram que nos dois casos há uma falha estrutural nas pás localizadas na turbina de pressão intermediária, localizada entre as zonas de alta pressão e baixa pressão.

As falhas foram causadas por fadiga, formando rachaduras e “lascando o material” que também atingia o estágio de baixa pressão da turbina. A solução para sanar esse problema de corrosão será substituir diversos componentes internos do motor Rolls-Royce que equipa o 787, por novas peças com correção no material em que são fabricadas.

Os motores investigados são os equipados com a atualização “Package C”, e que já receberam recomendações de segurança pela FAA e EASA. A Nova Zelândia indicou seguir essas regras para manter as operações com a segurança necessária, isso inclui não permitir que uma aeronave Boeing 787 voe com dois motores Trent 1000 Package C.

Em nota aos clientes a Rolls-Royce disse que “lamenta sinceramente” a interrupção das operações do 787, e “continuará a trabalhar de perto” com a Boeing e seus clientes para reduzir o impacto nas operações. A Air New Zealand precisou parar dois aviões para fazer os reparos necessários, ambos estão equipados com motores Package C, não sendo autorizada a decolagem com passageiros.

 

Histórico do problema

O problema foi descoberto em 2016, através de um 787 da ANA. Na época a companhia declarou que o motor Trent 1000 estava com um problema de desgaste acentuado nas lâminas da turbina. Esse problema levou ao cancelamento de até 300 voos para a companhia efetuar os reparos antes do prazo.

As companhias aérea British Airways, Air New Zealand, Norwegian Air e Virgin Atlantic também informaram o mesmo problema à Rolls-Royce. No mesmo ano, em 2016, a EASA exigiu uma investigação dos motores, que no final revelou fissuras nas lâminas de metal, e em 2017 a FAA seguiu a mesma linha, exigindo uma investigação desses motores.

Os motores Trent 1000 serão retirados gradualmente, e reparados pela Rolls-Royce. O prazo para a correção vai até 2022. No total mais de 200 aviões Boeing 787 estão em monitoramento, basicamente quase um terço do total fabricado até hoje. Provavelmente cerca de 500 motores serão substituídos em cinco anos.

O que agravou esse fato foi a Rolls-Royce não ter peças nem motores sobressalentes, atrasando a manutenção e resultando na pausa das operações com cada aeronave que necessita dessa manutenção antecipada, a troca do motor em si é feita rapidamente, e dura menos de um dia.

A fabricante disse que o impacto no caixa para cobrir os problemas com os motores Trent 1000 e Trent 900 foi de US$ 236 milhões no ano passado, e chegará ao pico de US$ 472 milhões no próximo ano, sendo que ela gastará cerca de US$ 315 milhões somente em 2018.