Ajuda do BNDES para aéreas vira quase uma “promessa governamental”, e fica para setembro

(Bloomberg) – A ajuda financeira prometida pelo governo para as companhias aéreas pode chegar apenas em setembro, disseram duas pessoas com conhecimento sobre o assunto.

As negociações com GOL e Azul estão em andamento, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas pois a negociação não é pública. Uma delas afirmou que a maior probabilidade é que a operação saia só depois da segunda metade de agosto, quando as empresas tiverem divulgado seus balanços do segundo trimestre. A Azul divulga resultados em 13 de agosto e a GOL, 31 de julho.

As duas empresas têm dinheiro suficiente para esperar até que os acordos sejam concluídos, disseram as pessoas. Enquanto o BNDES tem pedido mais garantias nas negociações, as empresas têm pedido taxas menores, o que tem atrasado as negociações.

Ao contrário das empresas americanas e europeias, que foram resgatadas logo que a pandemia do novo coronavírus atingiu o setor desde o fim de fevereiro, as brasileiras ainda estão em conversas com o BNDES e outros bancos comerciais para obter auxílio. A equipe econômica já acredita que a pior parte da crise acabou e que há mais apetite de mercado pelas companhias aéreas, disse uma das pessoas.

A GOL disse em resposta por e-mail que segue negociando com o BNDES e espera que haja uma definição “nas próximas semanas.” A Azul afirmou que continua em negociação com o BNDES “e não há novidades para compartilhar neste momento.” O BNDES preferiu não comentar.

A ajuda negociada com as aéreas inclui a emissão de debêntures conversíveis que serão emitidas pelas empresas aéreas e subscritas pelo BNDES, além de porções de recursos vindas de bancos comerciais e do mercado de capitais.

Embora as companhias aéreas tenham mostrado alguma recuperação desde o início da crise – as ações da GOL quase quadruplicaram desde o início de março, enquanto as da Azul dobraram – o mercado de capitais ainda não está aberto para essas empresas na escala em que elas precisam, disse uma pessoa, lembrando que isso torna o negócio do BNDES mais atraente.


Já as negociações com a LATAM perderam força. Há dúvidas sobre se o BNDES poderia dar auxílio financeiro a uma empresa que entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos, disse uma pessoa. Além da LATAM, a Avianca e o Grupo Aeromexico também recorreram à legislação americana para pedir proteção contra falência. Procurado, o BNDES não comentou o assunto.

A LATAM disse por e-mail que as negociações com o BNDES continuam acontecendo e o financiamento através do DIP (Debtor-in-possession) oferece ao BNDES prioridade sobre todos os passivos da LATAM anteriores a entrada ao Chapter 11, “sendo assim uma garantia maior que qualquer outra empresa poderia oferecer.” A empresa também diz que o BNDES pediu às aéreas que pelo menos 30% do valor fosse captado no mercado e que a LATAM conseguiu captar mais de 90% no mercado.

 

Via – Bloomberg

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