Aliás, o Lockheed SR71 foi realmente o avião mais rápido do mundo?

Os tempos de corrida tecnológica proporcionaram um avanço sem igual para todas as esferas da aviação, e mesmo após a Guerra Fria. E um avião continua em destaque até hoje: Este é o Lockheed SR-71.

Mesmo fora de atividade, o SR-71, um misto de projeto criado pela Força Aérea dos EUA com participação da CIA, é conhecido por ser o avião mais rápido já construído pelo ser humano.

Devido às suas características, o SR-71 incorporava tecnologias pouco ortodoxas, e criadas na própria época para facilitar o voo da aeronave nas condições propostas em projeto.

O resultado foi um avião com velocidade máxima de Mach 3.32, ou 3540 km/h.

Mas aliás… Há algo com asas mais rápido que o SR-71?

Não literalmente um avião como o SR-71, mas eles suportam voar planado ou pelo menos seguir até o pouso como um planador gigante. Vamos conferir abaixo.

 

North American X-15

X-15 durante um procedimento de pouso.

Entre as décadas de 1950 e 1960 a NASA começou estudos para superar em sequência diversos recordes de velocidade. Isso só foi possível com a construção de uma aeronave específica para esta finalidade, o North American X-15.


Não podemos categorizar o X-15 como um puro avião, como conhecemos, aliás, ele tinha tecnologias para fazer somente este tipo de missão, e por este motivo somente três unidades foram fabricadas.

O X-15 tinha uma aerodinâmica refinada para gerar o mínimo de arrasto possível. Por este motivo ele não decolava de maneira tradicional, era “lançado” a partir de um B-52.

Além disso, o pequeno avião era equipado com um motor de foguete de propulsão por combustível líquido. Para gerar tanta potência em um corpo pequeno, logicamente a autonomia do X-15 era para somente alguns minutos de voo, ou 450 km voando com velocidade máxima.

O recorde de velocidade foi batido no dia 17 de Julho de 1962, quando no Voo 62 o piloto Robert M. White, que já tinha vários recordes no currículo, atingiu 6165 km/h, ou Mach 6.52, a uma altitude de 95,9 km, quase na linha de Kármán.

Major Robert M. White com o X-15.

Na época não era possível atingir uma velocidade tão alta sem o motor de foguete, o desenvolvimento da propulsão Scramjet, que equipou o SR-71, ainda estava ocorrendo, logo a solução foi utilizar a tecnologia disponível na época.

Neil Armstrong, famoso astronauta da missão Apollo 11, participou dos testes com o X-15, e estava entre os melhores pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos.

O funcionamento do X-15 era bem semelhante ao de outro avião-drone recordista, e produzido pela NASA, o X-43A. Este quebrou os recordes do próprio X-15 (porém sem tripulantes a bordo) com uma velocidade acima de 12000 km/h.

 

Space Shuttle

Space Shuttle pousando no Kennedy Space Center. Foto – NASA

O caro Space Shuttle é na realidade quase uma menção honrosa. O conhecido Ônibus Espacial não foi criado para ser uma aeronave, com capacidade de voo planado.

Na verdade os astronautas se referiam ao Ônibus Espacial como uma pedra de asas tentando pousar, e você pode entender isto no vídeo abaixo.

No vídeo acompanhamos a rápida redução de altitude do Space Shuttle, que após a reentrada era um “planador de asas curtas”.

Isso ocorria devido ao sistema de propulsão da espaçonave, eram três motores de foguete que queimavam hidrogênio líquido e oxigênio líquido durante alguns minutos no lançamento. No retorno ao planeta, o Space Shuttle já reentrava na atmosfera com os tanques vazios, até pelo motivo do combustível estar no tanque vermelho (imagem abaixo).

Space Shuttle com seus 2 boosters em funcionamento e o tanque vermelho, que levava o combustível.

No entanto o Space Shuttle conseguia voar com suas próprias asas de duas formas:

Se o lançamento fosse abortado, o Space Shuttle poderia retornava para o Kennedy Space Center planando. Duas rotinas de pouso nesse caso autorizavam os tripulantes a planar até o local de pouso.

A primeira era se o lançamento fosse abortado após 2 minutos e meio em voo o Space Shuttle cumpria uma rota de retorno, ou no caso de abortar com mais de 5 minutos de missão ele realizava uma órbita completa e voltava para pouso na pista. Caso contrário, um pouso forçado na água do mar deveria ser realizado.

Na segunda ocasião era em uma missão normal, como acompanhamos no início deste tópico. O Space Shuttle reentrava e pousava no Kennedy Space Center. Outra alternativa para a espaçonave eram locais específicos para pouso na Europa ou na África. A NASA sempre trabalhava com planos A, B, C ou D.

De qualquer forma o Space Shuttle conseguia superar Mach 6, seja em órbita ou retornando para a Terra, já depois da reentrada.

 

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