Airbus A220
Foto: Airbus/Divulgação

Na semana passada, a Airbus recebeu uma encomenda recorde de mais de 290 aeronaves de companhias aéreas da China. O novo pacote de encomendas principalmente para o modelo A320neo, acendeu na fabricante uma possível nova venda.

Diante da relação mais próxima com as empresas da China, durante um evento a Airbus destacou o acordo e a boa relação com as companhias. Olhando isso, a fabricante pretende apresentar o A220 para conseguir boas vendas no mercado de 100 a 150 passageiros no qual o avião se encaixa.

Um dos pontos destacados pela Airbus está no fornecimento de peças para o A220, no qual originalmente projetado pela Bombardier possui grande parte de fornecedores vindo da China. 

Na região Ásia-Pacifico somente a Korean Air possui o modelo em sua frota, o número de pedidos para o A220 passa dos 740 de 25 companhias aéreas no mundo todo. 

“Entre todos os modelos de aeronaves da Airbus, o A220 possui o maior número de elementos chineses, desde o fornecimento de matérias-primas e componentes até a montagem de grandes peças. Continuaremos a localizar a cadeia de suprimentos e reduzir os custos do A220. Essa abordagem pode ajudar a reduzir o transporte internacional logística e emissões de carbono significativamente”, disse a Airbus.

A Airbus enxerga o modelo como ideal para o completo das operações das companhias aéreas principalmente em locais de temperaturas elevadas como províncias rurais. O seu tamanho também proporciona maior flexibilidade de operar em aeroportos localizados em grandes centros.

A aeronave oferece capacidade de 100 a 150 passageiros a depender da configuração escolhida pela companhia. O avião da Airbus também não concorre com o modelo ARJ-21 da COMAC que é produzido na China, pois o modelo nacional oferece capacidade de 90 a 105 passageiros.

A China se tornou um mercado com grande potencial para a fabricante europeia, que também observa o crescimento do setor aéreo na região. 

A Airbus entrou com um pedido de certificação para o A220 operar no país, o CEO da fabricante comentou sobre o modelo opera no país.

“A China é o maior mercado de um único país para aeronaves comerciais da Airbus. No ano passado, as entregas para o mercado chinês representaram mais de 20% do total de entregas da Airbus em todo o mundo. Como um parceiro estratégico confiável e de longo prazo da China, continuaremos a cooperar com a indústria de aviação da China e estamos confiantes no futuro do mercado chinês”, disse George Xu, CEO da Airbus na China.

Golpe duro para a Boeing 

Air China Boeing 737 MAX
Foto: Boeing

Em um mercado onde a Boeing tinha um amplo domínio, principalmente em relação a sua aeronave 737 MAX, a fabricante dos EUA contestou o grande pedido para a Airbus.

A empresa aeroespacial dos EUA acredita que o pedido para a Airbus foi influenciado por disputas geopolíticas e citou alguns exemplos. 

“Este anúncio é um exemplo de como o diálogo construtivo entre governos incentiva a criação de empregos e outros benefícios que resultam de mercados aeroespaciais abertos”, diz a Boeing.

“Como um dos principais exportadores dos EUA com um relacionamento de 50 anos com a indústria de aviação da China, é decepcionante que as diferenças geopolíticas continuem a restringir as exportações de aeronaves dos EUA. Continuamos a exigir um diálogo produtivo entre os governos, devido aos benefícios econômicos mútuos de uma próspera indústria de aviação.”

“As vendas de aeronaves da Boeing para a China historicamente sustentam dezenas de milhares de empregos americanos, e esperamos que os pedidos e entregas sejam retomados prontamente”, completou.

A Boeing citou em comunicado que entregou apenas três aeronaves em 2021 e uma apenas em 2022 contra 150 e 47 da Airbus respectivamente.

Além disso a fabricante norte-americana citou o exemplo de seu 737 MAX, que em 2019 teve a Autoridade de Aviação da China como o primeiro órgão a suspender as autorizações de voo do modelo.

Na última quinta-feira (7), o Boeing 737 MAX voltou a ser testado na China para a recertificação da aeronave que ainda não voltou a operar regularmente no país asiático.

O voo especial ocorreu com uma aeronave da Air China a partir do aeroporto de Pequim (PEK) com duração de 48 minutos e serviu para avaliar as novas diretrizes de operações do jato.

Ainda que a China tenha voltado a dar continuidade na recertificação do MAX, especialistas apontam que o país ainda está desconfiado com o jato, justificando os passos lentos na certificação como resultado de divergências diplomáticas com os Estados Unidos.

Além da Air China, a China Southern Airlines também realizou uma série de voos de recertificação no início de junho.

 

 

 

Com informações da Simple Flying