ALTA: Prejuízo na aviação da América Latina pode ser de US$ 18 bilhões

O diretor-executivo e CEO da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA), Luis Felipe de Oliveira, falou nesta última quinta-feira (16/04) à imprensa da região sobre o contexto econômico da indústria da aviação neste período de pandemia do novo coronavírus e as perspectivas para os próximos meses.

Segundo Luis Felipe de Oliveira, a recuperação na região será lenta.

“O tráfego aéreo na América Latina e Caribe seguia uma tendência de alta até então, com 16 anos seguidos de crescimento ininterrupto, mais de 300 milhões de passageiros transportados só em 2019, e a estimativa agora é de que a linha de crescimento só seja retomada em meados de 2022”, completou, acrescentando que sem o respaldo dos governos dos países da região, muitas empresas do setor não serão capazes de sobreviver por mais de 8 meses de crise.

O diretor-executivo da ALTA informou que, atualmente, 91% da aviação na América Latina e no Caribe está parada, e que o impacto deste cenário se estende por todo o setor. Reiterando dados da IATA, Oliveira disse que as perdas na região são estimadas em US$ 18 bilhões, com risco de redução de 2,9 milhões de empregos.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (UNWTO), no setor de viagens e turismo as perdas serão de mais de US$ 32 bilhões. Só no Brasil, serão de US$ 1,79 bilhões. O turismo representa cerca de 8,1% do PIB brasileiro, em informações lançadas pela ALTA, com ligação direta com 7,5% dos postos de trabalho.

Luis Felipe de Oliveira ressaltou que os dados do último relatório de tráfego da associação, relativo ao movimento do mês de fevereiro de 2020, ainda não refletiram os impactos da pandemia no setor aéreo latino-americano, com exceção do tráfego internacional, de 1%, cuja queda é um indicativo da redução dos voos entre a região e a Europa , já afetada por medidas restritivas em fevereiro.

Para o próximo relatório, que trará em maio dados do movimento aéreo do mês de março de 2020, os dados preliminares mostram uma redução de 25% do tráfego aéreo – redução de 21% dos mercados domésticos e de 29% dos voos a partir de e para a América Latina e o Caribe.


O diretor-executivo da ALTA deu destaque ao fortalecimento do transporte de cargas na região desde o início do impacto da Covid-19. O tráfego de aeronaves de carga intrarregional (em voos dentro da America Latina e Caribe) cresceu 65% em relação à primeira quinzena de abril de 2019. Os voos internacionais extrarregionais (a partir de e para a região) tiveram crescimento de 26% versus a primeira quinzena de abril de 2019.

Luis Felipe de Oliveira informou que, na próxima semana, representantes de diversas entidades representativas do setor aéreo vão discutir ações conjuntas para a retomada das operações. Segundo ele, a recuperação deve começar com o reinício dos voos domésticos, seguidos dos regionais e depois, dos voos internacionais.

“A estimativa é de que os voos domésticos voltem a operar entre final de maio e início de junho, mas tudo vai depender do comportamento da pandemia. O importante é que a retomada aconteça de forma coordenada para que haja um renascimento da indústria de forma harmônica”, completou.

Os países com mercado doméstico forte podem se recuperar mais rápido, como o Brasil e o México. A abertura do mercado será gradual, dos voos domésticos aos internacionais, de acordo com Felipe.

Ele também citou que o Brasil agiu de maneira rápida com as companhias aéreas, para garantir uma malha aérea essencial de transporte, ao mesmo tempo que auxiliava as companhias aéreas, com redução no pagamento de taxas e impostos, e também nas questões trabalhistas.

No entanto, o presidente da ALTA alertou que manter o estado como acionista das companhias aéreas, em troca de empréstimos, não é uma forma positiva de recuperar as empresas.

 

Consolidação entre as companhias aéreas

De acordo com Felipe, o mercado na América Latina já é consolidado, visto as fusões que ocorreram nos últimos anos.

Felipe ainda ressaltou que é possível um reforço na internacionalização das companhias, como ocorreu na parceria entre a LATAM e a Delta, e a Avianca Holdings com a United Airlines.

O que pode haver, de acordo com Luis, é uma junção de pequenas companhias entre si, ou com outras companhias maiores, com possibilidade também dessas pequenas entrarem em falência.

A internacionalização é importante e interessante, visto que pode ajudar na recuperação das companhias aéreas da América Latina, inclusive no Brasil.

 

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