F-35 B61
F-35A lançando uma bomba B61-12 de ensaios durante os testes iniciais. Foto USAF.

O Governo Alemão está novamente considerando a aquisição de caças F-35 para substituir sua frota de jatos de ataque nuclear Panavia Tornado. 

Os Tornados foram desenvolvidos pela Alemanha junto da Itália e Reino Unido, entrando em serviço na década de 1970. Desde então, a aeronave foi designada como uma das principais plataformas de ataque nuclear da OTAN. O país abriga um estoque de 20 bombas nucleares B61 dos Estados Unidos, que seriam usadas pelas aeronaves em caso de conflito. 

Contudo, desde 2017, a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) estuda uma aeronave para substituir os antigos aviões com asas de geometria variável. A possibilidade surge como uma contradição ao plano da Alemanha para adquirir 30 caças Super Hornet e 15 jatos de guerra eletrônica EA-18G Growler. O empecilho, no entanto, é justamente a capacidade de empregar as bombas B61. 

Panavia Tornado Luftwaffe Alemanha
Panavia Tornado da Força Aérea Alemã. Foto: RAF

Em 2019, a então Ministra da Defesa Annegret Kramp-Karrenbauer aprovou a compra dos F/A-18 e EA-18, junto de 90 caças Eurofighter Typhoon das variantes mais novas. Porém, os Super Hornets não tinham a certificação para usar as bombas nucleares, algo que na verdade nunca foi realmente previsto. 

Por outro lado, o F-35 receberia a integração com o armamento de qualquer forma, processo que já está em fase final com a recente conclusão dos testes com a B61-12. Enquanto o pedido para os Typhoons foi realizado em 2020, a Boeing esperava receber a solicitação de compra dos Super Hornets em janeiro, algo que pode não ocorrer mais. 

F/A-18F Super Hornet com bombas GBU-32 JDAM.

Em novembro de 2021, o novo governo alemão renovou o compromisso do país de fazer parte das capacidades de dissuasão nuclear da OTAN, algo que estava em debate em meio às eleições do ano passado. Contudo, nesse ínterim, o F/A-18F Super Hornet havia sido removido pela National Nuclear Security Administration da lista de aeronaves a serem certificadas para transportar a bomba nuclear B61.  

Segundo o Aerotime, a Federação de Cientistas Americanos questionou o Departamento de Defesa dos EUA, que se limitou a responder dizendo que “não há uma exigência para o F/A-18F ser certificado para transportar a B61-12”. Por essa razão, a nova administração alemã parece estar considerando o F-35 novamente.

Lockheed F-35 A Nellis
F-35A no pátio da Base Aérea de Nellis durante os últimos voos de testes com a B61-12. Foto: Airman 1st Class Zachary Rufus/USAF.

De acordo com uma reportagem da Agência Alemã de Imprensa, “estudos devem esclarecer se a compra de aviões F-35 mais modernos é uma alternativa e se o Eurofighter pode ser considerado para retomar as missões de guerra eletrônica do Tornado.”

Em 2019, a Airbus revelou a proposta para uma versão ECR SEAD (Guerra Eletrônica/Reconhecimento – Supressão de Defesas Aéreas Inimigas) do Eurofighter Typhoon. Empregando pods dedicados aliados ao sistema de guerra eletrônica embarcado, o caça delta-canard poderia desempenhar missões atualmente realizadas pelo Tornado ECR, variante para EW/SEAD.

Eurofighter Typhoon EW SEAD Guerra eletrônica
Proposta do Typhoon ECR SEAD.
Outro fator que afastou a Alemanha do F-35 foi o programa FCAS, onde o país participa do desenvolvimento de um caça de 6ª Geração junto da França e Espanha. Todavia, como os contratos estruturantes do programa FCAS foram assinados em setembro de 2021, a possível aquisição do F-35A não deve ameaçar o desenvolvimento do caça europeu, como se temia em 2020. 

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