Foto - Airbus

No ato de certificação do A350-1000, que ocorreu hoje (21/11), a Airbus declarou que implementou um recurso no computador da aeronave para casos de despressurização da cabine sem ação do piloto.

A nova função é ativada automaticamente, se os sensores de pressão da cabine detectarem uma queda de pressão anormal os computadores entram em modo de atenção, caso nenhum dos pilotos faça uma manobra para descer até uma altitude segura (abaixo de 12000 pés), o próprio avião fará essa manobra para evitar que os passageiros venham a óbito por asfixia.

Ao mesmo tempo que o avião faz essa descida rápida até uma altitude segura, ele avisa ao controle de tráfego aéreo sobre o que está fazendo, e também informa que essa é uma manobra automática, sem possibilidade de volta. Uma pequena mudança de rota é realizada para evitar colisão com outras aeronaves.

Levar o avião até uma altitude segura, quando os pilotos estão desacordados, permite que os mesmos consigam retomar a consciência e reaver o controle do avião. No caso do A350-1000 a altitude segura definida como padrão é 10000 pés.

A Airbus também planeja incorporar esse sistema em toda a família A350XWB, e disse que essa função também pode ser levada para uma futura aeronave, visto que para incorporá-la só precisa uma adaptação no software que controla o fly-by-wire.

O sistema funciona através do controle dos profundores, enquanto o computador mantém a atenção em outros sistemas que analisam o posicionamento do mesmo no ar, para evitar que o software perca o controle da aeronave.

Essa função foi autorizada pela Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA), e evita casos como o voo 522 da Helios Airways, que voou horas em círculos até cair por falta de combustível.

 

Outras alterações no A350-1000

Além dessa melhoria, a Airbus também afirmou que planeja outras alterações para o A350-1000, como uma versão com maior peso de decolagem (MTOW), que aumenta em 3 toneladas o peso máximo, saltando para 311 toneladas.

A certificação ETOPS será obtida após a certificação de tipo que foi emitida hoje, e depende diretamente do órgão que analisa esse fator. Mas a Airbus já cumpriu algumas atividades relacionadas ao ETOPS durante o período de certificação, e já provou que o A350 é confiável quando obteve a certificação ETOPS180 para o A350-900 depois de duas semanas do certificado de tipo.

A certificação ETOPS permite que os aviões bimotores façam voos de longa distância em áreas onde não há nenhum aeroporto capaz de receber o avião, em caso de pouso alternado. A certificação ETOPS foi responsável pelo grande sucesso dos bimotores a partir da década de 80, e hoje já é possível confiar que uma aeronave consiga voar somente com um motor por um longo período de tempo.

Em uma certificação ETOPS 180, por exemplo, é possível que o avião voe por até 3 horas longe de um aeroporto capaz de receber tal aeronave.