O caminho parece ser claro para o programa CSeries, depois da Bombardier investir mais de US$ 5 bilhões, a Airbus que comprou recentemente 51% do projeto, trabalhará para conseguir vender a aeronave, com tanta confiança nisso que anunciou até mesmo a fabricação em território americano para garantir as 75 vendas realizadas para a Delta, que foram ameaçadas com o imposto de 300%.

Mas um analista do setor aeroespacial de Wall Street sugeriu que o programa CSeries pode seguir outro caminho, um futuro cancelamento se não for rentável.

Isso porque a Boeing fez o mesmo caminho quando comprou a McDonnell Douglas, eles até prosseguiram com o projeto do MD-95, lançando logo em seguida como Boeing 717, mas o baixo interesse na aeronave levou a fabricante a desistir do formato com somente 156 aviões fabricados.

A situação atual do CSeries é melhor, mas o custo de desenvolvimento da aeronave foi muito alto, devido aos novos processos de fabricação e também da otimização dos materiais, a fuselagem usa uma nova tecnologia de material composto, que atualmente só o Boeing 787 utiliza.

Essa análise foi feita por Doug Harned, analista de pesquisa da Bernstein, que também pontuou que assim como a Boeing, a Airbus não poderá reduzir custos porque os fornecedores já veem um caminho difícil para os lucros, devido à alta complexidade das peças.

Sem muitas encomendas e poucos interesses demonstrado em 2017, o CSeries é uma aeronave nova que parece não caminhar para uma rápida expansão das encomendas, assim como foi com o Boeing 737 MAX entre 2015 a 2017. Recentemente apenas uma companhia europeia demonstrou interesse e assinou uma carta de intenção (LOI) para 31 aviões.

O resto das encomendas são fragmentadas, não há nenhuma grande encomenda a parte, exceto a realizada pela Delta, que pode chegar a 125 aviões CS100 encomendados.

A Bombardier continua com sua previsão para 6800 novas aeronaves na faixa de 100-150 assentos até 2036, a Embraer não foge muito dessa perspectiva, mas ela também diminui essa demanda por aderir boa parte das encomendas desse setor, na Europa e nos EUA é comum ver aviões da Embraer voando para todo lado.

A Airbus e a Boeing discordam um pouco dessa demanda, a primeira citou algo entre 4000 a 4500 novos aviões, enquanto a fabricante americana falou algo entre 3000 a 4500.

Em último caso a Bombardier poderá recomprar ações da Airbus e optar por não encerrar o projeto. Basicamente só há dois caminhos para o CSeries se tornar rentável: Ou diminui o preço de produção da aeronave para lucrar mais; Ou aumenta o número de encomendas e aeronaves vendidas para abater o custo de desenvolvimento do avião.

Até o momento a família CSeries registra 360 encomendas fixas, e 232 opções de compra. O concorrente da Embraer, a família E-Jet E2, registra 285 pedidos firmes, bem como 445 opções de compra.

 

Via – Leeham News