Antonov An-225: 10 curiosidades sobre o maior avião do mundo

Nas últimas semanas nossos seguidores acompanharam uma grande atividade do maior avião do mundo, o Antonov An-225, para transportar diversos suprimentos médicos da China para a Europa e até mesmo o Canadá.

Por ser o maior cargueiro em atividade, o An-225 voltou do seu período de manutenção para preencher uma lacuna, e depois disso, bateu vários recordes seguidos de transporte de cargas.

Enquanto seu irmão menor, o An-124, leva uma média de 6 milhões de máscaras faciais mais 200 mil testes para detectar o coronavírus, o An-225 consegue levar até 10 milhões de máscaras faciais, e o mesmo número de testes a bordo.

O soviético An-225 é único no mundo, e cheio de curiosidades importantes. Vamos conferir algumas?

 

  1. Produzido para levar o ônibus espacial russo

O An-225 não foi produzido como um cargueiro puro, ao contrário, um cargueiro puro ofereceu a base daquilo que seria um transportador para o Buran, o ônibus espacial russo.

Os líderes soviéticos consideraram todos os meios de transporte concebíveis, incluindo estradas de grandes dimensões e até uma ferrovia em escala reduzida. Logo eles avaliaram que a melhor opção era o modal aéreo.

O novíssimo helicóptero Mi-26 poderia levantar até 26 toneladas, mas durante um voo de teste, uma leve turbulência causou oscilações de pêndulo ameaçadoras.


Em vez disso, os engenheiros soviéticos primeiro consideraram dar o trabalho de transportar o Buran para o An-124 Ruslan , que voou pela primeira vez em 1982, mas os testes com esse avião falharam, pela posição do estabilizador vertical.

Então os “russos” optaram por fazer um híbrido, uma aeronave ainda maior, com diversas alterações para levar o Buran, enquanto os Estados Unidos estavam felizes ao adaptar um 747 para levar o Space Shuttle.

O projeto ficou conhecido pelo codinome ‘Article-400’, um aceno ao codinome original de Ruslan ‘Article-200’, mas no final era o desenho do An-225, já com seis motores e capacidade para transportar o Buran totalmente carregado, que pesava pouco mais de 100 toneladas.

Este foi um dos maiores ’empreendimentos’ da URSS, porém, pela complexidade de construção e a falta de algum know how dos russos, o projeto do An-225 atrasou muito, até mesmo comparando com o foguete lançador Energia, e o próprio Buran.

Para manter o equilíbrio, a seção frontal da fuselagem original do Ruslan foi esticada em oito metros, mas a seção traseira foi reduzida em um metro para compensar o pesado estabilizador duplo do avião.

 

2. Precisa de muitos tripulantes

Nos modernos aviões de carga encontramos muitas vezes uma tripulação de duas pessoas, com exceções para três pessoas, em algumas situações.

Como o An-225 é baseado em um projeto antigo, e cá entre nós, no melhor estilo soviético, o maior cargueiro do mundo precisa de seis tripulantes para operar, e pelo menos 11 reservas para voos de longa distância.

Ao todo, no cockpit, são dois pilotos e quatro engenheiros de voo, cada pessoa em uma função, um monitora os sistemas do avião, o outro cuida da comunicação, e outros dois mantém a atenção à navegação, balanceamento de peso e ao radar.

 

3. Recordista em cargas

O Antonov AN-225 é um recordista em transporte de cargas no modal aéreo, tanto em volume como em peso. São mais de 200 recordes ao longo dos anos de operação.

Em 2001 o An-225 levou uma carga de 252 toneladas a bordo, voando baixo, em um voo de aproximadamente 1000 quilômetros.

No entanto, pelas características do An-225, poucas vezes a aeronave transportou uma carga tão grande em volume, visto que muitas vezes as empresas buscam o maior avião do mundo para levar cargas de alta densidade, porém, que não ocupa totalmente o interior do avião.

Mas nos últimos dias o An-225 quebrou o recorde de volume, ao levar mais de 1000 m³ de suprimentos médicos, em um voo da China para a França (Paris). No total, mais de 150 toneladas de máscaras, testes da COVID-19 e suprimentos médicos foram transportadas neste voo.

 

4. A Antonov já tentou produzir outro An-225

Durante várias postagens ressaltamos que este avião é único, realmente só há uma unidade em operação neste momento. Porém, o An-225 já “correu o risco” de ter um companheiro nas operações.

Ainda na época da União Soviética, antes da crise no “bloco”, a Antonov iniciou a produção de outro An-225, enquanto o primeiro fazia testes para a sua certificação, o intuito na época de transportar grandes componentes espaciais no interior, bem como peças de aeronaves.

Por este motivo, a segunda unidade o An-225 deveria ser um pouco diferente, com empenagem traseira convencional visto que não precisaria transportar o Buran na parte superior.

Da mesma forma, a aeronave não teria os dois suportes na parte superior da fuselagem, utilizados para acoplar o Buran.

Há pouca esperança de que o An-225 tenha um irmão.

 

5. O An-225 ficou parado por diversos anos

Após o colapso da União Soviética, que gerou uma crise financeira em várias países que faziam parte do bloco, o Antonov An-225 foi “encostado” nas instalações da Antonov em Kiev, na Ucrânia.

O An-225 deixou de ser utilizado por volta de 92/93, sua fuselagem ficou estocada, os motores foram retirados para equipar outros aviões An-124, que continuaram na ativa através da Antonov Airlines.

Com o mundo se recuperando, e juntamente os ex-países comunistas, a Antonov Airlines decidiu trazer o maior avião do mundo para as operações, aproveitando a fuselagem que estava estocada.

Desde então, poucos anos depois do avião ser “aposentado”, a aeronave entrou em um extenso processo de restauração, que terminou em maio de 2001, entrando em atividade poucas semanas depois.

 

6. Já pensaram em fazer do An-225 um avião de passageiros

Quando a URSS entrou em colapso em 1991 e a indústria aeroespacial pós-soviética lutava pela sobrevivência, vários usos exóticos (e malucos) do An-225 foram propostos. Uma ideia envolvia converter o Mriya em um avião de três andares, completo com quartos privativos, shoppings e um cassino.

Outro projeto conjunto entre a Rússia, Ucrânia e Reino Unido considerava um novo avião, o An-325, com base no An-225, uma ideia muito louca de dupla fuselagem para levar um ônibus espacial no vão entre as fuselagens.

Não precisa dizer que nenhum desses conceitos saiu do papel. 

O An-225 ainda preserva o interesse dos governos da China e Rússia, para transformar o avião em um lançador de veículos espaciais.

 

7. Tem a potência de três Boeing 767

Como todo avião puramente soviético, o An-225 é equipado com motores turbofan de fabricação russa. Na época, o Progress D-18T, da Ivchenko-Progress, era equivalente aos CF-6 da GE, pelo menos na teoria.

Esses motores também equipavam o An-124, mas com um peso máximo de decolagem de 640 toneladas, os quatro motores do cargueiro resultariam em um péssimo desempenho do An-225.

Foto – Dubai Airports

Para isso, o maior avião do mundo ganhou dois motores extras, da mesma potência. Cada um despeja um empuxo de 51600 lbf, durante a decolagem.

Podemos comparar essa potência com o motor CF-6, que equipa o Boeing 767. Logo, o An-225 tem uma potência equivalente a quantidade de três aviões Boeing 767-300, e um consumo na mesma ordem.

 

8. Antes da restauração o An-225 era “só problemas”

Três anos após o seu primeiro voo, que ocorreu em 1988, o An-225 fez sua visita inaugural aos EUA em uma missão para buscar ajuda humanitária para as vítimas do desastre de Chernobyl.

Infelizmente, o voo foi atormentado por problemas técnicos potencialmente fatais e foi rapidamente interrompido. Depois disso, a Antonov deixou cada vez mais o An-225 “de lado”, aposentando o avião temporariamente.

O cargueiro só voltaria a voar em 2001 depois da sua sequência de problemas técnicos.

 

9. Uma centopeia de pneus e rodas

Foto – Dubai Airports

O Antonov An-124 tem 10 pneus e rodas em cada lado do trem de pouso principal. Para criar o maior avião do mundo, os engenheiros da fabricante ucraniana precisaram adicionar mais 4 pneus e rodas de cada lado.

Por este motivo, o An-225 tem 14 pneus e rodas em cada lado do trem de pouso principal, além de um duplo trem de pouso na dianteira, totalizando mais 4 pneus e rodas. As três últimas fileiras de rodas são direcionáveis, para facilitar o taxiamento nos aeroportos.

 

10. Já visitou o Brasil duas vezes

O Antonov An-225 já foi atração aqui no Brasil. A aeronave já visitou duas vezes o Brasil, passando duas vezes pelo Aeroporto de Guarulhos, e uma vez no Aeroporto de Viracopos.

A primeira visita foi em 2010, quando a aeronave transportou três válvulas para a Refinaria de Paulínia, localizada no interior de São Paulo. O avião na época pousou no Aeroporto de Guarulhos, que ainda não contava com alterações para receber aeronaves desse porte, por este motivo, uma operação especial foi montada.

Foto do An-225 em Viracopos por Raul Pereira, cedida para o Portal Aeroflap no dia 14 de novembro de 2016.

A segunda visita foi em 2016, quando passou pelo Aeroporto de Guarulhos e Viracopos, com finalidade de levar um transformador de 150 toneladas para o Chile.

Desde então o An-225 não visitou o Brasil, e até o fechamento desta matéria, não há previsão de visita do maior avião do mundo ao país.

 

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