No início de 2019 a Airbus iniciou testes com uma nova configuração aerodinâmica, como parte do seu estudo para desenvolver aeronaves mais econômicas.

Este projeto se chama AlbatrossOne. A principal característica dele o alto ângulo de diedro positivo nas pontas das asas, onde o novo formato deve predominar por cerca de 1/3 do comprimento da asa.

Após vários voos de testes utilizando um orçamento ínfimo, e um protótipo que mais parece com um aeromodelo, mas utilizando uma base desenvolvida em laboratório, o time da Airbus está pronto para avançar para a próxima fase.

Mais de 1000 voos de testes serão realizados pela Airbus até o final de 2022, incluindo com um novo protótipo. Na primeira etapa os projetistas utilizaram um protótipo com 4 metros de envergadura, mas, agora na segunda etapa, uma aeronave guiada remotamente terá 30% da envergadura de 52 metros, da aeronave especificada em projeto.

A Airbus revelou que o projeto do demonstrador é chamado de Eco-Wing e envolve a instalação de uma nova asa em uma aeronave Citation VII, que também será equipada com sistema Fly-By-Wire de voo.

Nesta projeção lançada hoje (22) pela Airbus podemos conferir o Citation equipado com uma asa de alto diedro, lembrando bastante o 787, e um sistema de dobradiças nas pontas.

Instalar asas alternativas não é uma novidade. A Airbus testou outro conceito, que deve fazer companhia para este, utilizando um Airbus A340, você pode conferir mais Clicando Aqui.

A seção totalmente dobrável do Citation terá 2,4 metros em cada parte da asa. A Airbus espera comprovar que é possível ganhar eficiência aerodinâmica ao voar com as pontas “dobradas” em um ângulo específico.

O primeiro conjunto em material composto já foi fabricado para testar os novos desenvolvimentos em materiais da Airbus.

A aeronave também será equipada com diversos sensores que medem as rajadas de vento e o fluxo de ar ao longo da asa. Além disso, a asa de material composto terá um bordo de fuga capaz de alterar a superfície da asa, juntamente com uma dobradiça semi-aeroelástica.

“Semelhante a como uma águia voa, adaptando a forma, extensão e superfície de suas asas e penas, este demonstrador permite maior eficiência de voo”, disse a Airbus sobre o projeto apresentado nesta quarta-feira (22).

 

Substituto do Airbus A320neo

Apesar do A320neo ser um campeão de mercado, a Airbus já está buscando desenvolver um substituto para a aeronave. No passado listamos todas essas novas tecnologias promissoras Clicando Aqui.

O conceito do AlbatrosONE, de uma asa com capacidade de dobrar de forma variável, provou que tem viabilidade e traz mais eficiência no consumo de combustível. Um dos métodos que a Airbus quer explorar é aumentar a envergadura das aeronaves, para melhorar a eficiência aerodinâmica.

É fácil explicar isso. A fabricante europeia atualmente fabrica o Airbus A320neo com quase 36 metros de envergadura, mas a futura geração pode ter 45 metros de envergadura, para obter o ganho aerodinâmico que os projetistas desejam.

Também não há maiores novidades, exceto pelo fato da capacidade de dobrar a ponta da asa em qualquer ângulo em solo ou no ar, para obter este ganho aerodinâmico. A Boeing já fabricou o 777X com maior envergadura e pontas das asas dobráveis, mas seu mecanismo só permite o funcionamento da asa totalmente estendida durante o voo.

O tamanho maior não é adequado para os atuais portões de embarque que já atendem o A320. Desta forma, a Airbus teria que reduzir em 9 metros o tamanho da asa, algo que a fabricante deve conseguir ao girar em 90º cada ponta de 4,5 metros.

Mesmo com os preciosos dados do protótipo AlbatrosONE, a Airbus pode obter ainda mais informações ao realizar 1000 voos de testes com o novo Citation, comprovando que pode haver economia (ou não) dependendo do método de funcionamento.

 

Qual a finalidade de dobrar as pontas das asas?

A Airbus disse que o conceito é capaz de diminuir os esforços da asa para sustentar o peso da aeronave, e isso resulta em menores reforços na caixa de asa, uma estrutura especial localizada na parte central da fuselagem, onde as asas de uma aeronave são parafusadas.

Jean-Brice Dumont, Vice-Presidente Executivo de Engenharia da Airbus, disse: “Quando há uma rajada de vento ou turbulência, a asa de uma aeronave convencional transmite cargas enormes à fuselagem, portanto a base da asa deve ser fortemente reforçada, acrescentando peso à aeronave.”

As duas partes da asa do AlbatrosONE foram construídas por polímeros reforçados com fibra de carbono e fibra de vidro, bem como componentes de fabricação de camadas aditivas.

A Airbus disse que se inspirou na natureza para desenvolver seu conceito de “dobradiça semi-aeroelástica”, para reduzir o arrasto e o peso total das asas, ao mesmo tempo em que combate os efeitos da turbulência e das rajadas de vento.

 

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