Mesmo depois de ganhar o processo na Comissão Americana de Comércio Internacional (USITC) e anular os efeitos de uma possível taxa de importação de 292%, a Bombardier, juntamente com a Airbus, continua com os planos de instalar uma linha de produção no Alabama, onde a Airbus tem uma planta de produção do A320.

De acordo com a Bombardier, a nova planta de fabricação já está em fase de planejamento, funcionários da empresa visitaram a planta de produção da Airbus no Alabama para avaliar os melhores locais de construção.

Anteriormente a Bombardier disse que precisava de pelo menos 2 anos para abrir uma linha de montagem final no Alabama, e que seria quase impossível fazer isso para abril de 2018, quando a primeira aeronave da Delta sairá da linha de montagem.

A nova linha de montagem nos Estados Unidos também anula qualquer efeito de imposto de importação que a Bombardier poderá sofrer futuramente, mesmo com uma produção limitada para justificar apenas a presença da empresa no país com o projeto CSeries. A Airbus trabalha no mesmo molde, a planta do Alabama produz apenas 4 aeronaves por mês, enquanto a unidade de fabricação europeia pode entregar até 50.

“Quando você produz uma aeronave nos EUA, automaticamente você não fica sujeito a uma taxa de importação de acordo com as regras dos EUA”, disse o presidente-executivo da Bombardier, Alain Bellemare, durante uma teleconferência com repórteres. “Não estamos contornando nada”, ressaltou ele afirmando que a Bombardier não está fazendo um movimento para evitar os impostos.

“Nós pensamos que as aeronaves produzidas na fábrica da Airbus nos EUA não estarão sujeitas à taxa”, acrescenta o presidente-executivo da Airbus, Tom Enders.

Ao mesmo tempo a planta de produção aumenta substancialmente os custos do programa CSeries, que já acumula bilhões de dólares em prejuízo até o momento. A CSeries Aircraft Limited Partnership já gastou US$ 6 bilhões de dólares somente para projetar o avião, descontando desse valor as ferramentas para realizar a montagem final da aeronave.

Em outubro de 2017 a Airbus fechou uma participação de 50,01% no projeto CSeries Aircraft Limited Partnership (CSALP), um grupo investidor que lidera o projeto do avião CSeries da Bombardier.

O resto da participação acionária foi dividido em 31% para a Bombardier e 19% pela Investissement Québec. Anteriormente a participação era dividida em 62% para a Bombardier e 38% para a Investissement Québec.

A Airbus ficou responsável pelos serviços de suporte de vendas e marketing da linha CSeries; Gerenciamento de compras, que incluirão negociações para melhorar os contratos com fornecedores da linha de montagem; Contribuição no suporte ao cliente.

A Bombardier continua com seu plano de financiamento do CSeries, e também cobrirá os déficits de caixa do desenvolvimento. Com 0,01% a mais das ações, a Airbus ficará no controle do projeto por 7,5 anos, no mínimo.